segunda-feira, 20 de junho de 2016

Compartilhe

O último sábado (18) foi, sem dúvidas, um marco para o nosso amado esporte aqui no Brasil. Lá em Minas Gerais, em pleno Mineirão, teve o Minas Bowl, com vitória do Minas Locomotiva por 21 a 17 contra o Get Eagles. No Rio Grande do Sul, o Santa Maria Soldiers enfrentou o Juventude F.A. no estádio Beira-Rio, partida que valia o título do Campeonato Gaúcho de Futebol Americano deste ano. Marcamos presença no evento, e lhe contamos tudo o que aconteceu por lá.

Logo ao chegar ao estádio, observei uma cena que, em minha opinião, sintetiza muito bem o crescimento do futebol americano no país: um camelô estava vendendo camisas falsificadas de alguns times da NFL. Não preciso dizer mais nada né? Ao entrar no Beira-Rio e chegar na bancada da imprensa, consegui visualizar o campo e como ele havia ficado após a pintura das jardas e das End Zones, tudo parecia impecável. Ainda antes da partida, o Gigante Bowl organizou uma série de apresentações para garantir a diversão do público. Se apresentaram, em um palco montado na beira do campo, a banda “Tchê Barbaridade”, a cantora Katia Aveiro, irmã do craque Cristiano Ronaldo, Juliano Rosa e até mesmo a “Banda Marcial Juliana”, que deu um clima de futebol americano universitário no estádio. Além disso tudo, ainda havia o “DJ Finna” botando a galera pra dançar. Tudo foi muito bem pensado para que o público aproveitasse o evento desde o momento de sua entrada no estádio até o fim da partida. Até mesmo um pedido de casamento foi feito por um rapaz durante uma entrevista nas arquibancadas e, felizmente, a moça aceitou.

O relógio mostrava 18:10 quando foi anunciada a entrada das equipes em campo, um espetáculo à parte. A entrada teve direito a lança-chamas e trilha sonora. Então, foram executados os hinos nacional, Rio-Grandense e fomos para a partida. O jogo começou nervoso, as equipes pareciam, e deviam estar, muito ansiosas. A primeira posse de bola foi do Soldiers que, após três tentativas de corrida, devolveu a bola ao time adversário. Mesma coisa do outro lado. Na segunda posse de bola da equipe de Santa Maria o jogo começou a ficar mais interessante: uma corrida curta e outra excelente de aproximadamente 20 jardas do RB Guilherme Busanello, que viria a ser destaque no jogo. Após outra primeira descida, desta vez conseguido pelo QB Wagner Freitas em um Play Action bem executado, o Soldiers não avançou mais e optou por chutar o Field Goal na quarta descida. Nada feito, o K Maurício Faé errou o chute que era relativamente fácil. A pressão parecia pesar muito em cima de cada jogador em campo. O repertório de jogadas ofensivas do Juventude F.A. era variado, porém baseado, principalmente, em corridas com o bom RB Bruno Bortoluzzi, e passes laterais executados pelo QB Eduardo Cauzzi. Apesar disso, o jogo não fluía para a equipe de Caxias do Sul, que ficava presa na boa defesa do Soldiers. O primeiro quarto se encerrou desta maneira, 0 a 0 e muito frio em Porto Alegre, frio este que marcou presença do início até o fim do jogo.

O segundo período começou mais intenso. O time de Santa Maria tinha a bola em mãos e era melhor em campo, conseguindo jogadas mais expressivas e controlando a partida até então. Logo nos primeiros minutos do segundo quarto, o RB Guilherme Busanello foi acionado e, com uma série de bons bloqueios, conseguiu chegar até a End Zone adversária e anotar o TD para sua equipe. Após a tentativa de ponto extra ser bem sucedida, os dois telões do Beira-Rio mostravam o placar: Santa Maria Soldiers 7 x 0 Juventude F.A. O ritmo continuou acelerado e na campanha seguinte a equipe de Caxias do Sul finalmente conseguiu avançar em campo e, assim como o Soldiers, baseado em seu jogo terrestre. Depois de um ótimo Punt, o Juventude encontrava-se pressionado contra sua própria End Zone, mas o RB Bruno Bortuluzzi foi o responsável por uma das jogadas mais explosivas da partida até então. Após se livrar dos primeiros tackles, o número 49 da equipe foi costurando a defesa adversária até ser derrubado na linha de 38 jardas do campo de ataque. Neste momento, entrou em ação um dos principais elementos que atrapalharam a equipe de Caxias do Sul durante toda a partida: as faltas. Logo na primeira descida, novamente com Bortoluzzi, o Juventude conseguiu avançar, mas uma segurada fez a equipe perder o território conquistado e andar 10 jardas pra trás. Duas jogadas depois, TD do Juventude F.A. em uma ótima corrida pelo meio da defesa adversária com Bortoluzzi de novo, mas outra segurada acabou matando a campanha ofensiva que seria bem sucedida.

