quinta-feira, 29 de junho de 2017

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32 por 32 - L32

Comecei a assistir futebol americano por dois motivos simples: curiosidade e falta de opção. Nas férias escolares, costumava ir para a cama só de madrugada quando raramente tinha algo interessante na TV. Quais as chances de assistir um evento esportivo ao vivo naquele horário? Eis que a ESPN trazia até mim e outras milhares de pessoas uma opção que, no futuro, iria crescer de forma avassaladora no Brasil. Porém, naquele tempo, era apenas uma paixão de poucos brasileiros e um esporte “estranho e difícil de entender” para quem apenas passava pela ESPN zapeando com o controle remoto por diversos canais.

“Isso aqui deve ter algo interessante para fazer tanta gente lá nos EUA adorar o esporte”, era esse o pensamento que eu tinha na minha cabeça. Com isso, fui atrás de material e tive que “gastar” o inglês porque não existia quase nada mais detalhado em português na época. Não haviam sites e mais sites especializados em futebol americano como hoje, pois os que estavam começando não tinham sequer uma boa frequência de posts. Para se ter ideia do trabalho de formiguinha, o Everaldo Marques (ESPN) enviava do seu email pessoal apostilas explicando as regras do jogo – e fez isso por vários anos.

A verdade é que assisti alguns jogos por semanas seguidas sem entender muita coisa, mas de mente aberta, sem preconceitos e curtindo a forma com que o Everaldo e o Paulo conduziam a transmissão, explicavam o jogo e divertiam. Lembro do primeiro retorno para touchdown que vi, do primeiro passe de mais de 50 jardas, da primeira interceptação e do primeiro Super Bowl. Foram algumas dessas jogadas fantásticas que me fizeram começar a ficar encantado com aquele jogo até então estranho e renegado pelo grande público. O Super Bowl, claro, foi o ápice. Que evento magnífico, que forma de fechar uma temporada de futebol americano.

Nesse ponto eu já entendia o básico, acompanhava os jogos e gostava disso tudo. Com time para torcer, inclusive. Mas o prazer de ver futebol americano só tem limites se você parar de buscar conhecimento. É possível aprender novos detalhes e enxergar o esporte de formas diferentes a cada novidade descoberta, o que me permite dizer que quanto mais o espectador lê e pesquisa sobre o assunto, mais ele vai valorizar e amar a NFL (e a NCAA e derivados). Chegou um momento – após cerca de 4 anos – que o futebol americano se tornou o meu esporte preferido, à frente do futebol da bola redonda. Isso é um marco na vida de um brasileiro comum. E só aconteceu graças à minha sede de informação que, no futuro, levaria a esse site.

Quando lembro do tempo em que estava ainda aprendendo a caminhar nesse fértil terreno do esporte da bola oval, tenho saudades. De quando eu descobri o que era uma play action, um bust, um QB Dual-Threat, uma Read Option, uma rota “Corner” e os pontos fracos da cobertura Cover 2 Zone. E até coisas mais simples como a mais básica regra das 4 descidas para pelo menos 10 jardas. Sabe quando tudo começa a fazer sentido e é tão bom? Sabe quando a cada coisa que você aprende fica claro que é uma paixão para a vida toda?

É por isso que eu sinto um pouco de inveja de quem não entende futebol americano. Não é do fato de eles não entenderem, mas sim da possibilidade que eles têm de viver tudo isso que eu vivi, de se apaixonar por um mundo novo e por cada detalhe, por menor que seja. Aprender e compreender coisas legais é um dos grandes prazeres da vida, especialmente quando é algo que vai te acompanhar por anos e anos. Adoraria poder iniciar do zero e devorar cada detalhe, me deixar encantar como um verdadeiro iniciante por esse esporte incrível.

Até porque me interessar e entender o futebol americano foi uma das melhores coisas que já fiz. E faria tudo de novo.

Como vocês conheceram o esporte? Comentem um pouco da sua experiência.

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