sexta-feira, 14 de abril de 2017

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Frequentemente citado como um dos maiores recebedores da história da NFL, Randy Moss é o nosso personagem de hoje em mais um “Lendas da Liga”. Com passagens marcantes pelo Minnesota Vikings e New England Patriots, o futuro membro do Hall da Fama dominou todos os tipos de competições em que participou e ficou marcado na história como um dos mais dominantes a pisarem nos gramados da NFL.

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Randy Gene Moss nasceu no dia 13 de fevereiro de 1977 em Rand (West Virginia), filho de Randy Pratt e Maxine Moss. Frequentando a DuPoint High School, chamava atenção pelo seu talento no futebol americano como também no basquete, beisebol e atletismo. Foi duas vezes seguidas (1992 e 1993) campeão estadual no futebol americano brilhando na posição de WR, além de também atuar como Safety, retornador de chutes, Kicker e Punter. No basquete, foi escolhido duas vezes o melhor jogador estadual (1993 e 1994) jogando ao lado de Jason Williams, que futuramente jogaria na NBA. Na pista de atletismo, competiu em apenas 1992 aos 15 anos, vencendo o campeonato de West Virginia nos 100 e 200 metros rasos.

Perto de se formar em 1995, Randy Moss recebeu uma bolsa de Notre Dame. Lou Holtz, lendário técnico do time, chegou a declarar que o jogador era o mais talentoso que ele já tinha visto saindo do ensino médio. Após fechar os acordos para defender o “Fighting Irish”, Moss se envolveu em uma briga motivada por racismo que deixou uma pessoa hospitalizada, declarou-se culpado pelo crime de agressão e foi sentenciado a 30 dias na cadeia. Devido ao incidente, o atleta foi expulso de DuPont e acabou completando seu colegial na Cabell Alternative School. Além disso, o vínculo foi negado por Notre Dame, mas Holtz sugeriu que ele aceitasse a bolsa de Florida State, já que Bobby Bowden, técnico naquela época, tinha a reputação de saber lidar com jogadores com problemas extracampo.

CARREIRA UNIVERSITÁRIA

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Por ter originalmente aceitado a bolsa para Notre Dame, Randy Moss não pôde atuar durante a temporada de 1995 por ser considerado um estudante transferido pelas regras da NCAA. Contudo, não perdeu um ano de elegibilidade. No ano seguinte, ele foi flagrado no doping por uso de maconha e foi expulso de Florida State e ainda teve que servir uma sentença adicional mais 60 dias na cadeia.

Então, acabou se transferindo novamente, mas dessa vez para a Universidade de Marshall, que ficava próxima a sua casa. Como o time fazia parte da Division I-AA – equivalente à segunda divisão do College -, Moss não perdeu outro ano de elegibilidade. O “Thundering Herd” já possuía um dinâmico ataque com o QB Eric Kresser, transferido de Florida, e Doug Chapman correndo com a bola. Agora com uma jovem estrela na posição de WR, Marshall estava destinada a dominar.

O resultado não foi diferente e a equipe foi campeã da D-IAA sem perder um único jogo. Moss fez uma temporada histórica quebrando vários recordes, dentre eles: mais jogos com um TD marcado em uma temporada (14), mais jogos consecutivos com uma recepção para TD (13), igualou o recorde de Jerry Rice de mais TDs marcados em uma temporada (28) e estabeleceu um novo recorde de jardas recebidas por um calouro (1.709 jardas em 78 recepções). Ao fim do campeonato, foi escolhido pela primeira vez como All-American.

Em 1997, Marshall passou a fazer parte da D-IA – primeira divisão – e, liderados por Randy Moss e Chad Pennington, futuro QB do New York Jets, conquistou o título da Conferência Mid-American logo na primeira temporada na principal divisão universitária. Mesmo contra adversários melhores, o recebedor continuou dominando: foi nomeado pela segunda vez para o All-American Team e terminou o ano com 96 recepções para 1.820 jardas e 26 TDs, recorde da divisão naquela época. Ao fim da temporada, decidiu se declarar para o Draft, tendo terminado a carreira universitária com pelo menos um TD anotado nos 28 jogos que atuou. Recebeu o Fred Biletnikoff Award – dado ao melhor WR do país – e terminou em 4º na votação do Heisman Trophy, atrás de Ryan Leaf, Peyton Manning e do eventual vencedor Charles Woodson.

O DRAFT

Durante o processo de avaliação antes do evento, os problemas extracampo sempre vinham à tona. Ele era indiscutivelmente talentoso e tinha as características físicas ideais para a posição, mas a conturbada carreira levantava preocupações de vários times. Para piorar, não compareceu ao Combine e muitos acreditavam que a intenção era evitar o teste antidoping. Contudo, participou do Pro Day de Marshall e impressionou: pesando mais de 90 kg e medindo 1,93, Moss conseguiu marcas fantásticas na corrida de 40 jardas (4.25s) e no salto vertical, além de receber praticamente todos os passes. Jerry Jones, dono do Dallas Cowboys, chegou a afirmar que o jovem era o mais talentoso que já viu. O próprio Moss era torcedor da franquia desde pequeno e esperava que a dona da 8ª escolha geral o selecionasse.

