sexta-feira, 22 de maio de 2020

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Depois da grande decepção que foi a temporada passada, ante toda a expectativa criada e o baixo desempenho do Browns, assim como os problemas escancarados com Freddie Kitchens e sua incapacidade de comandar o time, era evidente que mudanças seriam necessárias e elas deveriam ir muito além do head coach. A chegada do novo GM Andrew Berry, assim como as demais alterações e adições no Front Office, foram fundamentais para o bom trabalho na off season que o time vem desempenhando, principalmente no tocante ao draft.

A contratação de Kevin Stefanski como novo head coach obviamente também deve ser destacada, mas ainda é cedo para afirmar se dará realmente certo e se de fato foi um bom movimento, porém, inegavelmente o novo HC foi feliz na formatação de sua comissão técnica, principalmente na manutenção de peças que verdadeiramente e excepcionalmente foram bem e trouxeram um grande valor e colaboração para a equipe em 2019, como o Coordenador de Special Teams Mike Priefer, seu assistente Doug Colman e o Coordenador de jogo corrido/running backs coach, Stump Mitchell.

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O trabalho do GM Andrew Berry no draft precisa ser analisado em conjunto com o que foi feito na free agency, deixando nítido a existência de um plano e caminho traçado para fortificar e preencher as necessidades do elenco. Por mais que tornar Austin Hooper o tight end mais bem pago da NFL tenha sido um exagero, a chegada do jogador é totalmente compreensível pela forma como Stefanski gosta de utilizar formações com mais TEs, assim como pela irregularidade de David Njoku. A assinatura com o bom Jack Conklin, num contrato de excelente valor, tranquilizou parte dos problemas da linha ofensiva na posição de tackle e permitiu que o time fosse para o draft com necessidade reduzida numa posição chave.

Com a décima escolha geral, o Cleveland Browns conseguiu unir a necessidade e obter muito valor, ao selecionar o OT Jedrick Wills (Alabama), sendo essa uma das melhores escolhas de toda a primeira rodada. Com talento de top 5 da classe, o jogador caiu no colo da equipe, que não perdeu a chance de selecionar o melhor OT do recrutamento. Muito completo tanto na proteção ao passe, como abrindo espaços para o jogo terrestre, Wills deverá fazer uma mudança de lado e ser o LT do time, já que em Alabama ele jogava como RT, protegendo o lado cego do QB Tua Tagovailoa (canhoto). Tal transição tende a ser suave pela qualidade e capacidade do atleta. A linha ofensiva que foi tão problemática em 2019 pode vir a se tornar uma força em 2020, com Jack Conklin como RT e Wills como LT, somados a um miolo de linha já bem consistente e seguro, com destaque para JC Tretter e Joel Bitonio. Nick Chubb e principalmente Baker Mayfield agradecem e devem se valer muito da provável evolução da unidade.

Na segunda rodada, após fazer trade down com o Indianapolis Colts e descer três posições, obtendo uma escolha de 5º Round (pick 160), a equipe mais uma vez atacou uma necessidade conseguindo unir valor posicional, selecionando o safety Grant Delpit (LSU). Titular por 03 anos e campeão com LSU, é um jogador extremamente inteligente, versátil, podendo alinhar como FS, SS e até nickell, conseguindo sempre estar peto da bola, habilidade muito importante e que o permite mostrar seu ótimo ball skills. Delpit só não foi selecionado no primeiro dia, provavelmente pelo seu notório problema com tackles, tanto no que diz respeito a técnica, como também na seleção de ângulos e até mesmo na sua vontade e ímpeto, algo que pode ser trabalhado e demandará muita vontade e uma mudança de postura do jogador, situação um tanto quanto similar à do CB Greedy Williams no ano passado. O safety chega para ser titular desde o seu primeiro dia em campo e pode dar um retorno fantástico ao Browns, diante dá posição em que foi escolhido.

Após realizar mais um trade down na terceira rodada, dessa vez com o New Orleans Saints, o Browns garantiu uma escolha de 3ª rodada para 2021 e desceu para a posição número 88, onde selecionou o DT Jordan Elliott (Missouri). Jovem em plena evolução no College, é regular contra o jogo corrido, com potencial para ser aquele jogador de 2 Gaps, jogando tanto de 3 tech, como rotacionalmente de 5 tech e que consegue segurar o GAP para parar o jogo terrestre, mostrando muita luta e força para mover seus bloqueadores, ainda que a técnica das mãos não seja mais a mais polida. Tem ainda um bom primeiro passo, saindo muito bem da linha para explodir o backfield, seja para parar o jogo terrestre ou para pressionar o QB. Tem tudo para desempenhar um papel interessante na rotação da linha defensiva e eu não me surpreenderia se ele conseguir ganhar a titularidade já ao longo de sua primeira temporada.

