sexta-feira, 16 de novembro de 2018

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Já é sexta-feira, então chegou a hora de mais uma mesa redonda aqui na Liga dos 32. Confira nossos redatores comentando alguns dos assuntos mais relevantes que tomam conta da semana e mesmo da agitada temporada regular da NFL. Boa leitura!

Participantes desta semana:

Lucas Teixeira (redator) – Twitter: @lucas_drc
Diego Alex (redator) – Twitter: @diego_alex84

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O Green Bay Packers está em situação delicadíssima na temporada regular de 2018. Com um gerente geral que foi agressivo na free agency buscando os melhores veteranos disponíveis – coisa que a antiga direção praticamente se recusava a fazer, muitos creditavam o Packers como o candidato ao melhor recorde da conferência nesta altura da temporada. Contudo, estamos na semana 11 e a equipe tem o modestíssimo recorde de 4-5-1 e uma classificação para os playoffs – algo redundante nas temporadas anteriores, já se aproxima de uma utopia para os cabeças de queijo em 2018. Talvez o grande culpado seja Mike McCarthy, o técnico que simplesmente não consegue tirar o melhor desempenho do talvez mais talentosos jogador em atividade, o Quarterback Aaron Rodgers. McCarthy simplesmente parece irredutível na montagem de seu plano de jogo, quase que se recusando a confiar a bola do jogo em seu Quarterback da franquia, o que é inacreditável. Você vê algum cenário em que o HC retornaria para o Packers em 2019, mesmo com uma milagrosa classificação para os playoffs? É hora de uma mudança de ares no comando geral de Green Bay?

Lucas Teixeira (redator): É notório que McCarthy está prejudicando o desempenho do seu time. A impressão é que ele ainda comanda o ataque como nos tempos do Super Bowl XLV, quando na verdade os ataques se tornaram muito mais dinâmicos desde então, e seu sistema ficou defasado. Eu também penso que Brian Gutekunst vai querer um técnico escolhido por ele mesmo, até para se distinguir do trabalho de Ted Thompson, seu antecessor. O único cenário em que talvez McCarthy mantivesse seu prestígio seria se os jogadores (especialmente Rodgers) intercedessem por ele, talvez por já estarem familiarizados com os métodos de trabalho. Mas mesmo assim, também acho difícil que isso aconteça. E também não seria bom, eu creio. Rodgers provavelmente assinou seu último grande contrato no meio do ano, e a franquia não pode desperdiça-lo de maneira alguma. Tem de haver um senso de urgência para ganhar mais títulos, e a chance disso acontecer sem uma mudança de técnico é muito pequena.

Diego Alex (redator): Eu creio que o momento da mudança é agora, porém não vejo ela acontecendo caso o milagre da classificação aos playoffs ocorra. Caso fosse o GM, mudaria até com a classificação, mas não vejo isto ocorrendo. A sensação é que McCarthy não só não explora todo o potencial de Rodgers como também o limita em diversos momentos. Fazendo uma analogia simples, é como se você colocasse um grande piloto de fórmula 1 para guiar um carro 1.0 e ainda em um percurso pré- determinado.

O Los Angeles Rams caminha a passos largos para a conquista da 1ª posição no chaveamento de playoffs da NFC (e com isso ser mandante em todas as partidas na pós-temporada) mas será que isto é realmente uma vantagem para a equipe? Talvez a resposta seja não, e por motivos bastante específicos: Los Angeles é uma cidade que recebe milhões de visitantes todos os anos – de diversas partes do mundo. Muitos não simpatizam por nenhuma equipe de futebol americano mas querem simplesmente viver a experiência de estar em um lendário estádio como o Coliseu – palco de duas aberturas de Jogos Olímpicos e vão lá simplesmente para acompanhar as partidas. Além de que, com uma cidade órfã por vinte anos de uma franquia da NFL, é comum que a massa de moradores da cidade crie simpatias por outras equipes, já que não havia nenhuma em sua cidade. Talvez sejam necessários mais vinte anos para reverter este cenários mas, para você, até que ponto estas duas situações pode prejudicar o Rams em sua caminhada nos playoffs?

Lucas Teixeira (redator): Sem dúvida atrapalha. Jogar com uma atmosfera favorável é sempre um plus, especialmente no futebol americano em que o barulho da torcida costuma fazer o adversário cometer faltas antes do snap ou não se comunicar corretamente durante o huddle. Isso é algo que só vai mudar com o tempo, e é um ônus inevitável da mudança de cidade. Mas é evidente também que é melhor jogar em uma atmosfera neutra do que em uma hostil como visitante. A equipe já está calejada pela derrota diante do Falcons no ano passado e, por mais que a situação do Coliseu não ajude, também não penso que será um fator preponderante.