Na noite do Draft, Randy Moss era cotado para sair no início da primeira rodada, mas acabou caindo porque muitos times não queriam se arriscar. Foi escolhido pelo Minnesota Vikings com a 21ª escolha geral, mas ficou particularmente frustrado com o Cowboys por não tê-lo escolhido após, segundo o próprio, terem afirmado que o fariam. Ele assinou um contrato com o Vikings de quatro anos e US$ 4,5M com mais US$ 4M em incentivos. Apesar de ter escolhido a camisa #18 durante, mudou para a #84 no início da pré-temporada.

INÍCIO AVASSALADOR

No Vikings, Moss acabou fazendo parte de um talentoso ataque que já contava com o QB Brad Johnson, o RB Robert Smith e os WRs Jake Reed e Cris Carter, este último um futuro membro do Hall da Fama. Mesmo em um setor “lotado”, conquistou seu espaço e brilhou logo em seu primeiro ano: Estabeleceu o recorde de TDs recebidos por um calouro (17) em uma temporada, marca acompanhada por 69 recepções e 1.313 jardas. Os feitos foram mais que suficientes para ele ser escolhido como “Offensive Rookie of the Year”, ser eleito para seu primeiro Pro Bowl e All-Pro Team.

A franquia de Minnesota terminou a temporada com 15 vitórias e apenas uma derrota, com destaque para o triunfo por 46 a 36 sobre o Dallas Cowboys na semana 13, onde Moss teve sua “vingança” e somou 163 jardas com 3 TDs em pleno estádio adversário. O ótimo ano do Vikings acabaria no final de conferência contra o Atlanta Falcons, onde a equipe foi derrotada por 30 a 27. Na temporada seguinte, Moss brilhou novamente e terminou a temporada com 80 recepções, 1.413 jardas e 11 TDs. Novamente o Vikings se classificou para a pós-temporada, chegando a vencer o Cowboys na primeira rodada, mas perdendo para o eventual campeão St. Louis Rams na final de conferência. Novamente foi selecionado para o Pro Bowl e estabeleceu o recorde de 212 jardas no evento.

Em 2000, Daunte Culpepper, escolha de primeira rodada do Draft, assumiu o posto de QB titular e mesmo em seu primeiro ano na função rapidamente entrou em sintonia com seu jovem recebedor. Ao fim do ano, Randy Moss era um dos candidatos ao prêmio de MVP após acumular 1.437 jardas – maior marca da carreira até então – e 15 TDs. Também se tornou o jogador mais jovem a passar das 3.000 jardas recebidas e 45 TDs. O Vikings acabou perdendo na final de conferência pela terceira vez seguida, mas Moss foi selecionado para seu terceiro Pro Bowl consecutivo e pela segunda vez ao All-Pro Team.

Na temporada de 2001, Moss entrou no último ano de seu contrato e as negociações para uma renovação começaram. Após longas conversas com a franquia, chegaram a um acordo de 8 anos e US$ 75M, com direito a US$ 10M de bônus de assinatura e US$ 8M garantidos, valores astronômicos na época. No mesmo ano,  atleta passou novamente das 1.000 jardas recebidas e conseguiu 10 TDs, mas viu seu time ficar de fora da pós-temporada pela primeira vez na carreira não foi selecionado para o Pro Bowl.

No ano seguinte, o novo técnico Mike Tice sentiu que era necessário envolver ainda mais o recebedor no jogo ofensivo e estabeleceu a meta de lançar 40% dos passes na direção de Moss, em um estratégia chamada como “Randy Ratio”. No fim da temporada, a estratégia de fato envolveu mais o jogador nas partidas como uma resposta a forte marcação recebida, mas foi insuficiente para o sucesso do time que terminou com 6 vitórias e 10 derrotas. Curiosamente, nas partidas em que Moss recebeu 40% ou mais dos passes, o Vikings venceu quatro vezes e perdeu apenas uma. O WR terminou o ano com 106 recepções, 1.347 jardas e 7 TDs, sendo novamente selecionado para o Pro Bowl.

Em 2003, Minnesota teve uma campanha melhor do que a do ano anterior, mas ficou fora da pós-temporada mais uma vez. Contudo, Randy Moss teve até então a melhor temporada da carreira com 111 recepções, 1.632 jardas e igualou o número de TDs de sua temporada de calouro com 17. Se tornou o segundo jogador a acumular médias de mais 100 jardas por partida e 1 TD, além de ter sido escolhido para o Pro Bowl e selecionado pela terceira vez para o All-Pro Team.

No que seria sua última temporada pelo time de Minnesota, Moss teve um ótimo começo recebendo 8 TDs nos primeiros 5 jogos, mas uma lesão no músculo posterior da coxa atrapalhou o resto do seu ano. Terminou com 49 recepções e pela primeira vez não passou das 1.000 jardas recebidas em uma temporada, ficando apenas com 767 jardas, apesar de ter conseguido 13 TDs nas 13 partidas em que atuou. Em 2005, foi trocado para o Oakland Raiders, mas novamente sofreu com lesões e só passou das 1.000 jardas recebidas na primeira de suas duas temporadas com a franquia.

