quarta-feira, 27 de abril de 2016

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O Draft da NFL é o principal evento organizado durante a Offseason e movimenta a atenção de dirigentes, equipes, torcedores e jogadores durante três noites. A função do evento é anunciar oficialmente os destinos dos atletas considerados elegíveis para o recrutamento e começar a montagem dos elencos de cada time para a próxima temporada. A edição de 2016 acontece na próxima quinta-feira (28/04) e termina apenas na noite de sábado. Todos estes detalhes são mais do que familiares para os fãs do futebol americano, mas o Draft da NFL guarda em sua história muita tradição e grandes curiosidades, que às vezes acabam sendo esquecidas com o tempo.

O primeiro Draft organizado de forma parecida ao de hoje foi realizado em 1936. Nesta específica década, a NFL era dominada por quatro franquias – Packers, Bears, Giants e Redskins – que podiam assinar com os jogadores mais talentosos, já que contavam com as melhores condições financeiras e não precisavam seguir uma ordem de escolha pré-estabelecida. Com a liga cada vez mais polarizada e desequilibrada, as outras equipes decidiram criar uma nova forma de beneficiar os elencos menos talentosos e modificaram a estrutura do recrutamento. O grande idealizador da proposta foi Bert Bell, co-proprietário do Philadelphia Eagles na época, que contou com o apoio de outros dirigentes para tornar a modificação oficial um ano depois.

jay-berwanger

A mudança nas regras permitiu que as equipes com o pior recorde da temporada anterior pudessem garantir o direito de escolher os melhores jogadores primeiro, o que possivelmente daria maiores condições aos times mais fracos para competirem no ano seguinte. Diferente do que é visto hoje, os atletas tinham muitas dificuldades para negociarem um contrato com as equipes que os selecionavam e apenas 24 dos 81 jogadores escolhidos optaram pela NFL em 1936, tanto que a primeira escolha geral da história do Draft, o corredor Jay Berwanger, nunca jogou profissionalmente na liga.

Sem a tecnologia disponível para analisar os jogadores, as escolhas eram feitas por meio de fontes das mídias locais, visitas as faculdades e indicações diretas, o que dificultava as negociações e causava um grande número de desistências. A importância do evento só começou a crescer depois que as franquias começaram a pagar quantias maiores pelos anos de contrato dos atletas e passaram a contratar profissionais responsáveis por acompanhar os jogadores nas universidades. Com a modernização da liga nos anos 60, o Draft finalmente ganhou a importância pretendida e se tornou interessante para a era digital que atingiria o mundo dos esportes vinte anos depois.

A ORDEM DE ESCOLHA

Do pior para o melhor. A ordem de escolha no Draft da NFL é bem simples e não conta com loterias, como no caso da NHL e da NBA, mas também apresenta suas peculiaridades. A lista de escolhas é encabeçada pela equipe com o pior recorde no ano anterior, seguida a partir deste mesmo quesito pelos outros 19 times que também não alcançaram a pós-temporada. As outras 12 franquias vão “garantindo” seus lugares de acordo com o desempenho nos playoffs e a última equipe a escolher será sempre a atual campeã do Super Bowl (menos em algum caso de troca ou punições). Caso alguma equipe termine o ano com recordes igual a de outra, algumas regras de desempate estão previstas e são utilizadas para definir a sequência do Draft:

  • Dificuldade da tabela da temporada anterior: A primeira e principal regra de desempate faz uma soma das vitórias e derrotas dos 16 times que cada uma das equipes empatadas enfrentou no ano anterior. O time que tiver enfrentado a sequência de franquias com o menor número de triunfos combinados ganha o direito de escolher antes.
  • Campanha dentro da divisão (se aplica caso os times sejam da mesma conferência).
  • Campanha dentro da conferência (se aplica caso os times estejam em conferências diferentes).
  • Decisão no cara ou coroa: Bastante rara, se aplica caso todos os critérios citados anteriormente estejam iguais.

