quinta-feira, 16 de maio de 2019

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Sob o comando do GM John Elway, o Denver Broncos surpreendeu a NFL em 2012 ao contratar o veterano Peyton Manning aos 36 anos, já no ponto final da sua carreira. O objetivo da franquia, porém, era bem claro: Aproveitar os últimos anos de Manning para montar um time suficientemente competitivo ao seu redor e conquistar o Super Bowl. O resultado da aposta foi satisfatório para o Broncos, que participou da grande decisão do futebol americano em duas oportunidades liderado pelo camisa 18, levando o título para casa em 2015. Nos quatro anos em que esteve em Denver, Peyton não teve a oportunidade de trabalhar ao lado de um QB considerado o futuro da posição no Colorado. Em 2019, a situação é diferente para a franquia da AFC Oeste.

Trocado no início deste ano do Baltimore Ravens para o Broncos, o QB Joe Flacco será o titular de Denver na temporada 2019-2020. Assim como Manning, Flacco chega ao Colorado com um título de Super Bowl no currículo e no ponto final da sua trajetória profissional, aos 34 anos de idade. As semelhanças entre os dois, porém, acabam por aí. Ao escolher o QB Drew Lock de Missouri na 2ª rodada do draft deste ano, Denver deixou explicita a sua intenção em preparar o jovem jogador para o futuro e transformá-lo no franchise quarterback que o Broncos almeja há várias temporadas. O único problema é que, aparentemente, esqueceram de combinar esta intenção com Flacco.

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“Escute, eu tenho muitas coisas para me preocupar. Eu estou tentando ir a campo e jogar um bom futebol, o melhor de toda a minha carreira. Eu realmente não estou preocupado em preparar nenhum desses caras para o futuro, mas eu espero que ele vá muito bem”, afirmou o veterano em entrevista recente. Apesar dos especialistas e da imprensa classificarem a chegada de Flacco ao Broncos como um período de transição para a reconstrução completa do elenco, o que é cada vez mais normal dentro da NFL, o jogador trabalha visando resultados imediatos, pelo menos nesta primeira temporada.

Para amenizar a situação, o GM John Elway deixou claro a intenção da franquia em preparar Lock para o futuro e trabalhar em uma situação parecida com a de Aaron Rodgers e Brett Fravre em Green Bay na década passada, quando o camisa 12 precisou esperar pacientemente pela vaga titular atrás do veterano. A postura de Flacco funciona como um escudo para que o destino da temporada não se repita contra o camisa 5, quando Lamar Jackson, escolhido pelo Baltimore Ravens para ser desenvolvido pela franquia, ganhou a posição de titular após a metade da temporada. A decisão acabou culminando no fim da parceria de 11 anos entre o jogador e o Ravens.

Se Flacco tem ou não a obrigação de ensinar ou mudar a sua rotina de trabalho para auxiliar no desenvolvimento de Lock, é uma questão subjetiva. Nos últimos anos, um bom exemplo de QB que ajudou na transição de outro atleta para o nível profissional veio à tona com Alex Smith em Kansas City, abrindo caminho para Patrick Mahomes assumir a posição titular. Ainda assim, mesmo com Denver não sendo uma das equipes mais cotadas para chegar aos playoffs em 2019, a pressão por resultados imediatos e uma campanha superior à de 2018 não permite que Flacco e o Broncos desperdicem mais um ano. Mesmo que o jogador não admita se importar com o processo de transição, o nível de competição levado por ele até o vestiário de Denver e a sombra de Lock no banco de reservas podem causar um efeito positivo em uma franquia que parecia conformada com o status de mediana após a saída de Manning em 2016.

Depois da traumática saída de Baltimore, da forma menos luxuosa possível para um jogador que ajudou o time a vencer o Super Bowl, Flacco tem agora a possibilidade de um recomeço em uma equipe que confia no seu potencial e lhe dará tempo suficiente para aprender o novo playbook. Em Denver, ele poderá recuperar o status perdido nas últimas temporadas e ainda funcionar como ferramenta fundamental para o rebuild da franquia. Se souber conciliar bem o seu ego com os objetivos do time, o camisa 5 poderá encerrar a carreira em alta, o que muitas vezes não acontece com vários Quarterbacks veteranos da NFL.

Assim como Flacco, Eli Manning terá a mesma missão em Nova Iorque e Case Keenum em Washington com o Redskins. Não é simples para qualquer tipo de profissional trabalhar sabendo que a próxima pessoa a assumir a sua função já foi escolhida, mas como o esporte conta com características próprias, é fundamental entender o processo de sucessão que ocorre há décadas dentro da NFL. Como Lock, Haskins e Jones em 2019, os seus antecessores veteranos já estiveram na mesma situação de aprendizagem no início das suas carreiras e entendem como é difícil este processo. No final das contas, quem precisa sair ganhando é a franquia e os torcedores, mas ainda é cedo para dizer que Denver fez a escolha correta.


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