segunda-feira, 29 de maio de 2017

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A série “Lendas da Liga” chega para mais uma edição e o personagem da vez é o quarterback Brett Favre. Assim, iremos nos aprofundar um pouco mais na carreira e nos feitos deste jogador que está presente no Hall da Fama e é detentor de diversos recordes da NFL.

O INÍCIO

Nascido em Gulfport e criado na pequena cidade de Kiln, ambas localizadas no estado do Mississippi, Brett Lorenzo Favre, assim como a maior parte dos atletas de alto nível, começou a se envolver com esportes desde a época do colégio, quando jogava futebol americano e beisebol. No primeiro, era treinado por seu pai na Hancock North Central High School. No esquema bolado por Irvin Favre, Brett atuava em uma série de funções, que incluíam QB, OL, SS, K e P.

Em 1987, foi recrutado pela Universidade de Southern Mississippi para jogar na secundária. No entanto, Favre desejava ser um quarterback. Após iniciar a temporada como apenas o sétimo QB no elenco, conseguiu uma oportunidade de entrar no campo no meio da terceira partida do campeonato.

Durante sua carreira universitária, Favre se envolveuem diversas situações complicadas. Na véspera de sua primeira ação pelo time, saiu com amigos e bebeu demais, chegando de ressaca para o jogo, inclusive vomitando no aquecimento. Mesmo assim, conseguiu comandar a equipe a uma virada no segundo tempo contra Tulane. Outro caso tenso ocorreu quando sofreu um acidente sério de carro, com o veículo capotando três vezes quando estava a caminho da casa dos pais durante as férias em 1990. A batida fez com que Favre precisasse remover um pedaço de cerca de 80 centímetros de seu intestino delgado.

A TROCA QUE MUDOU TUDO

Após quatro temporadas no campeonato universitário, rumou para a NFL. Favre foi selecionado pelo Atlanta Falcons com a escolha de número 33 no Draft de 1991. No entanto, seu primeiro ano como profissional não foi bem sucedido. Com seu treinador se recusando a colocá-lo em campo, Favre foi para o passe apenas em cinco oportunidades, com resultados desastrosos. Uma delas terminou em um sack e nenhuma das quatro tentativas efetuadas alcançou o recebedor desejado, com duas delas sendo interceptadas e uma retornada para touchdown.

Contudo, a carreira de Brett mudaria drasticamente de direção no ano seguinte. Isto aconteceu quando o então GM do Green Bay Packers, Ron Wolf, decidiu enviar a décima nona escolha do Draft de 1992 para o Falcons pelo quarterback, que era reserva na época. Este movimento alterou a história das franquias, com Favre jogando pelas próximas 16 temporadas como titular do Packers, enquanto o time de Atlanta teve 16 QBs iniciando partidas ao longo do mesmo período. Esta troca completou 25 anos em fevereiro de 2017 e é considerada um dos melhores movimentos de uma das equipes e um dos piores que a outra jamais fez.

Uma curiosidade sobre a troca diz respeito ao fato dos médicos do Packers terem encontrado um problema crônico no quadril de Favre, que foi diagnosticado com uma necrose avascular, mesma lesão que acabou com a carreira de Bo Jackson. Este fato seria o suficiente para anular a troca, mas Ron Wolf optou por ignorar a opinião do departamento médico e decidiu realizar a transação da mesma forma, o que se provou uma decisão correta.

O HOMEM DE FERRO

Favre começou sua carreira no Packers como reserva de Don Majkowski. Sua primeira ação veio no segundo jogo da temporada, quando o treinador Mike Holmgren decidiu tirar Majkowski da partida contra o Buccaneers, porém Favre não conseguiu mudar os rumos do jogo. Quando Don se lesionou na semana seguinte, Brett teve dificuldades, mas liderou o time a uma virada nos segundos finais.

Já a rodada seguinte marcou o início de uma era. No dia 27 de setembro de 1992, Favre teve seu primeiro jogo como titular na NFL e só teria uma nova partida sem receber o primeiro snap de seu ataque em 13 de dezembro de 2010. Foram 297 aparições consecutivas em temporada regular e 321 se os playoffs forem levados em consideração, ambos recordes da liga por larga margem.

