terça-feira, 21 de abril de 2020

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Ao entrar em qualquer artigo, transmissão, ou até mesmo conversas cotidianas relacionadas ao draft, muitos termos distantes de nosso habitual linguajar são citados. Termos estes que designam desde atributos de jogadores até estratégias do draft. 

Muitas das vezes, as expressões que serão apontados abaixo são ditas involuntariamente pelo comunicador, tendo em vista a cotidianidade deles no entorno do futebol americano, além de que uma parte do público alvo já tem este conhecimento. Portanto, se você já tem uma experiência maior com o esporte, mais especificamente com draft, provavelmente conhecerá as expressões.

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A intenção é trazer todos para o mesmo debate, fazendo com que estrangeirismos não sejam barreiras para apreciação deste momento importantíssimo para as equipes que é o período preparatório e o draft propriamente dito.

Neste sentido, para facilitar àqueles que não estão comumente engajados no estilo de bate papo do draft, trago um glossário com as principais expressões estrangeiras utilizadas no momento atual da NFL, e que nem sempre são devidamente explicadas para o público em geral.

Draft – Para começar, nada mais justo que a própria expressão que dá título ao texto. O draft da NFL é o momento do recrutamento dos jogadores universitários para os times profissionais da liga, sendo a ordem inversamente proporcional à classificação das equipes na temporada anterior. Ou seja, se certa franquia teve a pior campanha, ela será a primeira a escolher, tendo a chance de, teoricamente, selecionar os jogadores melhores cotados disponíveis.

Trade up/Trade down – São as trocas de escolhas de draft para cima e para baixo em uma determinada rodada, respectivamente. A franquia X envia tantas escolhas para a franquia Y no intuito de trocar suas posições e, eventualmente, ter a chance de selecionar algum jogador que esteja no radar da equipe.

Bust – É o clássico termo para designar um jogador que foi escolhido em uma escolha alta de draft, mas que não conseguiu corresponder ao investimento feito nele. Um dos principais exemplos recentes de bust é Jamarcus Russell, recrutado com a primeira escolha geral do draft de 2007 pelo Oakland Raiders. Russell nunca conseguiu ser um jogador estável e produtivo na NFL, encerrando sua passagem na liga em 2009 com 18 touchdowns lançados e 23 interceptações, após 3 anos de Raiders.

Ranking the biggest first round quarterback draft busts in NFL ...

Reach – Expressão utilizada para quando uma franquia seleciona um jogador numa posição muito acima do que ele poderia ter sido selecionado, ou seja, o atleta estaria disponível, em teoria, em escolhas mais abaixo. Em 2019, o New York Giants recrutou o QB Daniel Jones com a sexta escolha geral, contrariando inúmeros especialistas que indicavam que o atleta estaria disponível em outro momento do draft, especificamente na escolha 17, também patrimônio do Giants. Veja, no entanto, que selecionar um jogador antes do esperado nada tem relação com a qualidade dele em campo, é puramente estratégia do draft de determinado time.

Steal – O extremo oposto de reach. É selecionar determinado jogador muito depois de quando o mesmo deveria ter sido escolhido, saindo com uma grande vantagem em detrimento dos outros times. Com a 17ª escolha da primeira rodada do draft de 2018, o Los Angeles Chargers viu cair em seu colo o ótimo Derwin James, que para muitos era talento de top 10. James foi ao pro bowl e escolhido para o primeiro time dos all-pro em sua temporada de calouro.

Hype – Uma expressão que não está relacionada exclusivamente ao draft, mas que muito se encaixa nestes momentos. Nada mais é que uma grande atenção momentânea que determinado jogador recebe, aumentando de forma considerável a interação midiática, e, consequentemente, sua posição no draft. Carson Wentz não foi um atleta muito falado durante a temporada regular que antecedeu o draft de 2016 em North Dakota State, equipe da segunda divisão do futebol americano universitário. Contudo, no caminho para o draft, recebeu grande atenção dos especialistas e da mídia e terminou como a segunda escolha geral daquele recrutamento.