A partida continuou muito disputada, com diversas jogadas terrestres de ambos os lados e poucos passes para ganho de jardas. Mais próximo ao fim do segundo quarto, o Juventude F.A. teve sua melhor jogada em toda a partida: Bortoluzzi fez um excelente retorno de chute para sua equipe, só sendo parado na linha de 30 jardas do campo de ataque. O TD parecia questão de tempo para o time da serra gaúcha, mas o bravo “pelotão de soldados” da defesa do Soldiers não deixou barato e limitou o ataque adversário a somente um FG, convertido pelo K Matheus Ely — jogador de seleção brasileira. Assim terminava primeiro tempo do Gigante Bowl, 7 a 3 para o Soldiers. No intervalo, mais uma grande atração embalou a noite dos torcedores presentes no Beira-Rio: “Papas da Língua” animou a torcida e o frio não foi capaz de deixar ninguém parado ao som da banda.

No retorno ao jogo já ocorreu a primeira INT da partida: o CB Fabrício Ziegler do Soldiers conseguiu agarrar a bola lançada pelo QB Cauzzi do Juventude F.A. e retornou até a linha de 14 jardas do campo de ataque. Em uma jogada muito bem pensada pela comissão técnica da equipe de Santa Maria, o WR Douglas Elesbão conseguiu contornar a defesa adversária e correr para anotar o segundo TD para sua equipe no jogo. Após a conversão do ponto extra, o placar estava 14 a 3 para os soldados. O Juventude F.A. bem que tentava avançar em campo, principalmente em jogadas com o RB Bruno Bortoluzzi, mas nada que se transformasse em pontuação. O jogo continuava muito físico, baseado em jogadas terrestres de ambos os lados e o fim do terceiro quarto colocava o Soldiers a apenas 12 minutos do sonhado título.

A última parte do jogo começava com posse de bola da equipe da serra gaúcha que, mais uma vez, não conseguiu avançar o suficiente para anotar pontos. O desespero já batia no time quando venho a ordem para arriscar a quarta descida logo no começo do quarto período. A ideia era surpreender o adversário com uma jogada diferente, um lançamento do WR Vágner Pacheco para o QB Eduardo Cauzzi, mas o resultado foi uma interceptação. Fábricio Ziegler aparecia novamente para tornar o desespero da equipe adversária em pânico. Nem mesmo o Fumble na beira da End Zone por parte do Soldiers foi capaz de reestruturar o Juventude. O time avançava em campo muito lentamente para quem estava 11 pontos atrás no placar e quando conseguiu uma boa campanha ofensiva, uma série de faltas complicou ainda mais o jogo para a equipe de Caxias do Sul.  Com 3 minutos para o fim do jogo e a torcida do Soldiers já gritando “É CAMPEÃO” nas arquibancadas do Beira-Rio, Busanello correu pela direita e anotou outro TD. Era a última pá de cal para o já morto em campo Juventude. Após o Extra Point, restavam 1:38 pro fim da partida e a diferença era de 18 pontos. Ninguém era capaz de tirar o troféu das mãos do Soldiers.

O jogo acabou e a festa tomou conta do estádio. Muita emoção, lágrimas, gritos e, sobretudo, comemoração. O Santa Maria Soldiers batia o até então invicto Juventude F.A., conquistando seu segundo Campeonato Gaúcho de Futebol Americano. A torcida estava ensandecida, alguns torcedores até mesmo sem camisa, ignorando os 8°C que marcavam os termômetros na gélida Porto Alegre. O RB #32 Guilherme Busanello, do Santa Maria Soldiers, foi eleito o MVP — melhor jogador — da partida. Ao fim, um sentimento só tomou todos que ali estavam: a alegria. Alegria por parte dos campeões do Gigante Bowl, dos vice-campeões que fizeram uma brilhante campanha, dos organizadores do evento que se doaram ao máximo e fizeram o espetáculo acontecer, e de nós, jornalistas, que amamos o esporte e vivenciamos tudo isso de perto. Mais de 12.000 pessoas estiveram presentes no Gigante Bowl e outras milhares ficaram ligadas no que ocorria no Beira-Rio através da Internet. O que aconteceu no último sábado, com toda certeza, entra pra história do futebol americano no Brasil.

Todas as fotos por Félix Zucco/Agencia RBS e Jean Pimentel/Agencia RBS

Compartilhe

Comments are closed.