A CARREIRA NO PACKERS

A partir do momento em que assumiu a titularidade, Favre se tornou uma estrela. Ele liderou o Packers a uma campanha de 9-7 em 1992, apenas a segunda temporada vitoriosa da franquia em dez anos. Além disso, comandou uma sequência de seis vitórias, a maior da franquia desde 1965. O time terminaria o campeonato fora dos playoffs, mas com um futuro promissor adiante, com Favre sendo selecionado pela primeira de onze vezes para o Pro Bowl.

As duas campanhas seguintes viram o time terminar com o mesmo retrospecto de 9-7, mas avançando para a pós-temporada. Entretanto, foi derrotado pelo Dallas Cowboys em ambas as oportunidades no Divisional Round. Esta foi a primeira vez desde que Vince Lombardi estava no comando da franquia que vagas consecutivas nos playoffs foram conquistadas.

Em 1995, Brett começou a entrar na história. Ele recebeu seu primeiro prêmio de MVP, ao comandar o Packers a uma campanha de 11-5, passando para mais de 4000 jardas (foram 4413) pela primeira vez na carreira, terminando a temporada com 38 touchdowns e um rating de 99,5. O time alcançou a final de conferência pela primeira vez desde 1967, mas caiu novamente para o Cowboys.

No ano seguinte, foram 13 vitórias e apenas 3 derrotas, com o time não encontrando o Cowboys dessa vez na pós-temporada, conseguindo avançar ao Super Bowl XXXI. Pela segunda vez, Favre foi eleito o MVP, após anotar 3899 jardas e 39 touchdowns (melhor marca da carreira) contra 13 interceptações. No Super Bowl XXXI, completou 14 de 27 passes para 2 TDs e 246 jardas, além de correr para mais uma pontuação, conduzindo o Packers ao seu terceiro título do Super Bowl em uma vitória por 35 a 21 sobre o New England Patriots.

Na temporada de 1997 se tornou o primeiro, e até agora único, jogador a levar três prêmios consecutivos de MVP. Mais uma vez, o Packers terminou o ano com retrospecto de 13-3 e avançando para o Super Bowl. No entanto, acabou derrotado pelo Denver Broncos liderado por John Elway e Terrell Davis pelo placar de 31 a 24. Esta sequência entre 1995 e 1997 foi o ápice de sucesso da carreira de Favre, que ainda continuou atuando em nível muito alto, levando o Packers aos playoffs diversas vezes ao longo dos anos seguintes, mas sem conseguir alcançar o Super Bowl novamente ou mesmo ganhar mais um troféu de MVP.

Em 2001, ele renovou por 10 anos com o Packers por um valor total próximo de 100 milhões de dólares. Já na temporada de 2005, pela primeira vez na era Favre, o time teve uma campanha de mais derrotas (12) que vitórias (4).

O JOGO DA VIDA

No dia 21 de dezembro de 2003, Irvin Favre, pai de Brett, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco. Entretanto, a tragédia familiar não impediu que o QB atuasse no Monday Night Football do dia seguinte, no qual o Packers visitou o Oakland Raiders. Flagrado chorando em campo, teve uma atuação digna de cinema, quando passou para quatro touchdowns, com todos vindo no primeiro tempo, completando quase 75% de seus lançamentos para 399 jardas. Ao término da partida, vencida por 41 a 7, foi aplaudido efusivamente pela feroz torcida adversária, em um sinal máximo de respeito pela exibição dominante em uma situação que demonstrou toda a força emocional de Favre.

Em uma entrevista quando saía de campo, Favre declarou: “Eu sabia que meu pai gostaria que eu jogasse. Eu o amo tanto e amo este esporte. Ele representou muito para mim, para meu pai, para minha família, e eu não esperava este tipo de desempenho. Mas eu sei que ele estava assistindo hoje à noite.” Depois do jogo, Brett compareceu ao funeral de seu pai.

