quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

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O maior evento de todo o período pré-draft acontece durante essa semana. O Lucas Oil Stadium, casa do Indianapolis Colts, receberá o NFL Scouting Combine, onde 327 jogadores convidados a participar de avaliações clínicas, físicas, técnicas, mentais e entrevistas. O Combine é uma situação única em que os prospectos estão diante de praticamente todos os técnicos e General Managers da NFL, e a impressão deixada no evento pode fazer um jogador catapultar ou despencar sua cotação para o draft.

A presença massiva de técnicos e GMs (e vários empresários de atletas) fez com que se intensificasse nos últimos anos o uso do Combine como uma espécie de abertura não-oficial da Free Agency. Embora nenhum negócio possa ser oficializado antes do Ano Novo Operacional da NFL, em março, várias possíveis trocas, dispensas e renovações de contrato serão amplamente discutidas em Indianapolis.

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Mais focado no draft, o post de hoje é um breve guia para que você possa ficar por dentro do que acontecerá em Indy e como o Combine interfere no draft.

Exames Médicos

O Combine é realizado sempre em Indianapolis por motivos essencialmente logísticos: localização geográfica central, estádio com teto retrátil (o que facilita as marcações de tempo) e um dos melhores sistemas de saúde dos Estados Unidos. É isso mesmo. Poucas cidades do país tem condições de realizar mais de 300 exames de ressonância magnética em tão pouco tempo, além de vários exames específicos que podem ser necessários de acordo com a condição de cada jogador.

Além das avaliações mais básicas, como exames de sangue e antidoping, os times da NFL buscam um histórico médico detalhado, desde o Ensino Médio, para os prospectos que estão em seu radar, e a partir daí conduzem outros exames de acordo com seus interesses. Não é raro ver equipes desistindo de draftar algum jogador que eles gostam muito tecnicamente por causa de propensão a lesões.

Fique de olho: Nick Bosa, principal candidato a primeira escolha geral, encerrou precocemente sua última temporada por Ohio State devido a uma lesão na região abdominal que requereu cirurgia. Ele também já teve uma lesão no joelho, ainda nos tempos de Ensino Médio. Os exames médicos serão muito importantes para que ele mantenha o status de principal prospecto do draft.

Medições

Medidas importam muito no futebol americano. E não se trata apenas de altura e peso. O tamanho do braço (e a envergadura, por consequência) é importante para jogadores de linha ofensiva segurarem seus bloqueios por mais tempo, quarterbacks com mãos pequenas tendem a ter mais dificuldades para proteger toda a extensão da bola, o que pode levar a mais fumbles sofridos, e por aí vai. Cada técnico e GM pode dar mais ou menos importância para esses dados, mas saiba que não são meros detalhes. Esse processo de medição também é feito no Senior Bowl e em visitas das equipes da NFL aos campi universitários. Mas como o número de jogadores que deixam a NCAA antes de se formar é cada vez maior, muita informação nova será colhida no Combine.

Fique de olho: Kyler Murray, um dos principais quarterbacks da classe, será talvez o jogador que terá suas medidas mais dissecadas pelos analistas, especialmente sua altura (que é estimada em 1,78 m). Há um certo ceticismo em como ele faria para enxergar o campo e fazer suas progressões jogando atrás de OLs muito maiores que ele.

Entrevistas

Existem entrevistas formais e informais. Quanto as formais, cada time pode agendar 60 conversas de até 15 minutos com os prospectos que desejar. O técnico principal e o GM geralmente participam de todas as entrevistas. Também costumam participar o coordenador ofensivo ou defensivo e o técnico da posição na qual o entrevistado atua, e dependendo do caso até mesmo um psicólogo.

As entrevistas informais costumam acontecer após os testes físicos, e funcionam bem como uma conversa comum mesmo (porém com assuntos sérios), sem limite de tempo ou no número de jogadores que os times podem abordar. Um procedimento comum das equipes nas entrevistas informais é perguntar sobre algum jogador que eles queiram conversar formalmente para seus colegas de time na Universidade.

Fique de olho: nenhuma posição no futebol americano exige tanto mentalmente dos jogadores como a de quarterback. Logo, demonstrar bom conhecimento tático, memória sobre jogadas executadas na NCAA e passar uma boa imagem de liderança diante do possível futuro chefe é um excelente começo para os jogadores da posição. Para prospectos como Drew Lock e Daniel Jones, que estão logo abaixo dos melhores da classe, uma boa entrevista pode ser a diferença entre ser ou não escolhido na primeira rodada.

Testes Físicos

É a parte que mais salta aos olhos dos fãs mais casuais (até porque é o que passa na TV). Bons desempenhos nos testes físicos deixam o jogador em evidência, e vários casos de aletas que se destacam aqui e são draftados em uma posição bem alta mesmo com uma carreira discreta na NCAA, mas chegam na NFL e não performam de acordo com a expectativa criada fazem com que várias pessoas tenham um pé atrás com a importância dessas atividades. O que não quer dizer que os testes físicos tenham perdido relevância, talvez apenas que a melhor forma de interpretar os resultados seja diferente.

Os testes aos quais os jogadores são submetidos são os seguintes:

– Tiro de 40 jardas: mede a velocidade e explosão do prospecto

– 3 cone drill: piques de ida e volta ao redor de 3 cones posicionados em L. Mede principalmente a agilidade nas mudanças de direção.

– Shuttle run: saindo de uma posição com 3 pontos de apoio (os 2 pés e uma mão), o prospecto corre 5 jardas, volta 10 jardas e corre mais 5, terminando no local onde começou. Mede especialmente o reflexo do jogador em movimentações laterais.

– Salto vertical: o prospecto fica parado, de pé, com os pés no chão, e salta o mais alto que puder. Mede impulsão e força nos membros inferiores.

– Salto largo: salto em distância talvez fosse uma tradução mais bonita para Broad Jump, mas poderia fazer vocês se confundirem com a prova olímpica, que é bem diferente. No Combine, o exercício é mais parecido com o salto vertical, com a óbvia diferença que o salto é pra frente e não para o alto.

– Bench press: o famoso supino. Carga de 225 libras (cerca de 102 kgs), uma série com o máximo de repetições que o prospecto conseguir. Além da força em si, o resultado é também um bom indicativo do quanto o atleta se dedicou a isso enquanto na NCAA.

Fique de olho: um dos melhores jogadores da campeã nacional Clemson, Clelin Ferrell é um edge rusher muito técnico, mas que não sobra tanto fisicamente como prospectos como Rashan Gary, por exemplo. Ele não tem muito a perder nos testes físicos, mas se desempenhar bem, pode até mesmo siar entre as 5 primeiras escolhas.

Como Acompanhar

Pela primeira vez o Combine terá transmissão na TV brasileira. No sábado, a partir das às 15:00 (horário de Brasília), a ESPN transmitirá os testes físicos dos QBs, WRs e TEs. Para quem quiser ir além, a NFL Network (disponível para os assinantes do Game Pass) transmite todos os testes físicos, de sexta-feira até a segunda. Uma excelente pedida antes de você ir curtir os blocos de carnaval.


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