segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

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Nesta liga que aprendemos a gostar com tanto afinco, um assunto tanto quanto polarizante é o caráter dos atletas mais badalados e inevitavelmente bem pagos da liga. Muitos ganham a mídia e holofote por comportamentos questionáveis enquanto não estão atuando e, por terem um caráter mágico para com a torcida, acabam ganhando um voto de perdão em virtude do ótimo desempenho apresentado dentro de campo, um verdadeiro paliativo ao comportamento fora dele. Claro que há as exceções como em tudo nesta vida e, no fechamento da penúltima rodada da temporada regular nós talvez tenhamos visto o último ato de uma destas exceções que transformam o esporte em algo tão positivo – o WR Larry Fitzgerald, do Arizona Cardinals.

Fitzgerald defende o Arizona Cardinals desde que fora recrutado na 1ª rodada do Draft de 2003 oriundo da universidade de Pittsburgh. Desde então, foram quinze sólidas temporadas de um dos melhores WRs de todos os tempos, culminando em onze aparições no Pro Bowl, o jogo anual das estrelas da NFL. Mesmo com um desempenho vistoso e prolífico do ponto de vista técnico, o legado que Fitzgerald transpareceu ao longo destes anos também é digno de destaque em comparação com uma liga que ultimamente vê seu atletas ganharem as mídias pelo que fazem de errado. Vencedor do “Walter Payton Man of The Year” em 2016 – prêmio dado ao atleta mais engajado em causas sociais na comunidade em que está inserido, Fitz construiu uma carreira praticamente perfeita com exceção à um detalhe: nunca conseguiu guiar seu Arizona Cardinals à glória máxima da temporada, o Super Bowl.

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Isto não o impediu de ser nomeado como um dos melhores recebedores de sua geração e mesmo da história da NFL, em que sua longevidade e solidez ao longo de uma década e meia em um esporte que exige tanto física e psicologicamente de seus atletas também é digna de muito destaque.

Mas como a vida é feita de ciclos, podemos talvez ter visto o último ato do WR no uniforme do Cardinals atuando em Glendale, a casa da equipe. Isto porque o Cardinals fez no último domingo seu último jogo em casa na temporada regular de 2018 – uma derrota para o Los Angeles Rams, que culminou na 12ª derrota em quinze jogos da equipe na atual campanha, que não condiz em nada com tudo aquilo que o veterano entregou à franquia durante os últimos anos.

Desde o primeiro minuto de jogo, o que se sentia no estádio da Universidade de Phoenix era um clima de despedida para o atleta que tem 35 anos de idade e ficará sem contrato ao término da atual temporada. A torcida entoava “La-rry” a todo momento – bem mais que o normal, enquanto o telão do estádio passava momentos históricos daquele que discutivelmente é o atleta mais importante da história da franquia. Quando perguntado sobre tais atos durante o embate, Fitzgerald demonstrou a humildade de sempre:

“Eu jogo um esporte coletivo. Não sou Michael Phelps ou Tiger Woods. Estes caras fazem coisas individuais. Tudo que fiz até hoje envolve um contexto coletivo. É um pouco desconfortável que cantem apenas meu nome. Há onze outros jogadores além de mim e eu não seria capaz de fazer meu trabalho mesmo que faltasse uma única pessoa no processo. É legal, mas ainda sim, nunca me acostumarei com isso.”

Larry Fitzgerald continua a brilhar mesmo no estágio final de sua grande carreira. Ele reescreve o livro de recordes da liga de uma maneira incrível para um jogador que atuou durante tanto tempo por uma única equipe – esta muitas vezes desfuncional. No mês passado, ele se tornou o segundo jogador com mais jardas de recepção na história da NFL, atrás apenas do lendário Jerry Rice. Este mês, ele ultrapassou o próprio Rice e se tornou o atleta com mais recepções por um único time ao longo de sua carreira, uma ode à lealdade ao Cardinals. A pós-temporada que ele teve em 2008 juntamente com sua equipe foi a mais fantástica já vista para um atleta da posição: as 30 recepções para 546 jardas e sete recepções para Touchdown superaram as marcas antes impostas pelo mesmo Rice no final dos anos 80.

São 65 recepções para 707 jardas e cinco recepções para TDs nesta temporada, números que não saltam aos olhos exatamente, afinal o Cardinals se voltou a um Quarterback calouro neste ano, que está aprendendo à duras penas como é a difícil transição do futebol americano universitário para o profissional. A franquia está entrando em uma etapa de reconstrução com o novo técnico Steve Wilks e a esperança que  o QB Josh Rosen carrega em ser o grande condutor da franquia para a próxima década, mas o que também denota que será necessário paciência por parte do núcleo mais experiente com os jogadores jovens que realmente acabam errando mais. O declínio normal pela idade avançada do WR também corrobora para o fato de pensarmos que sim, podemos estar vendo os últimos atos de um dos melhores recebedores de nossa geração – inclusive o encerramento da gloriosa carreira atuando em casa.

Arizona começou a temporada com o Quarterback Sam Bradford antes de se voltar à Rosen, escolhido na primeira rodada deste Draft. Com um QB calouro aprendendo a duras penas o estilo de jogo da NFL, a equipe passou longe de alçar vôos satisfatórios como o time comandado por Bruce Arians alguns anos atrás, mas que agora já perdeu todo o núcleo talentoso daquela base.

Para nós, restará a nostalgia de ver um atleta que representa a excelência não apenas no esporte, mas também na vida, e isto com certeza fará muita falta, concorda?


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