segunda-feira, 27 de julho de 2020

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A NFL e a NFLPA (Associação de jogadores Profissionais) chegaram à um acordo na última semana sobre a opção dos atletas se ausentarem da temporada 2020/21 por conta da pandemia de Covid-19. Segundo a nova regra, todos os jogadores que decidirem não atuar neste ano receberão um salário de US$ 150.000 e terão seus contratos congelados até a próxima temporada.  Visto como fundamental pela Associação de Jogadores Profissionais, o acordo dará segurança financeira e profissional para o atleta que optar por não jogar em 2020 e poderá causar algumas mudanças importantes nos elencos das franquias. Primeiro nome à usar a nova regra, Laurent Duvernay-Tardif, linha ofensiva campeão do Super Bowl com o Chiefs no último ano, não vai jogar a nova temporada por conta do Coronavírus.

Antes de debater sobre como a decisão do OL pode afetar outros jogadores, é fundamental entender a situação atípica de Laurent Duvernay-Tardif. Draftado em 2014 pelo Kansas City Chiefs, o jogador canadense se formou em Medicina pela Universidade de McGill, em Montreal. Mesmo tendo que conciliar a carreira de atleta profissional com a profissão escolhida, ele contou com todo o apoio da franquia para finalizar os estudos no seu 1º ano na NFL. Desde então, o jogador optou por seguir atuando na liga e se tornou um dos nomes mais importantes do atual campeão do Super Bowl.  Com 60 jogos disputados em seis temporadas, ele esteve em campo em 14 partidas no último ano e é titular da linha ofensiva que protege Patrick Mahomes, dono do maior contrato da liga. A decisão de se ausentar do esporte em 2020 certamente não foi fácil para ele, mas tem uma justificativa sólida.

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Desde o início da pandemia no Canadá, Laurent Duvernay-Tardif optou por voltar a atuar como Médico em um hospital de Montreal, auxiliando os companheiros de profissão no combate à Covid-19. Em um post publicado em suas redes sociais na última semana, o jogador informou a sua decisão de não atuar na nova temporada, logo após o acordo entre a NFL e a NFLPA  se tornar oficial.  Segundo o atleta, ele “não pode correr o risco de transmitir o vírus dentro de sua comunidade pelo simples fato de jogar o esporte que ama”. Tardif ainda considerou o seu posicionamento como “um dos mais difíceis de toda a sua carreira” e agradeceu ao Kansas City Chiefs por todo o apoio e compreensão durante o período que precedeu à decisão. Sem o seu Guard titular, a franquia assinou com o veterano Kelechi Osemele, jogador com passagens por Jets, Ravens e Raiders.

A expectativa da NFL é que poucos atletas sigam o caminho de Laurent Duvernay-Tardif e fiquem de fora da temporada por opção própria. Ainda assim, foi fundamental que a liga aprovasse a nova regra que permite ao jogador fazer esta escolha sem ser prejudicado no quesito financeiro e esportivo.  O acordo também deixa claro que o profissional que preferir não atuar em 2020 por conta da pandemia, só poderá retornar ao esporte na próxima temporada, o que também irá pesar muito sobre as decisões dos atletas. Além do fator opcional, a NFL também aprovou o pagamento de US$ 350.000 para os jogadores considerados grupos de risco por conta da pandemia e que, por questões médicas, forem impossibilitados de atuar ao longo do ano. A tendência é que esta complicação por conta do vírus também possa acabar desfalcando algumas franquias em um futuro próximo.

O jogador (Centro) com os companheiros de profissão, em Montreal (Reprodução/Twitter)

NFL ENFRENTARÁ GRANDES DESAFIOS EM 2020

As novas regras aprovadas pela liga por conta da Covid-19 e a opção de Laurent Duvernay-Tardif de não atuar em 2020, mostram como a NFL enfrentará grandes desafios ao longo do ano para que a temporada aconteça de forma completa.  Com todos os times retornando aos treinos nesta semana, a liga colocará a prova o protocolo de segurança planejado para o início do calendário, em setembro, testando os atletas diariamente e optando por não realizar os jogos de pré-temporada.

Além da obrigação de manter todos os profissionais ao redor do esporte seguros, a liga também precisará tomar uma decisão nos próximos dias sobre a presença, ou não, dos torcedores em partidas oficiais. Por enquanto, a NFL deu aos times a autonomia de decidir individualmente sobre o assunto e confirmou que, caso aconteçam jogos com público em 2020, todos os torcedores precisarão usar máscaras  nas arquibancadas.

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