A principal curiosidade em relação à ordem das escolhas é que o critério de desempate é usado apenas na primeira rodada para equipes com recordes iguais. Durante as rodadas seguintes, as franquias vão revezando as posições e a ordem acaba se modificando.

TEMPO DE ESCOLHA

Durante os três dias do evento, cada equipe conta com representantes que confirmarão as escolhas e possuem um determinado tempo para enviar os nomes selecionados. Na primeira noite, os times possuem dez minutos, número que diminuiu para sete na segunda rodada e cinco durante as últimas cinco. A equipe que não decidir sua escolha no tempo estabelecido volta a ter chance de selecionar um atleta, mas terá que esperar a próxima franquia na sequência realizar sua escolha antes.

TROCAS DURANTE O DRAFT

Outra tradição do evento são as trocas realizadas no momento do evento, movimentação permitida pela liga. Muitas negociações da NFL garantem escolhas pela aquisição de um jogador, o que muda a posição de algumas equipes em rodadas específicas. Porém, durante as três noites do Draft, a NFL também permite que as franquias possam fazer trocas – podendo até envolver jogadores do elenco na negociação – para subirem de posição, o que garante um lugar antecipado na ordem de escolha na busca por um determinado atleta.

PARTE DA CULTURA NORTE-AMERICANA

Além de toda a sua tradição, a importância para o desenvolvimento dos times e o teor comercial que o Draft ganhou ao longo dos anos, ele funciona também como parte da cultura dos Estados Unidos e representa um pouco do sonho americano, alcançado pelos jovens atletas que emergem da pobreza e do anonimato para serem coroados em rede nacional, garantindo contratos milionários e virando referência para toda uma geração que já começa a pensar em seu futuro.

draft

O interesse pelos bastidores do evento e como as negociações acabam acontecendo chegou até aos cinemas e ganhou vida em 2014 com “Draft Day” (“A Grande Escolha” em português), em uma produção estrelada por Kevin Costner e Jennifer Garner. “Draft Day”. Segue a história do fictício General Manager do Cleveland Browns, Sonny Weaver Jr, que precisa lidar com a pressão de escolher um atleta que mude o futuro da franquia e faz todas as negociações possíveis para isso, de uma forma muito mais dramática, obviamente.

Independente da forma como o filme retrata o evento, fica claro como a cultura do Draft ganhou os Estados Unidos e se transformou em algo muito maior do que uma simples solenidade oficial da NFL.  O “glamour” e a cobertura ao vivo aumentam ainda mais a vontade dos fãs em conhecer de perto as novas estrelas do esporte, quase igual aos programas musicais que os americanos tanto amam. Os jovens atletas, considerados grandes heróis nos corredores da faculdade no ano anterior, são agora expostos em rede nacional e ganham a responsabilidade de brilhar na maior liga de futebol americano do mundo.

CURIOSIDADES

  • Ano passado, Florida State teve 11 jogadores escolhidos no Draft, o maior número entre todas as universidades dos Estados Unidos. Qual será a faculdade responsável por este feito em 2016?
  • USC é a faculdade com o maior número de atletas selecionados (493), seguida por Notre Dame (486), Ohio State (418), Oklahoma (373) e Nebraska (353).
  • Nove dos últimos dez vencedores do Heisman Trophy foram escolhidos na primeira rodada do evento, será que Derrick Henry (Alabama) vai continuar a sequência?
  • Desde a escolha de Peyton Manning em 1998, 13 QBs foram selecionados na primeira posição geral até o ano passado. Courtney Brown (2000), Mario Williams, (2006), Jake Long (2008), Eric Fisher (2013) e Jadeveon Clowney (2014) foram as exceções.
  • A primeira escolha de Draft que Roger Goodell anunciou como comissário da NFL foi JaMarcus Russell, ex-QB do Oakland Raiders e uma das maiores decepções da história da liga.
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