segunda-feira, 11 de março de 2019

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As negociações contratuais entre as estrelas da NFL e seus respectivos times tomaram outros rumos nos últimos anos. Tensões entre ambos os lados em outras frentes a não ser o esporte levam a crer que acordos bons para ambas as partes estão ficando no passado, e a franchise-tag é a denominação exata do atrito existente entre a NFL e a NFLPA, ou simplesmente o sindicato dos jogadores. Negligenciar um longo e lucrativo contrato e ao mesmo tempo prender o jogador à poucas alternativas a não ser se arriscar e assinar um contrato válido por uma única temporada tem sido quase uma ofensa aos atletas – as últimas situações nos mostraram isto, e parece ser um caminho sem volta.

Para os jogadores, a franchise-tag nunca foi a primeira opção. Mas a oportunidade de evitar que um atleta se torne um free agent irrestrito, garantido a ele um contrato relativamente lucrativo por uma temporada sempre foi uma ótima alternativa para as equipes que não conseguiam renovar com seus jogadores por longos períodos. Mas a relação entre a tag e os atletas que precisam conviver com o risco diário de ter a carreira abruptamente transformada a cada snap sempre assustou, e agora os jogadores parecem ter se dado conta que há algum poder em suas mãos.

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Os citados atletas parecem ter dado início a uma fase na negociação da franchise-tag, o que pode levar à uma mudança completa de paradigma em 2021, quando o acordo trabalhista em vigor terminará, e a NFL e a NFLPA se reunirão para um novo acordo válido pelos próximos dez anos. Isto faz com que cada vez mais as franquias pensem melhor antes de embarcar na onda da tag, o que antigamente não era o caso.

Antes sem muitas alternativas na negociação a não ser assinar a tag lá pelos meses de Julho ou Agosto – que antecedem os treinamentos da pré-temporada, vemos um movimento bastante singular na história da NFL: atletas estão se recusando a assinar contratos válidos por vários anos e em vez disso assumem o risco de atuaram anualmente com os valores pré-estabelecidos que este artefato garanto às franquias. Exemplos como os do Quarterback Kirk Cousins e do Cornerback Trumaine johnson são de grande valia nesta linha de pensamento: ambos assumiram o risco e atuaram por duas temporadas consecutivas sobre a tag – o que na essência são dois anos de contratos totalmente garantidos e muito acima da média anual que os longos vínculos normalmente trazem, para capitalizar sobre a situação na terceira temporada e conseguindo grandes e lucrativos contratos com outras franquias.

Isto ocorre pois, do modo que foi costurado o acordo da franchise-tag na última CBA, a terceira vez que uma equipe a aplica no mesmo atleta é virtualmente inviável, pois equipara o atleta à tag dos Quarterbacks (historicamente a posição mais bem paga) ou simplesmente 44% do antigo valor – aquilo que for mais alto.

O RB Le’Veon Bell por sua vez, levou a disputa a um novo nível quando simplesmente não apenas se recusou a assinar a segunda franchise-tag mas como também não se apresentou ao seu time (o Pittsburgh Steelers) em nenhum momento na última temporada. Como ele já havia atuado sobre a tag na temporada de 2017, o Steelers ficou sem ter o que fazer a não ser liberar sua principal arma ofensiva sem nenhum tipo de restrição – Bell será um free agent irrestrito à partir da quarta-feira e negociará com qualquer equipe de sua escolha.

Dos outros jogadores que dão nome à este texto é esperado um desfecho parecido. Para o DE DeMarcus Lawrence, do Dallas Cowboys, a temporada de 2019 representaria a segunda consecutiva sobre o artifício dos times para renovar com o atleta, ou seja, para atuar na próxima temporada sob a tag denota-se que em 2020 ele virtualmente estaria livre para assinar com qualquer outra equipe, vide a eminente renovação da franquia com o Quarterback Dak Prescott, o que deve “comer” boa parte do combalido espaço no teto salarial da franquia texana. O DE Frank Clark (Seattle Seahawks) também pode ir pelo mesmo caminho: ao receber a tag pela primeira vez, o ótimo defensor já declarou que fará jogo duro na renovação contratual a não ser que o Seahawks apresente na mesa de negociação os milhões garantidos ao longo de várias temporadas que ele julga merecer.

Claro, este cenário parte do princípio que time e jogador falhem enquanto negociam uma extensão contratual – e que as equipes se contentem em contar com um atleta de elite em um contrato “de aluguel” tendo em vista que a sucesso de franchise-tags aplicadas à eles se torna inviável a partir do terceiro ano. Com isto em mente, devemos ter mais exemplos desta situação no futuro próximo, mesmo se a torcida e a própria comissão técnica pressionar o atleta à se reapresentar e jogar.

Antes uma espécie de segurança até o novo contrato ser assinado, a franchise-tag se transformou nos últimos anos em motivo de disputa entre equipes e jogadores. A equipe, ao simplesmente negligenciar a oportunidade de um atleta ir para a free agency e assim se aproveitar do pandemônio gerado pela lei de oferta e procura e garantir seus milhões de dólares por várias temporadas prende um jogador à um contrato válido de uma temporada, então, mesmo que após um bom tempo, os jogadores perceberam que podem manejar a situação à seus desejos – claro, tendo o risco eminente de uma lesão a qualquer momento neste esporte pautado pelo contato, mas de certa forma é uma artimanha encontrada até que o novo acordo seja assinado, com a expectativa deste que voz fala de que as equipes simplesmente abram mão deste artifício nas mesas de negociação.

Quando mais ela continuar a ser usada nas duas próximas temporadas, mais e mais os jogadores pensarão duas vezes antes de assinar e mais ainda as franquias ficarão em dúvidas sobre aplicar ou não.

A franchise-tag perdeu todo o caráter de segurança e garantia que parecia ter ao simplesmente servir como artifício para garantir que o atleta não se reúna com qualquer outra equipe enquanto negocia todos os termos de seus novos vencimentos com a franquia que detém os direitos contratuais sobre eles. Neste cenário de insegurança das equipes e insatisfação dos jogadores, não vejo um futuro muito grande para a franchise-tag.

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