segunda-feira, 14 de setembro de 2020

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No dia 17 de março, quando Tom Brady anunciou que sairia do New England Patriots para defender o Tampa Bay Buccaneers, os fãs de futebol americano ficaram muito curiosos para saber como seria essa nova empreitada de Brady longe de Belichick depois de 20 anos atuando na Nova Inglaterra. A expectativa só aumentou ainda mais quando foi divulgado, em 22 de abril que Rob Gronkowski deixaria a aposentadoria de lado para voltar a jogar ao com o seu grande amigo, Tom Brady. Para fechar a tríade de nomes ofensivos de peso que decidiram trabalhar com Bruce Arians em 2020, Leonard Fournette assinou com o Bucs depois de ser dispensado do Jacksonville Jaguars. Após 6 meses de espera, pudemos finalmente ver essas caras novas em ação e hoje vou destacar como foram essas atuações de estreia e como eles impactaram o jogo ofensivo do Tampa Bay na derrota contra o New Orleans Saints.

A primeira grande dúvida a ser observada era como Tom Brady, já em uma fase tão avançada da carreira e inclinando seu estilo cada vez mais para um jogo centrado em passes curtos, iria mesclar essas características com uma filosofia de ataque muito agressivo de Bruce Arians como head coah. Logo na primeira campanha do Bucs já deu pra ver que Arians parece ter adaptado bastante o seu play calling para jogadas mais curtas e parecidas com o que víamos Brady executar nos últimos anos em New England.

O time explorou os running backs recebendo passes, os recebedores em rotas mais curtas e utilizou Mike Evans em profundidade basicamente como uma isca para a defesa do Saints. Também vimos, como esperado, Tampa Bay utilizando bastante os pacotes com 2 tight ends, como os Patriots faziam bastante quando tinham a dupla Gronkowski e Hernandez em seu elenco. Agora com Gronk, O. J. Howard e Cameron Brate disponíveis, essas formações pesadas já se mostraram uma constante, buscando auxiliar o jogo terrestre que precisa ser efetivo para que Brady possa desempenhar o seu melhor jogo aos 43 anos de idade.

https://twitter.com/NFLonFOX/status/1305245013794869249

Assim como nos últimos anos, o ataque comandado por Brady variou bastante essas formações em 12 personnel (1 running back, 2 tight ends e 2 wide receivers), com posicionamentos com 5 recebedores abertos, sem ninguém ao lado do TB12 no backfield, o chamado empty set. O Patriots sempre gostou dessas formações, porque elas espalham a defesa adversária e facilitam o trabalho de seus recebedores mais ágeis nas rotas mais curtas, garantindo pequenos avanços de forma mais fácil. Com tantas armas perigosas, o Bucs parece disposto a repetir essa estratégia para seu novo quarterback.

Outro aspecto que chamou a atenção foi a utilização do play action. Durante os três primeiros quartos, quase sempre que fingiu o jogo corrido e em seguida usou o passe, o ataque do Buccaneers conseguiu bons avanços. No entanto, no decorrer da partida, o time foi ficando muito atrás no placar e isso impediu que eles ameaçassem a defesa do Saints no PA. A falta dessa alternativa prejudicou ainda mais os avanços do time em campo e facilitou o trabalho da defesa de New Orleans, que parou de cair nas armadilhas tentadas por Arians, que logo abriu mão do play action.

https://twitter.com/thecheckdown/status/1305275990227050496

A utilização de motions também chamou a atenção, com Bruce Arians tentando auxiliar a vida de Brady ao máximo, sempre colocando alguém em movimento no ataque antes do snap para indicar se a defesa adversária estaria em marcação por zona ou individual. O coordenador ofensivo do New England Patriots, Josh McDaniels, já fazia bastante isso por lá, mas parece que essa será uma estratégia ainda mais frequente para Brady em Tampa Bay. Ponto para Arians, já que esse tipo de jogada ajuda demais a vida de qualquer quarterback, independente dele ser um dos melhores da história ou não.

