segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

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O fim da era Mike McCarthy chegou no Green Bay Packers. Com o decepcionante recorde de 4-7-1 na temporada regular de 2018, a direção da franquia do Wisconsin decidiu demitir o outrora técnico de longa data após a decepcionante derrota para o cambaleante Arizona Cardinals na última rodada – o Cardinals até então era o pior time da NFC e não vencia uma partida contra o Packers no Lambeau Field desde o longínquo ano de 1949. Foi a gota d’água para o time que investiu muito na última intertemporada e conta com um dos melhores QBs da história do esporte, mas que simplesmente não conseguiu conviver com as altas expectativas criadas para si em 2018.

O coordenador ofensivo Joe Philbin irá servir como técnico principal interino e acumulá funções nas quatro partidas restantes para o Packers em 2018. Fato é que tal posição não é algo totalmente novo na longa carreira de Philbin, afinal foram três temporadas completas no Miami Dolphins na mesma posição – com um recorde negativo de 24 vitórias e 28 derrotas é verdade, até que fora demitido no meio da temporada de 2015.

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Com a equipe estagnada com o vergonhoso recorde de 4-7-1, eles não estão matematicamente eliminados da disputa pela pós-temporada, mas por trás das chances matemáticas minúsculas envolvidas em uma improvável classificação para os playoffs está o desempenho apresentado até hoje – nada menos que inaceitável para uma equipe com tantos talentos. A ineficiência ofensiva gritante e um tanto quanto incomum para um time que pode se gabar ter o Quarterback Aaron Rodgers é simplesmente impossível de ser descrita, mas passa pelo péssimo desempenho da linha ofensiva, recebedores que não conseguem separação nas jogadas mas principalmente um plano de jogo no mínimo suspeito, incapaz de tirar o melhor de cada um dos talentosos jogadores que compõem a unidade ofensiva do Packers.

O CEO Mike Murphy agradeceu os anos de serviços prestados tanto à equipe quanto comunidade:

“A temporada de 2018 não atingiu nossas expectativas e metas enquanto franquia. Como resultado, tomamos a difícil decisão de retirar Mike McCarthy de suas funções rotineiras como técnico principal, a terem efeito de forma imediata. Mike tem sido um técnico e líder maravilhoso nas últimas treze temporadas, em que experimentamos sucesso tanto dentro quanto fora de campo.

Nós gostaríamos de agradecer Mike, sua esposa Jessica e o resto da família McCarthy por tudo que fizeram pelo Packers e pela cidade de Green Bay e também a comunidade geral no Wisconsin. Nós começaremos imediatamente o processo de selecionar o próximo técnico principal do Green Bay Packers.

Ao que tudo indica, o Packers ficará fora dos playoffs pela segunda temporada consecutiva – algo até então impensável para uma equipe que, neste festival de ataque que se instalou na NFL, contasse com um dos três melhores QBs de sua geração comandando o ataque. Desde a primeira temporada de Rodgers como titular absoluto o Packers não fica fora dos playoffs em uma temporada que Rodgers estava saudável pela parte majoritária da mesma –  o que aconteceu em 2018.

Foram nove aparições em pós-temporada nos treze anos que McCarthy comando a franquia – mas era eminente que após a inexplicável derrota para o Cardinals na última rodada que o desapontamento sobre os rumos da equipe iriam perdurar sobre o veterano técnico, já totalmente desgastado com os jogadores, afinal o próprio Aaron Rodgers criticou o plano de jogo após a também inexplicável derrota para o Buffalo Bills na semana quatro desta temporada.

McCarthy ostenta o impressionante recorde de 125-77-2 ao longo de sua produtiva carreira com o Packers – capitaneada obviamente pela vitória sobre o Pittsburgh Steelers no Super Bowl XLV em 2010.

De 2009 até 2016, o Packers foi o terceiro time entre todos em pontos anotados por partida, com 27.7 no período. Nesta temporada, marcada pela quebra de vários recordes ofensivos (principalmente os aéreos) o ataque comandado pelo técnico passou da marca de 27 pontos em apenas três partidas, um número horrível que vai contra a nova tendência da NFL, com os ataques varando a casa dos trinta pontos por partida com enorme facilidade.

As 125 vitórias na temporada regular do HC são a 27ª maior marca na história da NFL. Dos técnicos que estão na frente dele em números absolutos, apenas sete deles têm uma porcentagem de vitórias maior que a de McCarthy, e a lista é daquelas de “entortar o varal”: Don Shula (.677), George Halas (.682), Curly Lambeau (.631), Paul Brown (.672) e Tony Dungy (.668) – todos integrantes do Hall da Fama do esporte, além de Bill Belichick, que integrará em breve esta lista, que tem .681 de aproveitamento e o também candidato à imortalidade Bill Cowher, com .623.

Para uma franquia acostumada com a estabilidade em todas as suas funções – do Long Snapper ao presidente, uma mudança no meio da temporada em uma das principais funções da cadeira hierárquica sempre será vista com incredulidade por aqueles que vivem a NFL diariamente. Nos cem anos de história que a tradicional franquia se gaba em alcançar nesta temporada, apenas em 1953 um HC foi demitido antes do final da temporada regular – Gene Ronzani foi dispensado de suas funções com duas partidas por jogar naquela temporada. Agora, Mike McCarthy se junta à esta infame lista de dois nomes da longa história do Packers.

A decisão pode ser tida como administrativa também, em certo ponto de vista. Mike Murphy, o presidente da equipe, elevou Brian Gutenkunst ao cargo de gerente geral – em função de Ted Thompson, que contratou McCarthy na década passada. Então, Gutenkunst aceitou o cargo administrativo de maior importância dentro da hierarquia do Packers sem nenhuma autoridade sobre o técnico que lá estava. Então, começa para Gutenkunst talvez o principal trabalho que esta função exige – contratar um técnico principal talentoso para recolocar a equipe em evidência dentro da NFC.

Qualquer que seja o novo técnico do Packers para a próxima temporada, a função está claramente definida: colocar novamente este ataque nos trilhos. O material humano disponível estará lá, afinal será a temporada que Rodgers terá 36 anos e sem apresentar nenhum sinal de declínio, tem tudo para ser a campanha da redenção para este time e torcida – claro, com o técnico certo no comando.


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