sexta-feira, 26 de maio de 2017

Compartilhe

Grandes ataques geralmente possuem, dentre outras coisas, uma dupla potente formada pelo QB e o seu principal recebedor. Historicamente podemos citar a dupla Joe Montana e Jerry Rice, talvez a maior de todas, que foi tema deste belo texto. Atualmente, algumas se destacam: Big Ben e Antonio Brown, Aaron Rodgers e Jordy Nelson, Matt Ryan e Julio Jones, Brady e Gronkowski, dentre outras. No Draft de 2016, o Saints selecionou o WR Michael Thomas, e, com esta escolha, formou uma nova dupla, que tem tudo para ser um das mais perigosas da NFL nos próximos anos.

A qualidade de Drew Brees é inquestionável e já falamos sobre ele aqui. O QB é daqueles jogadores que, além da capacidade individual espetacular, consegue elevar o jogo de quem atua ao seu lado. Com o jovem e talentoso Michael Thomas não foi diferente, como também havia ocorrido com tantos outros, inclusive o também WR, Brandin Cooks, trocado com o Patriots nesta offseason.

Thomas foi apenas o sexto WR escolhido no draft 2016, porém liderou os calouros em recepções (92), jardas (1137) e TDs (9). Alguns fatores apontados sobre Michael no período pré-Draft podem explicar o motivo da queda até a 2ª rodada e, principalmente, porque cinco jogadores de sua posição foram selecionados antes do talentoso produto de Ohio State. Um destes questionamentos seria a passividade que o atleta demonstrava em alguns lances, faltando mais empenho e agressividade para vencer em bolas divididas contra os marcadores. Outro ponto que pode ter influenciado são as estatísticas, que, apesar de não terem sido ruins, também estão longe de impressionar. Thomas teve em 2014 seu melhor ano, onde acumulou 799 jardas e 9 TDs. Os números realmente não empolgam, mas o esquema de Ohio State e a incerteza na posição de QB, com certeza tiveram seu impacto.

Com a saída de Marques Colston, o Saints precisava de um WR com características parecidas, um alvo confiável em red zone, um jogador mais alto e que pudesse disputar as bolas mais difíceis pelo alto com os CBs adversários. Thomas se mostrou o jogador ideal para todas estas funções. Pouco antes do início da última temporada, Sean Payton, técnico da equipe, brincou dizendo que, se jogasse fantasy, iria querer ter o WR em seu time. A sugestão se provou muito interessante, pois Thomas conseguiu ser relevante no ataque do Saints e se consolidou como o principal WR do time ao longo do campeonato.

Em seu primeiro jogo na temporada passada, o Saints enfrentou o Raiders. Neste jogo, Thomas conseguiu 6 recepções para 58 jardas, uma boa estreia. O primeiro TD veio na semana 3, contra o Falcons. Durante a maior parte da temporada, o calouro manteve uma boa regularidade, com média de 75,8 jardas por jogo, sendo também o líder em recepções do time. A temporada só não foi perfeita por causa do jogo da semana 10, contra o Broncos, que também serviu para que uma característica muito importante da personalidade de Michael fosse mostrada.

Para contextualizar, na semana 9 no confronto contra o 49ers, Thomas tinha feito o seu primeiro jogo de 2 TDs. Até o momento, tudo era perfeito no ano de calouro do WR, porém chegamos à semana 10, e Michael sofreu 2 fumbles na derrota apertada para o Broncos. Neste momento, o jovem atleta tinha o primeiro obstáculo da carreira. Antes acostumado aos elogios, nesta semana ele seria, para alguns, o grande responsável pela derrota. Este ponto da temporada foi fundamental, um dos requisitos principais para o sucesso, seja pessoal ou profissional, é a forma de lidar exatamente com o fracasso. Além disso, falando apenas do esporte, foi muito importante observar o comportamento do WR nos próximos jogos. O confronto seguinte foi contra o Panthers, fora de casa, e Thomas teve bom desempenho, mesmo não sendo brilhante, mostrando segurança e a capacidade de lidar com uma pressão maior após um erro. Para não deixar qualquer dúvida, na semana 12, no confronto contra o Rams, Thomas voltou a marcar 2 TDs e ainda teve 108 jardas de recepção. Outro ponto que merece destaque, estes dois fumbles foram os únicos em toda a temporada.

A sintonia entre QB e seu principal alvo precisa ser perfeita, um entrosamento que vá além do entendimento do sistema ofensivo, com o recebedor necessitando ser, acima de tudo, o alvo de confiança. Esta segurança não está relacionada somente à qualidade técnica, mas também ao psicológico. Como mostrado no parágrafo anterior, o QB precisa ter a certeza que mesmo após uma falha, um drop ou um fumble, por exemplo, o seu WR é mentalmente capaz de “esquecer”, e voltar para a próxima descida totalmente concentrado. Foi perceptível que, desde o começo da temporada, Brees e Thomas estavam desenvolvendo esta confiança. Provavelmente esta química já estava bem forte nos treinos, até por isso, a declaração de Sean Payton sobre o Fantasy.

A saída de Brandin Cooks deve aumentar ainda mais a frequência da conexão Brees – Thomas em 2017. Ted Ginn Jr chegou para trabalhar principalmente nas rotas verticais, porém Cooks era mais do que isso, sua função era mais ampla, e muito deste papel deve ficar a cargo de Michael. O ex-jogador de Ohio State tem tudo para ser top 5 em jardas recebidas nesta temporada e não seria surpresa caso liderasse a NFL na estatística.

Em seu twitter, o WR costuma usar várias vezes a expressão “Shhhh”, que pode ser interpretada como aquele som que emitimos para pedir que alguém faça silêncio. Após ser apenas o sexto WR escolhido, não ser considerado um jogador de primeira rodada, ser constantemente subestimado; a expressão talvez seja uma forma sutil e bem-humorada de provocar quem apostou contra ele. Com uma temporada de calouro muito boa, jogando com um QB genial, e uma OL consistente, talvez a melhor opção realmente seja fazer silêncio, pois duvidar de Michael Thomas, não parece ser uma boa escolha.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.