terça-feira, 13 de junho de 2017

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Dentro de campo, o Futebol Americano é extremamente estratégico e imprevisível, com atletas excepcionais que tornam o espetáculo ainda mais fascinante. Além disto, as histórias que envolvem os jogadores fora dos campos, por vezes, são ainda mais interessantes. Uma das histórias mais fantásticas da NFL atualmente é a vida de Michael Oher. O OT do Panthers deveria estar sempre em campo, pois a sua importância vai além de sua contribuição nos gramados. Michael é, acima de tudo, um símbolo. Dito isto, o título deste texto pode parecer uma contradição, todavia não é o caso.

Para quem não conhece a história de Oher, vale muito a pena assistir o filme: “The Blind Side” (Traduzido no Brasil como “Um Sonho Possível”). Resumidamente, ele era um garoto que vivia pelas ruas, filho de uma mãe viciada em crack e de um pai presidiário. De forma semelhante a um milagre, o jovem é adotado por uma família rica. Apesar de Michael não gostar muito do filme, pois, segundo ele, dentre outros fatores, o longa o retrata menos inteligente do que a realidade. O roteiro é bem fiel em relatar a vida do garoto, de sua criação nas ruas, até a sua escolha na primeira rodada do draft 2009, pelo Ravens. Em 2012, Oher lançou um livro em que conta mais detalhes de sua infância, e também comenta as partes do filme que não o agradaram. De toda forma, em relação a esta mudança de vida, do menor abandonado ao jogador da NFL, o filme é bem preciso.

Em campo, Michael Oher foi um jogador seguro na NFL. Neste texto, comentávamos como ele poderia ser importante para a OL do Panthers em 2017. Alguns críticos consideram o jogador supervalorizado. Sobre isto, podemos aformar que, certamente, Michael não faz parte da elite dos OTs da NFL, no entanto, está bem longe de ser um jogador ruim. Um jogador que, até o momento, disputou 110 jogos na liga (todos como titular), evidentemente tem qualidades. Além disto, o jogador chegou a dois Super Bowls (sendo campeão com o Ravens), se mantém ativo em uma liga extremamente competitiva, e que recebe uma enxurrada de talento todos os anos via draft.

Considerando que sua vida fora dos campos é (literalmente) digna de um belo roteiro de cinema, e que, em campo, ele é um bom jogador, por que o texto sugere que Oher se aposente? Esta é a parte ruim da história.

Michael sofreu uma concussão na semana 3 da última temporada e não retornou mais aos gramados. O jogador foi colocado no protocolo de concussão, mas, diferente do que ocorre na maioria dos casos, não foi liberado após algumas semanas para retornar as atividades. O OT está até hoje proibido de voltar aos campos. Na última semana, Oher publicou uma foto em suas redes sociais de uma série de potes de remédios, e na legenda o jogador dizia que eram todos para o seu cérebro. Um pouco depois, o atleta apagou a foto. As lesões cerebrais, as conhecidas concussões, são ainda cercadas de muito desconhecimento, por mais que a NFL tenha evoluído neste sentido e o protocolo (apesar de longe do ideal) seja importante, ainda existe um grande mistério sobre as consequências destas lesões.

Recentemente, alguns jogadores, ainda jovens, decidiram aposentar-se da NFL por receio do que possa ocorrer no futuro. Na postagem de Oher, o ex-companheiro do atleta, Eugene Monroe, comentou que continua lidando com problemas por causa das concussões que sofreu, mesmo após aposentado. Dave Gettleman, GM do Panthers, declarou não saber o que a postagem de Michael pode representar: “Independentemente de Michael ter publicado esta foto ou não, meu principal interesse é a saúde dele”. Dave disse que teve um encontro com Oher, em maio, porém alguns dias após esta reunião, a comunicação entre eles parou. Entre os dias 13 e 15 de junho, o Panthers terá o seu Minicamp obrigatório, a presença do OT é incerta, porém alguns veículos de informação acreditam que o jogador se apresentará para as atividades.

Saúde precisa ser sempre a prioridade, e no caso de um atleta como Michael, ainda mais, visto que ele já está realizado profissionalmente. Dois trechos de seu livro são bem interessantes em relação a forma como o OT enxerga algumas coisas. No primeiro, o atleta diz que entendeu que a sua grande missão nesta vida não era ser um jogador profissional, mas ser um exemplo a todas as crianças que, como ele, passaram as necessidades que Oher conhece bem. Em outro ponto, o jogador do Panthers afirma sentir-se mais orgulhoso de ter sido um aluno, que no ensino médio, tirava notas “A”, do que de ter sido escolhido na primeira rodada do draft. Estas duas declarações, transmitem muito de quem é Michael e, baseado nelas, seria bem plausível considerar que ele nunca mais voltará a atuar na NFL.

De toda forma, a vontade de jogar e o amor pelo esporte podem ser bem fortes. Desejos que podem levar Oher a tentar um retorno aos campos. Obviamente, não temos conhecimento médico, porém um atleta que fica tanto tempo no protocolo de concussão, e ainda tomando esta quantidade de remédios, não parece ter tido um problema simples. Sendo assim, não parece prudente, do ponto de vista de sua saúde, retornar a liga e se expor ao risco de uma nova lesão. O OT já cumpriu sua missão, inspirou milhares de crianças, e ainda realizou seus sonhos. Portanto, seria um ótimo momento para pensar em parar.

Seja em sua vida pessoal, ou em sua carreira na NFL, Michael Oher já protegeu muita gente: Seus pais, irmãos, amigos, Joe Flacco, Cam Newton, dentre outros; entretanto, chegou a hora de proteger a si mesmo.


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