Scout/Scout report – São os olheiros e os relatórios feitos por eles em relação à determinado prospecto que se dirige ao draft. Os scouts geralmente prestam serviços à alguma franquia. No entanto, os reports podem ser realizados por outros especialistas não ligados aos times também.

Board/Draft board – Nada mais é que um quadro ou outro tipo de organização com os prospectos do draft em um ranking, geralmente geral, avaliando o talento e o valor de cada jogador. Este sistema é bastante utilizado para analisar o valor do atleta para aquela posição em que será recrutado, a troca de alguma escolha em relação aos jogadores que estão disponíveis, bem como para evitar reaches e potencializar steals.

Mock draft – É uma simulação do draft realizada por alguma pessoa. Pode ser feita até mesmo por você através de algumas plataformas disponíveis na internet.

War room – É a sala de guerra dos diretores gerais da equipe. Local em que saem as trocas, escolhas e todas as outras decisões da franquia durante o draft. Neste ano, em decorrência da pandemia da COVID-19, as war rooms de cada diretor geral serão em suas próprias casas.

BPA – Trata-se de um das estratégias mais comuns do draft. BPA ou Best Player Available consuma-se no recrutamento do melhor jogador disponível no board do diretor geral, não necessariamente levando em consideração às necessidades do time em posições (nesse caso, seria a escolha por need). O recrutamento de Nick Bosa pelo San Francisco 49ers é um clássico exemplo. A linha defensiva da equipe já era boa, no entanto, por Bosa não ter sido selecionado pelo Arizona Cardinals com a primeira escolha geral, o 49ers não teve outra escolha que não trazê-lo para a unidade que chegou ao último Super Bowl, mesmo tendo maiores necessidades em outros setores naquele momento.

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Smoke screen – Ainda na toada das estratégias, a Smoke screen, ou cortina de fumaça, é o ato da diretoria de alguma equipe agir de determinada forma, seja por criação de rumores, seja por qualquer outra maneira que a criatividade permitir, fazendo com que se imagine que o time irá agir daquele jeito no draft, quando o seu real objetivo está escondido. O New York Giants está demonstrando interesse no QB Justin Herbert, de Oregon, mesmo tendo selecionado Daniel Jones com a sexta escolha geral do último draft. Será essa uma cortina de fumaça para buscar alguma troca ou esconder quem realmente querem trazer?

Red flag – Configura-se como alguma informação negativa, algumas vezes não verídicas, sobre determinado jogador, o que faz com que se gere algum receio do time em selecionar aquele jogador para seu plantel. Laremy Tunsil era um dos melhores jogadores no geral do draft de 2016 e que, em termos normais, seria selecionado no top 5 daquele recrutamento. Contudo, momentos antes do evento ocorrer, foi disponibilizado e divulgado um vídeo em que o atleta aparece fazendo uso de substâncias ilícitas, o que fez com que ele caísse até a escolha 13 da primeira rodada, para o Miami Dolphins. 

Fit – Para o contexto de draft, é o termo que designa o encaixe de um jogador no sistema de algum time, ou seja, suas habilidades se conectam com o que o estilo de ataque ou defesa de uma franquia. Muitas das vezes a transição de um sistema universitário para um profissional dificultam a análise de como aquele jogador irá se adaptar ao estilo de jogo da franquia da NFL.

Ceiling/Floor – É o teto e o piso de talento estimado de determinado jogador, respectivamente. Outro ponto utilizado para comparar atletas, mas que, como muita coisa no esporte, não é uma ciência exata. 

Esperamos que com o acima exposto, os diálogos sobre draft fiquem mais fluidos independentemente de como a outra parte estiver tratando os termos neste momento. Agora basta apertar os cintos e nos prepararmos para esta experiência de draft, torcendo sempre para que nosso time se saia bem.

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