terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

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Uma das grandes novelas do processo pré-draft teve um capítulo muito importante ontem, com potencial para impactar o recrutamento em grandes proporções: o QB Kyler Murray, atual vencedor do Heisman Trophy, declarou que seu futuro será como jogador de futebol americano, e a partir de agora seu foco estará na preparação para o draft. Ele não se apresentará para os treinos de pré-temporada do Oakland Athletics, time que o draftou na MLB, mas estará no Combine no final do mês, em Indianápolis.

Relembrando sua história, Murray era jogador tanto de beisebol quanto de futebol americano na Universidade de Oklahoma. Enquanto no esporte da bola oval ele não tinha tanto espaço, devido a presença de Baker Mayfield, no beisebol ele se destacou de tal forma que foi selecionado na 1ª rodada do draft de 2017 pelo Athletics, e parecia que seu futuro seguiria nessa direção.

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O que mudaria os rumos da sua carreira, no entanto, seria a oportunidade de ser o QB titular em Oklahoma após a saída de Mayfield para a NFL. Murray negociou com o A’s uma cláusula em seu contrato que o permitia jogar futebol americano durante o ano de 2018, ao invés de atuar pelos afiliados do A’s nas ligas menores da MLB. O time de Oakland aceitou essa cláusula, mas viu seu tiro sair pela culatra alguns meses depois. Murray teve um ano fantástico, levou Oklahoma aos playoffs do College Football, venceu o Heisman Trophy, e evidentemente acabou chamando a atenção da NFL, onde a demanda por quarterbacks é sempre alta. E o coração do jovem atleta balançou.

Com perspectivas de ser uma escolha alta no draft da NFL, mas já tendo um contrato assinado para ser jogador profissional em outro esporte, Murray se viu em um dilema nos últimos meses. No entanto, os acontecimentos ao longo do ano sempre mostraram o que ele realmente queria. O simples fato de ele insistir em praticar outro esporte, ainda que em nível amador, mesmo já tendo um vínculo profissional, já indicava que o futebol americano era mesmo sua paixão. As declarações de su empresário, insistindo que ele compareceria aos treinos do A’s, também mostravam que isso não era um fato tão consumado assim – afinal, se você já é um jogador da franquia, teoricamente todos já sabem que você tem que se apresentar.

Além do sentimental, há um lado financeiro na escolha que não pode ser ignorado, obviamente. Murray recebeu um bônus de assinatura de US$ 1,5 milhão com o A’s no ato do seu recrutamento (do qual agora ele devolverá cerca de US$ 1,3 mi por abandonar a franquia), e ainda tinha cerca de US$ 3,16 milhões a receber, dinheiro do qual ele abrirá mão. Para efeito de comparação, Josh Allen, selecionado na 7ª escolha geral de 2018 pelo Buffalo Bills, tem um contrato com valores totais estimados em US$ 21 milhões, valores amplamente superiores aos que Murray receberia para jogar beisebol em Oakland. Mesmo se ele for draftado apenas no final da primeira rodada, a balança financeira ainda penderia para a NFL.

Agora nos resta acompanhar seu desempenho nos eventos pré-draft e observar onde ele pode ser selecionado. Teoricamente, as cinco primeiras equipes a escolher (Arizona, San Francisco, NY Jets, Oakland e Tampa Bay) não tem necessidade imediata de um quarterback. Mas, claro, sempre há alguém disposto a escalar posições na primeira rodada com o objetivo de fisgar o futuro do seu time na posição mais importante do jogo. Caberá a Murray impressionar técnicos e GMs nos próximos meses.


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