sexta-feira, 30 de novembro de 2018

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Um quarterback titular perder seu posto para o reserva durante a temporada, mesmo sendo uma situação relativamente incomum, pode acontecer. Em casos de lesão do titular a situação se torna mais recorrente, com alguns bons exemplos na história da liga: Tom Brady assumindo o posto no lugar de Drew Bledsoe, Colin Kaepernick tomando a posição de Alex Smith, Joe Montana sendo substituído por Steve Young, Drew Brees perdendo espaço para Philip Rivers. Se isso vai dar certo como no caso de Brady ou de Young (e o absurdo de ir de um Hall da Fama para outro), ou horrivelmente errado, só o tempo dirá. Mas quando existe no banco alguém promissor e o titular não está mais rendendo (e você não sabe como se desfazer dele) essa pode ser a oportunidade perfeita para uma mudança.

O Ravens vive essa situação no momento. Lamar Jackson foi selecionado com a última escolha da primeira rodada do Draft deste ano já com o intuito de ser o futuro da franquia. A ideia, em um primeiro momento, seria ter Joe Flacco (33 anos de idade e com contrato até 2021) jogando por mais uma ou duas temporadas, enquanto Jackson adquirisse experiência sob a tutela do titular para só depois assumir o manto. Mas a lesão de Flacco na semana 9 contra o Pittsburgh Steelers alterou um pouco estes planos. Jackson assumiu a titularidade e liderou o time em 2 vitórias. Agora, com Flacco de volta aos treinos, John Harbaugh tem uma decisão difícil em suas mãos.

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Individualmente falando, Flacco não vinha muito bem nesta temporada. Antes de sua lesão lançou para 2.465 jardas, completando 61,9% dos passes com 12 touchdowns, 6 interceptações e média de 6,5 jardas por passe tendado (terceira pior marca na liga). Além disso, o atleta tem um dos piores passer ratings entre QBs titulares com 84,2. O ataque vinha na mesma ótica. Completamente voltado para passes e absurdamente previsível, tinha o jogo corrido deficiente, rankeando como 27º na liga até a lesão de Flacco. Além disso, foram 3 derrotas consecutivas, para Saints, Panthers e o rival de divisão Steelers. Na semana 9, o time se encontrava com campanha 4-5 e com as chances de playoffs baixas.

Lamar Jackson não tem números que impressionam em seus 2 jogos como titular, longe disso. Foram apenas 164 jardas lançadas de média em suas duas partidas, aproveitando 62,2% de seus passes e tendo 1 TD e 3 INTs. Porém seu valor vem com o que ele pode oferecer além do jogo aéreo. A mobilidade do quarterback trouxe mais dinamismo para o ataque do Ravens. Só ele correu para 190 jardas e 1 TDs nessas 2 partidas, colocando sucessivamente a defesa adversária em cheque e reduzindo a previsibilidade das jogadas. A melhora do ataque fica visível especialmente no jogo corrido: o time subiu da 27º posição na liga para a 11ª posição após esses 2 jogos. Foram 509 jardas pelo chão ganhas nessas duas semanas sob a liderança do calouro. O running back Gus Edwards se aproveitou da mudança e formou uma dupla poderosa com Jackson, tendo mais de 115 jardas nas semanas 11 e 12.

Um jogo corrido eficiente faz com que o relógio corra melhor, o que obviamente reflete no tempo do ataque em campo: mais de 34 e 38 minutos nas partidas contra Raiders e Bengals consecutivamente. E como sabemos, com o ataque mais tempo em campo a defesa tem mais tempo para descansar, o que tende a melhorar também o seu desempenho. Pegando o próximo confronto, que será contra o ataque explosivo do Atlanta Falcons liderado por Matt Ryan, ter uma defesa “inteira” pode fazer toda a diferença. E se o jogo aéreo ainda não está o desejado, a tendência disso é de melhorar a medida que Jackson pegue tempo de jogo. Afinal ele ainda está em seu primeiro ano na liga, tem apenas duas partidas como titular e ainda tem muito a amadurecer.

O Ravens recebeu na lesão de Flacco a oportunidade perfeita para adiantar o que teoricamente seria o projeto para o futuro. Os adversários enfrentados eram fracos? Sim. Mas o time venceu. E venceu com o ataque jogando melhor, com mais posse de bola e com um playbook muito menos previsível. As chances do Ravens de ir a um Super Bowl são praticamente inexistentes, mas a pós-temporada parece mais viável agora. Jackson é o futuro da franquia e é em seu desenvolvimento que deve ser feita a aposta.


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