RESSURGIMENTO COM O PATRIOTS

Na reta final da temporada 2006-07, Moss estava visivelmente insatisfeito em Oakland, chegando a admitir que não estava suficientemente motivado em jogar pela franquia. Antes do Draft de 2007, Packers e Patriots declaram interesse em adquirir o jogador através de uma troca e, durante o primeiro dia do evento, representantes da franquia de New England passaram horas discutindo os termos da transação e posteriormente o jogador foi trocado por uma escolha de quarta rodada.

Em sua primeira atuação com a camisa do Patriots, Randy Moss teve 9 recepções para 181 jardas e um TD, dando início a uma histórica temporada na franquia. Na última rodada da temporada regular contra o Giants, a equipe triunfou sobre o Giants por 38 a 35 e terminou a temporada com 16 vitórias e nenhuma derrota. Com 2 TDs na partida, Moss chegou ao total de 23 no ano e quebrou o recorde de Jerry Rice de mais TDs marcados em uma única temporada na história da NFL. Ainda acumulou 98 recepções no ano e 1.493 jardas, foi selecionado para seu 6º Pro Bowl e pela 4ª vez para o All-Pro Team. Depois de continuar dominante na pós-temporada, o Patriots era franco favorito ao título contra o New York Giants no Super Bowl XLII, mas acabou sendo derrotado por 17 a 14, colocando um doloroso ponto final na histórica campanha da franquia.

Em 2008, Moss se tornou Free Agent, mas acertou uma renovação com o Patriots no valor de US$ 27M e duração de 3 anos. Na primeira partida da franquia, Tom Brady rompeu os ligamentos do joelho e acabou sendo substituído por Matt Cassel até o fim da temporada. Mesmo com o reserva comandando o ataque, Moss conseguiu 69 recepções, 1.008 jardas e 11 TDs, mas o Patriots não venceu a divisão.

No ano seguinte, com Brady de volta, o recebedor continuou atuando em alto nível com direito a recorde pessoal de 12 recepções na vitória sobre o Bills na primeira semana. Durante a temporada, Bill Belichick chegou a afirmar que Moss estava no mesmo patamar de Tom Brady e Lawrence Taylor como jogadores mais inteligentes com quem já trabalhou. Ao fim da temporada, acumulou 1.264 jardas, 83 recepções e 13 TDs, além de voltar a pós-temporada com o time.

RETA FINAL DA CARREIRA

Em 2010, entrou em seu último ano de contrato e não tinha certeza se gostaria de continuar jogando pelo Patriots. Após o primeiro jogo contra o Bengals, disse que seria a última temporada dele pela franquia. Antes da metade da temporada, retornou ao Minnesota Vikings em uma troca. Contudo, o retorno à sua antiga franquia não durou muito e, menos de quatro semanas após ser trocado, foi cortado pelo Vikings a pedido do técnico Brad Childress. O motivo foram as críticas publicas feitas ao treinador e a alguns companheiros após a derrota sofrida para o Patriots. Foi pego pelo Tennessee Titans em novembro e ainda atuou em 8 partidas pelo time, mas sem grande destaque. Terminou a temporada com 28 recepções e 393 jardas e 5 TDs, todas piores marcas da carreira.

Depois de anunciar sua aposentadoria, voltou a NFL em 2012 para jogar pelo San Francisco 49ers e, aos 35 anos, somou 28 recepções para 434 jardas e 3 TDs, ultrapassando Terrell Owens e se tornando o segundo jogador com mais recepções para TDs na história da NFL (156), atrás apenas de Jerry Rice. A equipe ainda chegou ao Super Bowl XLVII, mas perdeu para o Baltimore Ravens por 34 a 31.

APOSENTADORIA

No fim da temporada, Randy Moss anunciou sua aposentadoria definitiva dos gramados, colocando um fim em uma carreira histórica e sendo considerado por muitos o 2º melhor recebedor de todos os tempos. Foram 982 recepções, 15.292 jardas recebidas e 156 TDs em 14 temporadas entre os profissionais. Logo após pendurar as chuteiras, foi contratado pela Fox Sports como analista no programa “Fox Football Daily Show” e em 2016 passou a trabalhar na ESPN também na cobertura da NFL. No campo da filantropia, Moss também é bastante ativo, financiando e fundando vários empreendimentos beneficentes desde que entrou na NFL, principalmente os que cuidam de crianças.

Informações de Randy Moss na NFL (1998-2012):

  • 6 vezes escolhido para o Pro Bowl (1998, 1999, 2000, 2002, 2003 e 2007)
  • 4 vezes escolhido para o All-Pro Team (1998, 2000, 2003 e 2007)
  • 5 vezes líder da NFL em TDs recebidos (1998, 2000, 2003, 2007 e 2009)
  • “Offensive Rookie of the Year” (1998)
  • 982 recepções, 15.292 jardas (3º na história) e 156 TDs (2º na história)
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