Esta partida pode ser encontrada na íntegra no vídeo abaixo, disponibilizado pela NFL:

REESCREVENDO O LIVRO DOS RECORDES

A temporada de 2007 ficou marcada pelo retrospecto invicto do Patriots, mas Favre também escreveu seu nome na história durante aquele ano. Nele, quebrou diversos recordes da época (alguns já superados), como o de número de vitórias, touchdowns lançados, mais partidas com pelo menos três passes para TD e mais jardas aéreas em uma carreira. Além disso, ampliou sua marca de maior sequência de jogos de playoffs com pelo menos um passe para TD. Contudo, o Packers acabou sendo derrotado na final da NFC pelo New York Giants, que se tornaria campeão duas semanas depois.

AS (NÃO-)APOSENTADORIAS

Ao fim da campanha de 2007, muito se especulava sobre qual seria o futuro de Favre e se ele finalmente iria se aposentar. Em março de 2008, anunciou que estava encerrando sua carreira, declarando que sabia que ainda era capaz, mas que achava que não queria mais jogar. No entanto, em julho sua decisão já havia se alterado e pediu para ter seu contrato com o Packers rescindido. Após uma grande novela, foi trocado para o New York Jets por uma escolha condicional de quarta rodada no Draft de 2009.

A primeira e única temporada de Favre pelo Jets começou bem, incluindo uma partida na qual lançou para seis touchdowns. Porém, terminou o ano com 22 interceptações e igual número de passes para TD, não conseguindo levar o time para os playoffs. Com o fracasso em 2008, Favre decidiu comunicar à diretoria da franquia em fevereiro de 2009 que planejava se aposentar. Eventualmente, em maio, foi cortado pela equipe.

Três meses depois, lá estava ele de novo assinando um contrato com Minnesota Vikings, um dos rivais de divisão do Packers, para ser o titular da franquia em 2009. A mudança de ares parece ter rejuvenescido Favre, que teve uma temporada fantástica aos 40 anos, com o melhor rating de sua carreira (107,2), liderando o Vikings até a final da NFC, que saiu derrotado pelo New Orleans Saints. Após a eliminação, anunciou que retornaria para 2010, mas que esta seria sua última campanha como profissional.

O FIM

A temporada de 2010 serviu para que alcançasse algumas marcas importantes, se tornando o primeiro jogador a anotar 500 touchdowns de passe e 70 mil jardas aéreas. Sua incrível sequência de 321 jogos seguidos como titular teve fim quando sofreu uma lesão no ombro durante a semana 13 contra o Bills, que o impossibilitou de atuar na rodada seguinte. Favre ainda retornou para a décima quinta partida, mas teve uma concussão e não passou no protocolo da NFL. Assim, viu sua última ação em um campo como profissional.

No dia 17 de janeiro de 2011, entregou seus papéis de aposentadoria para a NFL, se afastando de vez do jogo. Em julho de 2015 foi introduzido no Hall da Fama do Green Bay Packers. No ano seguinte, foi selecionado como membro da Classe de 2016 do Hall da Fama do futebol americano. Apesar de ter recebido a ligação de alguns times perguntando sobre sua disponibilidade para retornar aos gramados, Favre finalmente parece ter se acostumado com a vida de aposentado.

Informações de Brett Favre na NFL (1991-2010)

  • 11 vezes escolhido para o Pro Bowl (1992, 1993, 1995, 1996, 1997, 2001, 2002, 2003, 2007, 2008 e 2009)
  • 1 vez campeão do Super Bowl (1996)
  • 3 vezes MVP (1995, 1996 e 1997)
  • 6 vezes All Pro, sendo as três iniciais no primeiro time e as outras no segundo (1995, 1996, 1997, 2001, 2002, 2007)
  • Membro do time da década de 1990
  • 1 vez eleito o Jogador Ofensivo do Ano (1995)
  • 71838 jardas aéreas e 508 touchdowns lançados
  • 6300 passes completos, 10169 tentados, 298 jogos como titular, com 297 consecutivos, 186 vitórias e 336 interceptações (todos recordes da NFL)
  • Primeiro QB a vencer todas as 32 franquias

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