quinta-feira, 21 de maio de 2020

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Vivemos numa época em que a diversidade nunca esteve mais explícita. Buscamos agregar o máximo de experiências e vivências possíveis seja em qual camada da sociedade e/ou empresa estejamos inseridos; a grande verdade é que, felizmente, a grande maioria já parece mais propensa a lidar com a diversidade no seu sentido mais puro.

Na NFL especificamente, pode ser visto durante várias décadas que a diversidade nos cargos de técnicos principais, coordenadores e diretores das franquias não foi exatamente incentivada e tivemos poucos exemplos de minorias nos altos patamares de treinamento, montagem e/ou administração das franquias. Se pensarmos que Tony Dungy foi o primeiro HC negro a treinar um time que venceu o Super Bowl – na temporada de 2006 quando seu Indianapolis Colts venceu o Chicago Bears e que a liga é centenária em sua realização, temos que um tempo muito longo se passou até que um técnico desta etnia alcançasse a glória máxima da temporada regular.

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Recentemente, a liga adotou medidas para incentivar a contratação de pessoas do tipo para os cargos de alta direção naquela que ficou conhecida como a Rooney Rule, que vigora desde 2003 e denota que todas as franquias devem ao menos entrevistar um candidato de minorias para cargos de GM, técnico principal e coordenadores de todos os tipos, esta foi uma alternativa encontrada para tentar diminuir a ampla diferença em questão.

Se pensarmos que atualmente há quatro técnicos de minorias (negros e/ou latinos) entre as 32 equipes (Brian Flores no Dolphins, Mike Tomlin no Steelers, Anthony Lynn no Chargers e Ron Rivera no Redskins) exatamente 1/8 dos cargos principais dentro do comando técnico de uma equipe são ocupados por tais pessoas. O cargo de GM é ainda pior, apenas o Dolphins com Chris Grier e o Browns com Andrew Berry representam a classe das minorias na principal figura dentro da administração e montagem de um elenco. O último ciclo de contratações foi o terceiro consecutivo em que apenas um técnico do tipo foi contratado (Ron Rivera) mesmo com os nomes dos excelentes Robert Saleh (coordenador defensivo do 49ers) e Eric Bieniemy, por exemplo. O segundo, atualmente o coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs e seu explosivo ataque, faz um ótimo trabalho há mais de três anos, é extremamente querido por todos e tido como um ótimo profissional, sendo que o próprio Andy Reid já o exaltou e ressaltou que ele está pronto para assumir as rédeas de uma equipe, mas estranhamente passou mais um ano sem gerar grande interesse dos times necessitados no cargo.

Tais números realmente são muito incômodos e impossíveis de serem ignorados, a ponto de incentivar a NFL à não apenas expandir a Rooney Rule, mas criar outras regras e mecanismos para garantir que eles tenham mais visibilidade, sejam mais entrevistados e consequentemente, se agradar a alta cúpula, consigam garantir um próximo emprego na liga.

A extensão da Rooney Rule denota que todas as equipes devem entrevistar ao menos dois candidatos das minorias para cargos de HC e um para cargos de coordenadores (ofensivo, defensivo ou de times especiais), um para cargos seniores da administração e um para o cargo de gerente geral. Outro adendo das novas medidas é que as equipes também não podem mais “bloquear” que um técnico, seja de qualquer etnia, realize uma entrevista para um cargo maior que o ocupado atualmente, por exemplo: antigamente era permitido que uma equipe não permitisse que seu técnico de QBs fizesse uma entrevista para coordenador ofensivo, ou que seu coordenador defensivo fizesse uma entrevista para técnico principal de outra equipe – e por aí vai.

Os outros incentivos são medidas tidas por muitos como extremas e polêmicas, envolvendo algo muito importante e vital para a formação de qualquer equipe, escolhas de Draft. Parece a última tentativa de garantir que a diversidade impere dentro dos cargos de alta patente mesmo que seja envolvendo bonificações dentro do recrutamento anual universitário.

A NFL iria bonificar anualmente, com escolhas extras de Draft ou trade-ups à partir da terceira rodada, equipes que contratarem ou mantiverem em seus cargos membros das minorias. Funcionaria da seguinte forma:

  • Um time que contratar um técnico negro ou latino subiria seis posições de sua posição original na 3ª rodada do Draft;
  • Contratar um GM nesta situação renderia uma subida de dez posições na 3ª rodada;
  • Contratar um GM e um técnico, consequentemente, denotaria que o time escolheria dezesseis posições acima da escolha original de 3ª rodada sem orquestrar qualquer troca com outra equipe;
  • Manter o GM por três anos renderia uma subida de cinco posições na 4ª rodada;
  • Contratar um técnico de Quarterbacks (posição que estatisticamente é a mais utilizada para promoções à cargos maiores) renderia uma escolha compensatória no final da 4ª rodada;
  • Do contrário, se uma equipe perder um assistente para vaga de coordenador em outra equipe, seu antigo time receberia uma escolha compensatória de 5ª rodada;
  • Perder um técnico e/ou membro da diretoria renderia uma escolha compensatória de 3ª rodada.

Vale aqui o destaque que as escolhas compensatórias são distribuídas ao final das rodadas, sendo uma fórmula obscura da NFL que leva em conta não apenas a quantidade de talentos que um time perdeu ou adicionou na temporada anterior, mas também o valor dos contratos assinados, ou seja, basicamente “premia” um time que não reteve um atleta crucial que assinou um monstruoso contrato com outra equipe, mas que agora também seriam distribuídas para equipes que contratem (ou percam) técnicos e administradores para sua comissão.

Outras medidas que também começariam a vigorar definiriam que as equipes contratem pessoas para acompanharem o trabalho anual dos coordenadores ofensivos e técnicos de QBs, normalmente os primeiros nas linhas de sucessão para técnicos principais, além de usar o Senior Bowl, evento realizado com prospectos após terminarem o último ano de elegibilidade universitária, para inserir candidatos à cargos no dia-a-dia deste importante evento de prospecção de novos talentos para as franquias juntamente com os técnicos principais eleitos para comandarem as equipes.

A medida é extramente polarizadora e já divide opiniões bem como o alerta que a proposta precisa passar pela aprovação dos proprietários das franquias, que normalmente se mostram inflexíveis à mudanças significativas nos processos da NFL e o que permeia a sua administração, ainda mais de maneira tão súbita em situação que já começaria a valer a partir da próxima temporada.

Marvin Lewis, que comandou o Cincinnati Bengals por mais de dez anos se mostrou extremamente infeliz com as medias, citando até que é ofensivo bonificar times por contratarem técnicos de minorias. Lewis, por sua vez, obteve muito sucesso no comando técnico da franquia de Ohio e é muito respeitado pela comunidade da NFL mesmo que atualmente esteja sem um emprego à nível profissional, atuando como consultor especial pela universidade de Arizona State, da NCAA.

Fato é que a Rooney Rule tem suas falhas, como no caso da contratação de John Gruden pelo então Oakland Raiders recentemente, que já sabia que seria o próximo técnico da franquia antes mesmo de um candidato das minorias ser entrevistado, ou seja, virou apenas mera formalidade naquela altura, já que o Raiders sabia que já tinha seu próximos técnico definido, agora, com bonificações para incluir a diversidade nos comandos gerais das franquias, podemos ter grandes diferenças no médio e longo prazo dentro da NFL.


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