terça-feira, 4 de dezembro de 2018

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JaMarcus Russell, Kyle Boller, J.P. Losman, Paxton Lynch. Durante todo o processo pré-draft, Josh Allen muitas vezes foi comparado a esses jogadores, quarterbacks escolhidos na primeira rodada por seus atributos físicos e braços extremamente fortes, mas que não obtiveram sucesso na NFL. Sua produtividade irregular em Wyoming, uma universidade pequena e de pouca tradição no futebol universitário, não inspirava confiança alguma. Se por um lado seus companheiros de equipe não contribuiam muito para seu sucesso, por outro ele também não produzia com consistência enfrentando adversários bem inferiores aos que vem encontrando na NFL.

Apesar de pouquíssimos casos serem comparáveis ao de Allen no college e de claramente se tratar de um prospecto que necessitaria de desenvolvimento, seu potencial fez com que o Buffalo Bills subisse para a escolha sete no draft e selecionasse o quarterback. Muita gente criticou a decisão, incluindo este que vos escreve, por acreditar de se tratar de outro jogador que, apesar de ser o protótipo perfeito para a posição, nunca havia produzido em campo o suficiente para merecer tamanho investimento. Um jogador com altíssimo risco de se tornar um “bust”, mas com potencial para, no melhor caso, se tornar uma grande estrela da liga. Nas últimas duas semanas, o novato vem mostrando que está fazendo progresso na direção certa.

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Após ganhar a vaga de titular de Nathan Peterman na semana 1, Allen mostrou flashes do seu potencial, principalmente na vitória fora de casa contra o Minnesota Vikings. Naquele jogo ele já deu amostras do pesadelo que pode ser para as defesas adversárias com seu skillset muito completo. Porém, na sequência da temporada, voltou a mostrar sinais de inconsistência e dificuldade em lidar com a pressão das defesas adversárias, ainda mais jogando atrás da fraquíssima linha ofensiva do Bills. Na semana 6, contra o Texans, Allen machucou o cotovelo e ficou de fora por cinco semanas, algo que parece ter sido bem positivo para o novato. Ele teve a oportunidade de observar como os veteranos Derek Anderson e Matt Barkley se preparavam para os jogos e parece ter aproveitado a experiência da melhor maneira possível.

Desde sua volta, Allen tem sido um dos quarterbacks mais dinâmicos da NFL. O interessante é que as estatísticas, na maioria das vezes, não mostram o impacto que ele tem causado dentro de campo. Nos dois últimos jogos, contra Jaguars e Dolphins, ele completou 26 de 52 passes para 391 jardas, 3 TDs e 2 INTs, sendo que uma foi numa tentativa de hail mary no final do primeiro tempo contra o Dolphins. Esses números não são sensacionais, com uma porcentagem de acerto dos passes longe do ideal, mas suas 7.51 jardas por tentativa mostram que o novato não tem receio algum de atacar as defesas adversárias em profundidade. Adicione isso às 234 jardas terrestres ganhas em apenas 22 corridas, e mais um TD aqui, e vemos um quarterback que é capaz de punir o adversário de diversas maneiras.

Apesar de ser considerado um jogador que necessitaria de, pelo menos, uma temporada no banco para se desenvolver, Allen tem impressionado quem, de fato, o assiste jogar. Os números nem sempre impressionam, mas a atitude do jovem QB tem surpreendido a todos. Ele conquistou o respeito de seus companheiros de equipe, devido a maneira que se prepara e compete a cada jogo, e isso tem impressionado todos os adversários que o enfrentaram até aqui. Jogadores como Calais Campbell, Robert Quinn e até mesmo Jalen Ramsey, que criticou duramente a sua escolha, se renderam ao talento do quarterback após enfrentá-lo.

Ele tem surpreendido com sua capacidade de fazer jogadas de dentro e de fora do pocket, e toda vez que está em campo, parece ser o melhor atleta ali. Contra o Dolphins, no último domingo, o novato consistentemente fez o atlético linebacker Kiko Alonso parecer um jogador de linha defensiva tentando persegui-lo, tamanha a diferença de velocidade entre os dois. Quando a defesa tentava mantê-lo no pocket, ele a punia com seu braço sensacional. No final da partida, as estatísticas mostravam um QB que foi responsável por 366 das 415 jardas totais do ataque da sua equipe. Pela performance nesse jogo, o site Pro Football Focus o elegeu para o time da semana, com uma nota 90.8, a maior da sua carreira até aqui.

