sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

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John Elway assumiu o cargo de general manager do Denver Broncos em 2011. Logo de cara, teve um enorme acerto ao conseguir a contratação de Peyton Manning para ser o quarterback da franquia. Foram alguns anos com um ataque exuberante e, ironicamente, a conquista do Super Bowl veio quando aquele que é para muitos o melhor jogador de futebol americano da história estava em final de carreira, praticamente sem conseguir atuar mais em bom nível.

A aposentadoria de Manning fez com que Elway precisasse achar seu novo quarterback. E, a partir daí, podemos listar fracasso atrás de fracasso. Paxton Lynch, selecionado na primeira rodada do draft, é um dos maiores busts recentes da NFL. Trevor Siemian foi titular por um ano. A aquisição de Case Keenum se mostrou um tiro no pé depois de maneira muito rápida. Isso, é claro, para não falar de Brock Osweiler, que dividiu a titularidade com Manning na última temporada do camisa 18.

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Sem ter um quarterback viável desde o penúltimo ano de Manning, John Elway segue tentando. Depois de escolhas de draft e contratações de free agents, chegou a hora de arriscar uma troca. E nessa semana foi anunciada a aquisição de Joe Flacco, que perdera sua posição no Baltimore Ravens para Lamar Jackson, por uma escolha de quarta rodada no próximo draft.

Pode dar certo? Até pode. Mas vamos falar disso mais tarde.

Porque para dar certo, são necessárias circunstâncias muito específicas. Se Elway pensa que Flacco é a solução, alguém que levará Denver de volta aos playoffs nas suas costas, está muito enganado.

Durante um tempo, Joe Flacco foi um quarterback de médio para bom na NFL. Sua performance em 2012 foi maravilhosa, culminando com uma pós-temporada quase perfeita. Lançou onze touchdowns e nenhuma interceptação, conquistou o prêmio de MVP do Super Bowl e muito mais.

Na época, o que mais se ouvia era a questão “Joe Flacco é elite?“. E o Baltimore Ravens certamente achou que a resposta era sim, dando a ele o que era então o maior contrato da história para um jogador da NFL: 6 anos, 120 milhões de dólares.

Mas desde então, Flacco nunca mais foi o mesmo. E pior, regrediu ano após ano. Em 2013, lançou 19 touchdowns e 22 interceptações. Em 2014, pareceu que se recuperaria, postando bons números. E depois foi ladeira abaixo, deixando de ser médio para pertencer à prateleira dos piores quarterbacks titulares da NFL.

E isso não é um exagero: de todos os quarterbacks elegíveis entre 2015 e 2018, Flacco é o dono do terceiro pior rating, terceiro pior número de jardas por tentativa e terceira pior proporção entre touchdowns e interceptações. Os nomes que ficam abaixo dele? Blake Bortles e Brock Osweiler.

Com um contrato enorme dedicado a Flacco, Baltimore respirou aliviado ao encontrar a oportunidade de selecionar Lamar Jackson no draft de 2018. Não demorou muito para o calouro ganhar a posição e condenar o camisa 5 ao fim de seus tempos com o Ravens. Encontrar um parceiro para troca também é uma bênção, e é aí que entra Denver.

Por que adquirir Joe Flacco? Como explicamos, se John Elway acredita que ele pode vitalizar sua carreira em Denver e retomar a forma de 2012, provavelmente está muito enganado. São quatro anos sendo um dos piores quarterbacks da NFL e aquela temporada espetacular já ficou muito para trás. Hoje, Case Keenum é o jogador superior entre os dois. Tratar o ex-atleta de Baltimore como solução para os problemas provavelmente garante mais duas ou três temporadas de puro fracasso para o Broncos.

Há quem diga que a tragédia que foi Paxton Lynch tenha deixado Elway com medo de selecionar um novo quarterback na primeira rodada de um draft. Bom, o jeito disso dar certo é se essa afirmação for errônea, e mesmo com a aquisição de Flacco, Denver escolha alguém entre Dwayne Haskins, Drew Lock, Daniel Jones e Kyler Murray quando abril chegar.

Dessa forma, Flacco chegaria para ser a ponte, alguém para jogar durante um ano e ajudar a desenvolver o calouro com sua experiência. Apesar de ter um salário ainda muito alto, de 18,5 milhões em 2019, é muito fácil cortá-lo antes do início da temporada 2020.

A aposta em Flacco por Flacco tem tudo para ser mais um grande equívoco de John Elway – a não ser que aconteça um enorme golpe de sorte do destino. Mas se o planejamento for apropriado e o antigo “quarterback de elite” for usado como um tutor para um calouro que vier no próximo recrutamento, talvez algo funcione.

Só em abril teremos pistas sobre essa resposta.

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