segunda-feira, 9 de setembro de 2019

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Muito se fala da transição do futebol americano universitário para o profissional e a dificuldade de adaptação em algumas posições e situações, uma vez que o futebol americano universitário é voltado para si mesmo e não para formar jogadores para a National Football League. Na posição de quarterback, a discussão é ainda maior, por se tratar da posição mais importante do jogo nos tempos modernos.

Escolher um quarterback no draft, que impressionou jogando em spread offenses na Universidade contra defesas fracas e mal organizadas, não garante sucesso. Também não garante fracasso. É uma situação que deve ser analisada caso a caso e cuidadosamente pelos analistas. No caso do Arizona Cardinals, uma situação que deve ser analisada por dois anos subsequentes.

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Após escolher Josh Rosen, o Cardinals abortou a missão com o ex-quarterback de UCLA e a pedido de seu novo treinador, Kliff Kingsbury, escolheu Kyler Murray com a primeira escolha geral do último draft. Cercado de expectativa, mas também de desconfiança, Murray chegou a Arizona como a nova face da franquia, com respaldo de um técnico que é o protótipo da nova geração: gênio ofensivo e guru de quarterbacks, como a sensação da NFL nos últimos anos, Sean McVay.

Murray realmente jogou muito bem com Oklahoma Sooners em sua carreira universitária e tem atributos que enchem os olhos dos olheiros, como o braço forte, o atleticismo e a mobilidade, todos acima da média dos jogadores de sua posição. Vencedor do Heisman Trophy e draftado também na MLB anos antes, Murray desistiu de milhões para jogar na NFL.

 

 

 

 

 

 

 

No último domingo, Murray estreou na NFL, jogando em casa contra o Detroit Lions. Cenário perfeito para um grande jogo? Errado. O time de Arizona ainda é uma bagunça que vive de lampejos individuais. Na defesa, conta com Patrick Peterson e Chandler Jones que são jogadores acima da média e no ataque, Kyler Murray é a esperança do momento. A linha ofensiva é uma bagunça, o corpo de recebdores tem alguns bons valores, mas falta profundidade e David Johnson domina o backfield, que é frequentemente penetrado pelas defesas adversárias, com enorme talento, sendo muito mal utilizado nas últimas 2 temporadas.

 

 

 

 

 

Podemos dividir a partida em duas partes para avaliar não só Kyler Murray, mas o Arizona Cardinals como um todo e o trabalho de Kliff Kingsbury. No início, foi tudo como citado anteriormente. Um time totalmente bagunçado na defesa, contando com algumas boas jogadas de talentos individuais, mas que tomou um baile dos recebedores de Detroit, principalmente o tight end calouro T.J Hockenson. No ataque, a linha ofensiva de Arizona é realmente ruim. Com isso, Kyler Murray expôs todas as suas dificuldades, como o processamento mental lento e sua dificuldade no trabalho de pés no pocket e a presença nele. Como as piores defesas profissionais são muito melhores que as melhores do futebol americano universitário, Murray sofreu.

 

 

 

 

No início do último quarto, o jogo estava 24 a 6 para o Detroit Lions, com Murray lançando para 70 jardas, com 9 passes completos de 26 tentados, 6 jardas terrestres, nenhum touchdown, uma interceptação e 4 sacks. A partir daí, saiu de campo o “Kyler ruim” e entrou o “Kyler bom”. Kliff Kingsbury, perdendo por 18 e já no fundo do poço, ajustou o ataque, passou a utilizar com maior frequência David Johnson como recebedor e deu carta branca para o talento de Murray. Com seu braço forte já conhecido dos tempos de Oklahoma, ganhando confiança a cada passe preciso e uma estrela digna de filme, Murray passou para 238 jardas e 2 touchdowns após o início do último quarto. Lançou lindos passes para Larry Fitzgerald (eterno) e David Johnson, empatou um jogo que parecia perdido e levou para a prorrogação.

Terminou o jogo com 308 jardas, 29 passes completos de 54 tentados, 2 touchdowns e uma interceptação. Mostrou que seus defeitos podem atrapalhar muito, mas que suas qualidades são para se comemorar. Terminou levando o time ao empate, que pelas circunstâncias, tem gosto de vitória, tanto para Murray como para Kingsbury, que mostrou ter condições de ser o técnico que muda jogos que o torcedor de Arizona espera.

Com um pouco de organização defensiva e ajuda na linha ofensiva que é uma das piores da NFL, Kingsbury e Murray podem vencer alguns jogos ainda em 2019 e mais importante que isso, pavimentar um futuro um pouco mais animador para o Arizona Cardinals e, talvez sair do final da classificação da liga, onde a franquia esteve em todo ano de 2018. Para Kyler Murray, a estreia provou que ele tem as ferramentas necessárias para ser quarterback na NFL.

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