Allen está longe da perfeição neste momento da sua carreira, e algumas jogadas perdidas pelo novato, ainda custam caro a equipe de Buffalo. Porém, é impressionante o que o jovem jogador tem apresentado até aqui, sendo a definição de ataque de um homem só, sem muita ajuda nesse grupo de jogadores ofensivos no elenco do Bills. Com o tempo, e a experiência adquirida, a tendência é que ele diminua os erros e se torne ainda mais perigoso. A evolução mostrada durante a temporada é um sinal muito positivo.

Muitos especialistas ainda se recusam a reconhecer o potencial que o novato tem apresentado até aqui, ou simplesmente não o assistem jogar e se agarram em estatísticas e jogadas isoladas fora de um contexto para defender sua errônea opinião pré-draft. Aqueles que o assistem jogar, porém, tem visto que Allen não se trata apenas de um braço forte, sua postura, maturidade e liderança dão sinais de que Buffalo pode, finalmente, ter encontrado o sucessor de Jim Kelly. Ainda é cedo, mas Allen dá esperança aos torcedores do Bills.

4 downs

1st & goal: Após sua deplorável atitude, o running back Kareem Hunt foi dispensado pelo Kansas City Chiefs e nenhuma outra franquia assumiu seu contrato nos waivers, o tornando um free agent. Se trata de uma situação muito interessante daqui para frente, haja vista o calibre do jogador e o tamanho da besteira que fez. No passado, Ray Rice, RB do Baltimore Ravens, se envolveu em um caso semelhante e nunca mais teve uma oportunidade na liga. Rice porém já não estava no auge da sua carreira, ao contrário de Hunt, que vinha numa crescente. O tempo dirá se ele conseguirá dar a volta por cima, mas não será fácil conseguir oportunidades.

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2nd & goal: O Green Bay Packers preferiu não adiar o inevitável e demitiu o head coach Mike McCarthy. Seu relacionamento com a equipe e, principalmente, com o QB Aaron Rodgers, já estava muito desgastado e os péssimos resultados em 2018 foram a gota d’água. Com McCarthy fora, o foco passa a ser em quem será o próximo treinador da equipe. O coordenador ofensivo Joe Philbin assumiu interinamente mas tem pouquíssimas chances de ser efetivado no cargo. Um nome que gosto muito é o de Vic Fangio, coordenador defensivo do rival Chicago Bears. Se trata de um técnico experiente, respeitado na liga e que conhece bem a divisão. Ele poderia fortalecer a defesa de Green Bay e selecionar um coordenador ofensivo promissor para trabalhar com Rodgers no ataque. Além disso, sua contratação ainda enfraqueceria um rival direto.

3rd & goal: O Los Angeles Chargers conseguiu uma virada sensacional contra o Pittsburgh Steelers, fora de casa, e se manteve na cola do Kansas City Chiefs, na busca pelo título da AFC Oeste. Meu destaque vai para a conexão Philip Rivers/Keenan Allen. Como é sensacional ver esses dois em ação. Rivers é especial fazendo leituras pré e pós snap, e passando com precisão mesmo com a pressão dos pass rushers na sua cara. Ja Allen tem uma capacidade absurda de mudança de direção em suas rotas, que o torna praticamente impossível de ser parado no um contra um. Nesse último jogo, Rivers procurou Allen em 19 passes, completando 14 para 148 jardas e um touchdown.

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4th & goal: Com a derrota de 23-18 contra o Eagles e a lesão de Colt McCoy, as já abaladas esperanças do Washington Redskins de chegar aos playoffs chegam ao fim. Uma pena pois se tratava de uma temporada bem interessante com uma boa defesa e os veteranos Alex Smith e Adrian Peterson comandando o ataque. Com o Cowboys na dianteira e o Eagles de volta a briga, o Redskins já pode pensar na temporada 2019.


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