quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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Já é seguro dizer que não vivemos mais na “era romântica” da NFL. O período, que no começo da expansão da liga por todo o território norte-americano baseado no “eu eu meus garotos” contra todo o restante com certeza já não está mais por aqui. A NFL, pelos mais variados motivos, ganhou um caráter monetário, de negócio, em que nada é garantido e carreiras são tragicamente mudadas a cada snap, a cada chamada de jogada diferente. Os jogadores tem consciência disso e claro, buscam capitalizar financeira e esportivamente sobre uma carreira cada vez mais curta entre os profissionais.

A free agency como a conhecemos, com início em 1992 foi o primeiro passo para mudar tudo. Jogadores perceberam que simplesmente não seriam mais reféns de seus times, detentores de seus contratos por vários anos e que poderiam decidir o próprio futuro, e isto foi o ponto de partida para o frenesi que se seguiu nos próximos anos. Jogadores perceberam não apenas que poderiam dar as cartas para definir seu futuro ao ficar sem contrato como também poderiam exercer influência acerca do que lhe acontecerá enquanto ainda está sob contrato com seu respectivo time, e este poder nunca visto na NFL mudou a forma de montagem dos elencos.

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Nos últimos tempos, temos visto um aumento considerável de trocas das grandes estrelas da liga – muitas ainda sob contrato por várias e várias temporadas. A ameaça frente a um time com talento questionável e pouca expectativa de competir por grandes coisas tem sua parcela de culpa por aqui, com jovens atletas buscando sair de condições adversas em franquias com administração questionável – mas que o recrutaram no Draft, tem tomado os holofotes nos bastidores da NFL. O CB Jalen Ramsey e o DB Minkah Fitzpatrick de Jaguars e então Dolphins, respectivamente, foram os últimos a manifestarem publicamente seu desejo de ser trocado para outra equipe que não seja a que defendiam anteriormente. Fitzpatrick inclusive já teve seu desejo atendido: foi trocado para o Pittsburgh Steelers por um pacote de escolhas de Draft – incluindo uma de 1ª rodada do Draft de 2020.

Jared Goff, Carson Wentz e Ezekiel Elliott, três jogadores recrutados nas primeiras posições do Draft de 2016 já receberam monstruosas extensões contratuais, mesmo que ainda tinham seus contratos de calouro vigorando, extirpando assim qualquer chance de greve, situação inclusive que Elliott submeteu o Cowboys à passar, renovando apenas recentemente. Mesmo que Rams, Eagles e Cowboys sejam franquias já estabelecidas e candidatas à coisas grandes dentro desta e das próximas temporadas, esta situação demonstra bem o quão poderosos são os jogadores dentro das mesas de negociação, já que equipes alocam um espaço maior do teto salarial para os pagar, mesmo com um contrato bem mais favorável à equipe vigente – e com vários anos restantes.

Exemplos como o WR Larry Fitzgerald e o WR Calvin Johnson parecem ficar cada vez mais no passado. Ambos os atletas declararam (e declaram, no caso de Fitzgerald) seu amor à franquia que os recrutaram (Arizona Cardinals e Detroit Lions, respectivamente) mesmo em anos de ostracismo e administrações falhas das franquias; Johnson inclusive, esteve presente naquele time de 2008 do Lions que simplesmente perdeu os dezesseis jogos da temporada regular, sendo o primeiro time a conseguir tal “feito” antes de ser copiado pelo Cleveland Browns de 2017. Se voltarmos um pouco mais no tempo, o lendário RB Barry Sanders também construiu uma carreira toda no Detroit Lions, por mais disfuncional que tenha sido, e ainda assim conseguiu guiar o time à algumas classificações para a pós-temporada, mesmo com pouco sucesso naquela altura. Fitzgerald por sua vez ainda foi recompensado com uma lendária caminhada nos playoffs no final da década passada, guiando o Arizona Cardinals até o Super Bowl 43 na temporada de 2008, caindo contra o Pittsburgh Steelers naquele que foi um dos melhores jogos de todos os tempos.

Mas tal situação cria um questionamento em que ambos os lados da história tem sua parcela de razão: quem está certo, aquele que dedica sua carreira à um time desfuncional e sem expectativas ou quem abre mão disso e busca melhores condições para aflorar sua curta carreira profissional?

Por envolver a paixão que é torcer para uma franquia, a situação é bastante complexa. Nós simplesmente não podemos culpar atletas por buscarem aquilo que em seu pensamento representa uma expectativa melhor de simplesmente ser feliz enquanto jogador. Por outro lado, a “traição” tida ao time que o recrutou e foi o primeiro a acreditar nele quando ainda tecnicamente era um atleta amador com certeza não é perdoável, e isto cria um “mix” de emoções.

Fitzgerald já declarou que jogará no Arizona Cardinals até o fim de seus dias como atleta profissional. Mesmo que tal paixão o tenha claramente impedido de ter alguns anéis de campeão condecorando sua gloriosa carreira, o sentimento de “e se tivesse ganhado aquele Super Bowl em 2009” com certeza arranca suspiros de todos que conhecem minimamente a carreira deste excelente profissional dentro e fora de campo. O status de lenda que Fitzgerald conquistou com pouco anos de destaque em pós-temporada e apenas uma aparição em Super Bowl seria muito maior caso seu time tivesse obtido mais sucesso. Imagine Fitz atuando com Peyton Manning nos tempos de Colts, ou mesmo com Tom Brady lá em New England? Com certeza o auge desta combinação reescreveria os livros de recordes mais do que ele já fez atuando com Quarterbacks no mínimo questionáveis durante boa tarde da carreira.

Não são poucas as pessoas que torceram para que ele conquistasse ao menos um título em sua gloriosa carreira, mas também é fato analisarmos que isto não aconteceu – e provavelmente não acontecerá, por ter escolhido atuar toda a sua carreira pelo Arizona Cardinals, um time marcado por certos períodos de tempo de êxito, mas também por vários e vários anos de ostracismo e campanhas ruins.

Voltando para os casos que dão título ao texto, Fitzpatrick conseguiu o que queria e foi para o Steelers, que tem no segundanista QB Mason Rudolph as chaves do papel que desempenharão em 2019 graças à lesão d QB Ben Roethlisberger, mas em comparação ao Miami Dolphins, o pior time da NFL e um dos piores dos últimos tempos, é com certeza um avanço, já que a franquia está estabelecida e tem feito campanhas consistentes há algum tempo. O CB Jalen Ramsey espera até um resultado melhor para si, com times como Kansas City Chiefs, Philadelphia Eagles, Los Angeles Rams e New Orleans Saints como destinos naturais para o atleta ao juntar um elenco competitivo e uma necessidade grande de melhorar a posição de Cornerback. Seu atual time, o Jacksonville Jaguars não apresenta grandes expectativas, já que o QB Nick Foles, a principal esperança para a temporada, está machucado e perderá ao menos metade da campanha. De qualquer maneira, um pedido público de saída queima todas as pontes para uma possível permanência do talentoso defensor, que compulsivamente precisa buscar outro time para si.

E você, o que pensa desta situação? O atleta por mais talentoso que seja, precisa se submeter à franquia que o recrutou por mais desfuncional que ela seja ou não, ele tem a obrigação de capitalizar na curta carreira e se juntar com um time que realmente não o prive de brigar pelo título, isto é, buscar o que é melhor para si no seu ponto de vista? Nos deixe saber sua opinião!


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