No resumo da primeira atuação de Brady, também é preciso destacar os erros grosseiros. TB12 lançou 2 interceptações e a segunda foi bem feia. Depois de Chris Godwin se mexer antes do snap e indicar uma marcação em zona do Saints, Brady fez um passe muito curto em uma rota out e facilitou demais o trabalho de Janoris Jenkins. Durante toda a sua carreira, Brady sempre executou esses passes curtos para fora com maestria e esse tipo de erro não é nada comum para o vencedor de 6 Super Bowls. Esses lançamentos tão para dentro do campo indicam que Brady pode estar ainda um pouco enferrujado, mas não podemos cravar que isso será uma constante, já que vimos ele calar os críticos por anos, ao ser taxado de velho e acabado. Fica o destaque, porém não apostaria que ele vai cometer esse tipo de erro de maneira tão frequente daqui pra frente.

Brady também não conseguiu acionar de forma consistente os seus dois melhores jogadores, Chris Godwin e Mike Evans. A condição física de Evans limitou a sua participação, mas nem ele, nem Godwin conseguiram ser grandes fatores no jogo, tanto que Scott Miller, uma espécie de Julian Edelman dos pobres, acabou tendo uma participação de destaque na partida de ontem. Godwin até teve os melhores números do dia, com 7 alvos, 6 recepções e 79 jardas, porém essas marcas ainda estão muito aquém do que vimos ele apresentar na temporada passada. O lesionado Evans teve só 1 recepção nas 4 vezes que foi alvo de Brady e acabou anotando um TD quando o jogo já parecia definido. Já Miller teve 5 recepções em 6 bolas lançadas na sua direção, sendo que em 3 delas ele conquistou a primeira descida. Nada mal para um jogador que teve apenas 13 recepções em toda a temporada de 2019. Vejamos se aos poucos Tom Brady consegue uma química melhor com Godwin e Evans e se Miller vai continuar sendo um fator nesse ataque.

Leia Mais: Longe dos holofotes, defesa do Bucs pode ter uma grande temporada de 2020

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Agora passando para os outros dois nomes que chegaram com pompa no Bucs. Rob Gronkowski está claramente fora da sua melhor forma física e foi pouquíssimo acionado como recebedor de passes. Gronk sempre foi um dos mais completos tight ends da NFL, capaz de correr excelentes rotas e também de bloquear com perfeição, mas a sua utilização limitada no jogo aéreo demonstra que Arians ainda não confia tanto nele como um alvo de segurança neste momento. Essa confiança deve aumentar com o passar do tempo e é sempre importante ressaltar a relevância de um bom bloqueador na posição de TE. Contudo, para quem esperava que Gronkowski repetisse as atuações devastadoras que já teve nos Pats como um recebedor imparável, a primeira semana não deu bons sinais neste sentido. Ainda é muito cedo para cravar qualquer coisa, mas esperar ver o Gronk de 2015 de volta parace ser muito otimismo nesse momento.

Se Gronk foi discreto no jogo aéreo, Fournette quase não entrou em campo. Seguindo as palavras de Bruce Arians ainda na pré-temporada, Ronald Jones foi claramente o running back número 1 desse ataque, carregando a maior parte das bolas, com 17 corridas, contra 5 de Fournette. Jones também foi mais participativo no jogo aéreo, com 2 recepções em 3 alvos na sua direção. Fournette entrou basicamente para dar um descanso ao titular e também não fez muito nas oportunidades que teve, anotando apenas 5 jardas em corridas, totalizando uma média terrível de apenas 1 jarda por tentativa. Se a linha ofensiva não conseguiu abrir espaços tão consideráveis para os seus running backs, o barulho feito em cima da contratação de Leonard Fournette parece ter tudo para se tornar apenas uma empolgação de offseason.

Sabíamos que a mudança de ares não seria simples para nenhum deles, principalmente para Brady, depois de 2 décadas jogando em New England, mas alguns problemas apresentados nessa primeira partida não dão os melhores indicativos possíveis. Não é hora de se emocionar e dizer que o projeto Bucs 2020 já é um fracasso, porém, definitivamente, não foi uma boa estreia para Brady, Gronk e Fournette. Vejamos se na próxima semana, em casa e contra uma das defesas mais fracassa da NFL, do Carolina Panthers, se o ataque do Buccaneers já começa a dar sinais de melhora.


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