quarta-feira, 24 de julho de 2019

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Após anunciar no final da tarde de ontem (23/07/2019) a extensão contratual do defensive end Dean Lowry, no valor de $20.325 milhões, por um período de três anos, o Green Bay Packers surpreendeu a maior parte do mundo da NFL ao dispensar hoje o veterano Mike Daniels, grande jogador de linha defensiva e um dos líderes de sua defesa ao longo dos últimos anos.

Ambos os movimentos estão interligados e não dá para falar de um sem citar e levar em consideração o outro. Os dois atletas estavam entrando em seus últimos anos de contrato, no caso de Lowry ainda o seu contrato de calouro, enquanto Daniels recebeu uma extensão contratual em 2015, no valor de $42 milhões de dólares por quatro anos. Não se trata de uma substituição direta, do veterano pelo mais jovem, até porque são jogadores com características diferentes, mas é um nítido caminho tomado pelo General Manager Brian Gutekunst juntamente com o coordenador de defesa Mike Pettine, que já vinham dando pistas de que isso poderia acontecer. A recente renovação contratual de ontem somente foi o ápice para estourar na dispensa de Daniels.

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DE Dean Lowry teve seu contrato renovado por 03 anos.

Durante essa offseason o Packers adicionou quatro jogadores de linha defensiva/EDGE rushers, dois através da free agency com Za’Darius Smith e Preston Smith e outros dois no Draft, sua primeira escolha e décima segunda geral Rashan Gary e Kingsley Keke na quinta rodada. Juntando-os ao restante dos jogadores dá posição ou função no elenco, como Kenny Clark, Montravius Adams, Fadol Brown, Deon Simon e o próprio Dean Lowry, percebemos um padrão de traços atléticos, tamanho e potência comum a todos, exceto justamente a Mike Daniels, que era até então o coração e alma da defesa da franquia de Wisconsin. O próprio Gutekunst deixou claro após os movimentos na free agency e draft de que esse era o perfil desejado e que ele estava buscando para a linha defensiva da equipe.

Mike Daniels foi um verdadeiro achado do Packers no Draft de 2012, onde o time o selecionou apenas na quarta rodada e obteve um retorno incrível ao longo de seus sete anos de carreira, sendo um verdadeiro líder dentro e fora de campo. Mais do que propriamente os números estatísticos alcançados, o produto de Iowa conseguiu estabelecer uma dominação impressionante na linha defensiva, demandando constantemente double teams e com isso abrindo muitos espaços para os seus companheiros. Contudo, seu papel foi reduzido em 2018, graças principalmente a uma grave lesão no pé que o fez perder 6 partidas. Ao todo, foram oito ausências nos últimos dois anos e uma considerável redução de snaps no ano passado, mesmo ainda quando saudável, rotacionando muito mais do que o que normalmente costumava, uma tendência que para 2019 só deveria aumentar com as muitas adições já comentadas e a diferença de perfil buscado agora pela comissão técnica.

Por mais que sejam de biótipos diferentes, Za’Darius Smith conseguiu ter boa parte de seus números e destaque jogando também mais por dentro, como 3-Technique no Ravens. Rashan Gary é outro jogador que traz essa versatilidade e será constantemente movido pela linha defensiva. Até mesmo Preston Smith tem condições de também executar essa função. Isso sem falar na ascensão e expectativa sobre os jovens valores do time na posição já acima citados. Inesperadamente nomes como Tyler Lancaster e Fadol Brown apareceram muito bem, numa necessidade, trazendo uma tranquilidade para a comissão técnica quanto a profundidade e possibilidade de variar mais nas formações e a mover alguns outros jogadores por diferentes funções.

Dessa maneira o Packers se viu diante de uma escolha e situação difícil, de manter ou não um grande nome, ídolo da equipe e ótimo jogador, porém que teria, ao que tudo indica, snaps reduzidos e se tornaria uma peça muito mais rotacional, pelo encaixe difícil no sistema trabalhado por Pettine. Pesou ainda mais e foi primordial o fato do contrato de Mike Daniels ser caro, com valor impactante no Cap salarial, tornando-se um luxo desnecessário para alguém que teria uma redução no papel em campo. Embora tenha tentado ainda uma troca, conforme reportado, a direção de Green Bay não teve êxito, pois provavelmente também pesou para outros times o espaço de mais de 10 milhões do contrato do jogador, que ainda por cima é expirante. Nesse raciocínio, a dispensa acabou sendo algo lógico e sem volta.

Mike Daniels, além de ídolo, era um dos mais carismáticos jogadores do Packers.

Com a movimentação a equipe de Wisconsin conseguiu salvar um importante espaço em seu Cap salarial, de pouco mais de $8.3 milhões, permanecendo com $2.4 milhões de dinheiro morto do mesmo. Tal espaço certamente será utilizado para negociação de contrato com outros importantes nomes que vão se tornar free agents em 2020, como Blake Martinez, Brian Bulaga e até possivelmente Geronimo Alilson, além de já ter assegurado a renovação de Dean Lowry. Não apenas isso, mas o pensamento também já pode e deve estar na free agency de 2021, onde duas fundamentais e voluptuosas renovações deverão ser realizadas com David Bakhtiari e Kenny Clark.

Este último, aliás, se consolida como a principal peça na linha defensiva do Packers, algo que já vinha sendo observado na prática, mas que deve ficar ainda mais nítido com a ausência do veterano no vestiário. Clark é uma verdadeira estrela em ascensão, muito jovem, já é um dos mais dominantes jogadores de interior de linha defensiva na NFL, com uma incrível capacidade de penetração e de efetuar a pressão internamente, além de ser ótimo parando o jogo terrestre.

Desportivamente falando, embora permaneça com uma forte e jovem linha defensiva, o Packers se enfraquece. Independentemente dos méritos financeiros, Mike Daniels é um jogador raro, com uma incrível capacidade e ética de trabalho, que mesmo com seus 30 anos de idade tem tudo para continuar jogando e produzindo em alto nível. Se você tem alguém assim em seu elenco, deve sempre tentar preservar e contornar situações, algo que talvez tenha faltado no momento, pois essa não me parece a melhor hora para abrir mão do atleta. Segurá-lo em 2019, tentar ver como se encaixaria e desempenharia jogando a temporada completa, para depois se avaliar no que fazer, talvez fosse o mais prudente, ainda que não tivesse o contrato renovado em 2020, como aconteceu com Clay Matthews. Todavia, o GM Brian Gutekunst segue convicto e coerente no caminho que decidiu tomar desde que assumiu a posição em Green Bay, renovando o elenco e rejuvenescendo-o, mesmo que isso signifique dizer adeus a grandes nomes.

Automaticamente, Mike Daniels se torna o melhor free agent disponível no mercado e com espaço em muitas equipes, sobretudo naquelas que buscam e irão disputar efetivamente para chegar ao Super Bowl, incluindo aí vários rivais do Green Bay Packers na NFC, mais um risco que o time sofre ao dispensar um atleta desse calibre, que além de tudo, sempre se mostrou um grande profissional e pessoa, não apenas com o time, mas com toda a cidade, comunidade e legião de fãs cabeças de queijo, aspecto e lacuna deixada que dificilmente será substituída ou suprida num curto espaço de tempo.

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