quarta-feira, 11 de setembro de 2019

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Setembro sempre chega, e com ele a temporada regular! Por 17 semanas as equipes buscam uma caminhada consistente na pós-temporada ou somente fazem figuração dentro do ano, buscando se manter relevante e claramente se preparando para outros objetivos nos próximos anos. Ao final das referidas semanas, os melhores se enfrentam nos playoffs até o primeiro domingo de Fevereiro, quando finalmente conhecemos o campeão da temporada. É um ciclo que parecemos estar acostumados e os jogadores, por sua vez, conseguem tolerar e se preparar para tudo aquilo que lhes é exigido para obterem o melhor desempenho pelas suas equipes.

Nos últimos anos principalmente, uma corrente nos bastidores da NFL – principalmente baseada na figura dos donos das franquias, ventila a possibilidade de uma expansão da temporada regular de 16 para 18 jogos de cada franquia, visando aproveitar todo o caráter rentável que a NFL como um negócio representa, afinal, é a liga mais assistida de todo o mundo e gera cifras bilionárias em contratos de TV e propagandas anuais. A conta é realmente bem simples: mais jogos por ano significa mais dinheiro. Mais dinheiro significa maior lucro para a NFL e consequentemente um rateio maior deste bolo para os excêntricos donos dos times.

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Mas um lado que parece irredutível neste caso é o dos jogadores. O DB Michael Jenkins, do Philadelphia Eagles, fez uma declaração bastante interessante no mês passado quando perguntado sobre este assunto:

“Eles (donos) continuam falando sobre dinheiro e nós falamos sobre saúde de vida, segurança e longevidade. Nós não estamos falando a mesma língua. Este é o problema. Todas partidas adicionais que jogamos significam um risco.

Deve-se ter uma conversa melhor do que simplesmente jogar mais dinheiro nos jogadores sem olhar para as consequências de nossa saúde. Não penso que nenhum (jogador) está interessado em atuar um ou outro jogo extra de temporada regular quando penso em tudo que nosso corpo precisa aguentar nas dezesseis partidas já programadas.”

O interesse dos proprietários e pessoas ligadas à alta administração da NFL é tão intenso nesta extensão da temporada regular, que algumas alternativas já teriam até sido sugeridas para uma negociação com os jogadores, na figura da NFLPA, o sindicato dos atletas. Em uma hipotética expansão de temporada de 16 para 18 jogos atuais, todos os atletas teriam fixado em 16 o número de partidas máximas que poderiam atuar, ou seja, os elencos seriam aumentados para suportar tal regra e mesmo que por um lado signifique uma grande porção de jogadores contratados para integrar a liga, indiscutivelmente haveria uma queda de nível de jogo pela presença de jogadores com menos talento que teriam grandes espaços para atuar. Além disso, a diminuição das partidas de pré-temporada (de 4 para 2) parece até um pré-requisito neste cenário, pela dificuldade em conciliar o calendário de treinamentos na preparação para a temporada regular.

O futebol americano é um esporte violento, devemos admitir. A conquista de território que o baseia é sim oriunda de inteligência e tática, mas tal combinação precisa da força bruta quando necessária, e daí o risco a curto, médio e longo prazo de quem se esforça e se disponibilizar para atuar na liga, daí o fato que o sindicato dos atletas recusou todas as tentativas de aproximação de negociação sobre o aumento da carga de esforço físico no momento mais crucial e perigoso da temporada.

Não parece simplesmente fácil eliminar dois jogos de pré-temporada e “esparramar” seus principais jogadores por 16 partidas ao longo de 19 semanas de temporada regular. Além de uma redefinição de planejamentos de montagem do elenco, os dezesseis jogos anuais parecem o teto máximo que o corpo de uma atleta profissional consegue aguentar. Jogadores como Doug Baldwin, Rob Gronkowski e Andrew Luck são a prova viva deste nível de exigência, abrindo mão de milhões de dólares garantidos em contrato pela saúde ao restante da vida, afinal após a curta carreira de atleta profissional, restam pelo menos mais 40 anos de vida.

A “carnifica” da semana 1 da temporada regular fez várias vítimas. Jogadores como QB Nick Foles (Jaguars), e WR Devin Funchess (Colts) inclusive já foram para a lista dos machucados e perderão ao menos metade da temporada. QB Patrick Mahomes e WR Tyreke Hill (Chiefs), DT Malik Jackson (Eagles) e LB CJ Mosley (Jets) saíram machucados de suas partidas de abertura de temporada. QB Baker Mayfield (Eagles) RT Marcus Cannon (Patriots), RB Derrius Guice e DT Jonathan Allen (Redskins) já figuram no relatório semanal de atletas machucados e ao que tudo indica, batalharão contra lesões por toda a temporada – e sequer chegamos em Outubro.

Para você que não presta muita atenção no lado jurídico da NFL, esta é a hora de se aprofundar no assunto. Uma situação sem precedentes está bem na frente de nossos olhos. Os atritos entre jogadores e proprietários públicos e o acordo trabalhista assinado entre eles termina em apenas dois anos (sem este contrato, a temporada simplesmente não acontece). Se você acompanha há um pouco mais de tempo, se lembra da ameaça do lockout em 2011 até que ambos os lados finalmente chegaram a um consenso para a assinatura do acordo trabalhista que vigora até hoje. A atuação dos diretores da liga perante esta situação, isto é, compilar mais jogos em uma única temporada diminuindo o tempo de recuperação dos atletas entre elas não ajuda em nada esta situação.

O cenário não é nada animador: disparidades de salários com astros das ligas de basquete e beisebol e questões raciais e de liberdade de expressão dos jogadores são alguns itens que os jogadores com toda a certeza vão exigir nas mesas de negociação ao final do atual vínculo que garante a temporada.

O atual desejo compulsivo dos proprietários de expansão da temporada regular não é exatamente o caminho certo para uma boa relação com os atletas, já que a quantidade de lesões sofridas já na primeira semana é com toda a certeza um alerta para isso. Resta saber o quão decididos eles estão para abrirem mão ou não desta solicitação.


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