DL Jordan Elliott

Com sua segunda escolha de terceira rodada, mais uma necessidade defensiva foi atendida com a chegada do LB Jacob Phillips (LSU), certamente a seleção mais questionável de todo o draft do time, pois Phillips seria um prospecto muito mais de terceiro dia, ainda mais levando em consideração a existência de nomes mais interessantes e promissores da posição no board, como Akeem Davis-Gaither e Malik Harrison. De toda forma, sua fisicalidade, bom atletismo e presença de campo (máquina de tackles) são características importantes e complementares a Mack Wilson, podendo vir a formar uma boa trinca de LBs com o recém-chegado, via free agency, B.J. Goodson ou Sione Takitaki.

No terceiro dia de draft o time voltou suas atenções mais uma vez para o ataque e fez suas três escolhas no setor, conseguindo em todas elas bons valores. O TE Harrison Bryant (FAU) foi o selecionado na 4ª rodada e reforça a ideia de como o novo HC Kevin Stefanski gosta de trabalhar com tight ends em suas formações ofensivas e de como David Njoku não goza de tanto prestígio e credibilidade no momento. Bryant vem de um programa pequeno, mas chamou muita atenção pela sua produtividade e versatilidade, alinhando e sendo efetivo em todas as partes do campo, movendo-se como um WR quando jogando no slot e até no outside, assim como trazendo força, determinação e boa qualidade nos bloqueios saindo do backfield e junto a linha ofensiva. Demonstra ir bem com recepções contestadas, mas seu raio de captura não é dos maiores e isso traz uma limitação considerável. Dá mesma forma, seus traços atléticos não são de elite e podem causar uma certa preocupação na transição do jogador, já que vem de um programa pequeno e a diferença é abismal para a NFL. Contudo, tem potencial para ser desenvolvido e é uma aposta muito válida.

O Center Nick Harris (Washington) foi o selecionado no 5º Round e chega para ser o backup imediato na função e trazer profundidade até como guard para a linha ofensiva. Harris sofre questionamentos até naturais pelo seu tamanho mais baixo, mas é um jogador forte e de excelente trabalho dos pés e mobilidade, com boa capacidade de chegar no segundo nível de bloqueios e executar pulls.

Com sua última escolha, já na sexta rodada, uma ótima aposta em Donovan Peoples-Jones (Michigan), recebedor que caiu drasticamente no processo até agora sem nenhuma justificativa aparente. Jones era o 14º WR em minha lista e eu acreditava que ele poderia ter seu nome chamado até mesmo no final do segundo dia. É um jogador muito bom, mas que foi prejudicado por jogar num ataque muito pobre de ideias e onde dividia demais as atenções, além do fato de ter um QB muito fraco tecnicamente, em um esquema que não ajuda em nada os WRs. É perigoso com a bola nas mãos, tanto por sua ótima visão de campo, como pela velocidade, sendo um retornador acima da média e que somou assim inúmeras jogadas incríveis ao longe de sua carreira no College, muitas delas que nem chegaram a resultar em touchdowns. Tem um bom release, porém, sem uma amostra muito grande contra marcações no “press”, mas mesmo assim, é evidente o modo como consegue fazer jogadas e conseguir separação, até pela fisicalidade que joga. Bom com YAC, apresenta também um ótimo controle corporal, tanto para trabalhar junto as linhas, como para quebrar tackles. Precisa muito evoluir e de refinos, para daí se provar, devendo encontrar um ambiente favorável a isso no Browns, já que não será titular e ficará atrás de excelentes WRs que podem ajudá-lo no trabalho e desenvolvimento.

WR Donovan Peoples-Jones

A experiência da temporada passada mostra que é preciso ter calma com a empolgação e esperar o trabalho ser desenvolvido dentro de campo, para daí sim se ter uma melhor noção do cenário real e desempenho de qualquer time, mas novamente o Cleveland Browns vem com uma ótima perspectiva e um elenco mais forte, com boa profundidade e que aparenta, no mínimo, uma capacidade maior de disputar e medir forças com Pittsburgh Steelers e Baltimore Ravens dentro da AFC Norte. O trabalho no draft foi bem feito e o time de Ohio certamente está no top 5 dentre as melhores classes de calouros para 2020.

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