Diego Alex (redator): O ideal obviamente é que a equipe tenha uma torcida e esta seja um fator positivo para a equipe. No entanto, eu não acho que isto chegue ao ponto de prejudicar, isto pode, no máximo, deixar o jogo em um campo neutro. E olhando a capacidade do time, isto não deve mudar em nada. Na real, a grande vantagem seria não jogar na casa do adversário, principalmente em locais complicadíssimos aos visitantes como New Orleans ou Seattle, por exemplo.

Já comentamos na segunda-feira sobre o quão perigoso o Los Angeles Chargers é para o restante da AFC. Com um elenco vasto em praticamente todas as posições – ou ao menos nas mais importantes, a equipe tem ficado longe de erros fúteis que custaram diversas partidas nas últimas temporada – principalmente no que diz respeito à posição de Kicker. Mesmo que com alguma emoção, o Chargers vem vencendo seus jogos e são o melhor time da NFL que ninguém fala a respeito. Agora, com a volta do DE Joey Bosa, que ao que tudo indica deve ao menos participar de algumas jogadas na próxima partida, a já boa defesa tem tudo para ser espetacular. Podemos colocar o Chargers como uma das três principais forças da AFC ou times como Chiefs, Steelers e mesmo o Patriots ainda estão um passo à frente do time comandado pelo veterano QB Philip Rivers?

Lucas Teixeira (redator): Eu tenho um pé atrás com o Chargers por causa da lesão do LB Denzel Perryman. Óbvio que o retorno de Bosa vai ajudar muito, mas se tratam de posições diferentes. Perryman vinha sendo peça chave tanto no suporte contra o jogo corrido quanto na cobertura, e quero ver como a defesa vai lidar com sua ausência antes de coloca-los no mesmo patamar de Chiefs e Patriots.

Diego Alex (redator): O Chiefs pode estar um degrau acima pelo fator Mahomes. Porém, o Chargers não deve nada aos outros times da AFC citados. E se olharmos o elenco como um todo, principalmente considerando a defesa completa, o Chargers está, na pior das hipóteses, em igualdade de talento até mesmo com o Chiefs. Logo, eu não me surpreenderia ao ver o Chargers na final da AFC nesta temporada.

O Cleveland Browns estará em busca de um novo treinador para a temporada de 2019. Ao contrário dos outros anos – em que a indefinição do elenco e principalmente a falta de um Quarterback reinava em Ohio, a equipe parece finalmente ter um bom núcleo de jovens talentos e mais, o QB Baker Mayfield vem sendo tudo o que se espera de um atleta recrutado com a 1ª escolha geral do Draft. O GM da equipe John Dorsey deu uma declaração bastante interessante sobre a busca pelo novo técnico principal: ele olhará para ambos os sexos na busca pelo(a) nova(a) comandante. Guardadas as devidas proporções, é um grande avanço o fato de um gerente geral declarar publicamente que não teria medo de contratar uma mulher para o cargo mais importante de um esporte majoritariamente dominado pelos homens. Com o aumento de mulheres nos cargos administrativos (e mesmo na situação de proprietárias) em algumas franquias –  Kim Pegula no Bills, Dee Haslam no próprio Browns, Amy Adams Strunk no Titans, Martha Firestone no Lions, Gayle Benson no Saints e mesmo Carlie Irsay-Gordon no Colts, talvez o futuro nos reserva em breve uma HC mulher na NFL, o que é ótimo para o esporte. Para você, tal cenário está a uma década ou menos de distância?

Lucas Teixeira (redator): Infelizmente não. Os avanços são notórios, mas ainda existe muito preconceito, tanto explícito quanto velado, e especialmente no meio da NFL – notoriamente conservador – as coisas caminham de uma maneira mais lenta.

Diego Alex (redator): Eu acho sensacional esta possibilidade! As pessoas deveriam ser consideradas para os cargos exclusivamente por sua capacidade, sem qualquer favorecimento e sem qualquer preconceito por questões alheias a capacidade profissional. Acredito que a declaração de Dorsey por si só já represente um avanço. Em relação ao tempo, é difícil afirmar, mas acredito que está mais próximo do que muitos imaginam.


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