sexta-feira, 7 de junho de 2019

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A NFL é um dos negócios mais rentáveis de todo o mundo, isto ninguém duvida. As cifras bilionárias que o esporte da bola oval giram ao redor de todo o planeta apenas corroboram para o fato de que é uma das ligas mais rentáveis que se tem notícia. Donos e/ou acionistas das 32 franquias somam patrimônios bilionários aliados ao potencial de marca das franquias e a consequente valorização da marca como um todo, mas tempos sombrios os aguardam.

Para você que não acompanha a NFL há muito tempo ou mesmo não se prende muito aos detalhes administrativos que a cercam, há um acordo de barganha coletivo e vigente assinado entre os donos das framquias (pela figura do comissário Roger Goodell) e pela NFLPA, traduzido para o português como o sindicato dos jogadores. Tal acordo diz respeito à todos os tipos de normas e diretrizes que cercam a realização da temporada da NFL: quantidade e intensidade de treinamentos, proteção, fundos de aposentadoria para ex-jogadores, quantidade de jogos e principalmente o que diz respeito ao teto salarial das 32 equipes – fruto de uma porcentagem dos lucros oriundos das mais variadas frentes: direitos de TV, comerciais, propagandas e agora as famigeradas apostas que começam a ganhar força dentro da liga.

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Enfim, a CBA (em inglês Collective Bargaining Assigment ou simplesmente Acordo de Barganha Coletiva) é simplesmente o documento com o conjunto de regras e normais que regem a NFL da qual conhecemos hoje e a boa comunicação entre a NFL e o sindicato dos atletas é simplesmente vital para que tal acordo continue a ser renovado.

O problema? Tal contrato tem a validade de dez anos à partir de sua assinatura e a CBA vigente é datada do ano de 2011, ou seja, está chegando a temida hora em que os dois lados se sentarão nas mesas de negociação e buscarão um acordo coletivo para  próxima década.

Obviamente tal acordo exige que os dois lados estejam de comum acordo com as normas decididas para qualquer assinatura ser feita. Tensões nos últimos anos entre o sindicato dos atletas denotam que desta vez não será tão fácil deixar este lado da moeda extremamente contente com aquilo que lhe será proposto em breve, mas isto não impede a NFL de demonstrar uma certa confiança em conseguir isto.

De fato, há quem diga que a NFL estipulou para a NFLPA o prazo máximo de 1º de Setembro (poucos dias antes do início da temporada regular de 2019) para a assinatura do novo contrato que seria válido até 2031. Isto pois, segundo suas própria explicações, a liga não quer que tais negociações se arrastem no mês que comemorarão o 100º aniversário da fundação histórica da NFL, ainda sem a cara que tem nos dias de hoje. O foco daí seriam apenas as comemorações deste importante centenário e claro o início de mais uma empolgante temporada que se arrastaria até Fevereiro de 2020 com a realização do Super Bowl LIV em Miami, na casa do Dolphins.

O porquê de um prazo repentino para algo que naturalmente já levaria meses e mais meses até que finalmente fosse costurado qualquer tipo de acordo? Bem, é simples. Os contratos de TV com o Sunday Ticket (o “Premiere” da NFL lá nos EUA) termina agora em 2019 bem como o contrato com a ESPN pelos direitos do Sunday Night Football terminam em 2021 e todos os outros contratos restantes expiram até 2022. Com uma nova CBA vigente nestes períodos, qualquer tipo de negociação com as TVs ficaria extremamente facilitado já que o sindicato dos jogadores poderia (por contrato) ser “deixado de fora” das parcelas dos lucros de uma possível renegociação, já que haveriam de ter acertado uma porcentagem anterior à tais negociações com as TVs lá dos EUA.

É claro que a NFLPA tem plena consciência disso. As tensões entre liga e sindicato começaram a ficar mais claras quando explodiu o caso Collin Kaepernick, em que surgiram acusações que todos os times coagiram a não contratar o veterano QB, que lutava contra o abuso da polícia norte-america para com os negros e menos favorecidos da sociedade. Embora outros atletas tenham usado o exemplo do QB como precursor para protestos ao longo de todo o país, Kaepernick foi tido como o “bode expiatório” e não atua desde 2017 quando fora dispensado do San Francisco 49ers, dois anos depois de liderá-los até o Super Bowl e terem ficado a seis jardas do título máximo da temporada.

O modo como os contratos são construídos na NFL também é motivo de muitas insatisfações dos atletas. O salário que os jogadores de futebol assinam são diluídos ao longo dos anos em variáveis extensas e diversas: bônus por participação em jogos, por rendimento, por título, por nomeação ao Pro Bowl/All Pro, permanência no elenco ao longo dos anos em datas estipuladas e os temidos “valores garantidos em caso de lesão) que significam uma porcentagem que seria paga somente caso o atleta não se machuque em um dos esportes mais físicos de todo o mundo. Enfim, são tantos “e se” dentro dos contratos que o valor garantido acaba sendo bastante diminuído e muitas vezes os jogadores não recebem um quarto daquilo previamente combinado.

Em ligas como a MLB e a NBA, os atletas tem todo o poder de negociação. Salta aos olhos o fato dos contratos nestas duas ligas serem totalmente garantidos mesmo em caso de lesão além de que os próprios atletas detém a opção de exercerem ou não a opção de contrato para a temporada seguinte – as temidas player options. A grosso modo, atletas talentosos destes esportes assinam contratos válidos por várias temporadas e vão decidindo anualmente se de fato irão honrar tais compromissos, seja pela qualidade da equipe, potencial ao longo dos anos subsequentes ou simplesmente o fato de um contrato ter ficado defasado após várias temporadas.

Isto sem tocar no ponto dos valores, pois o QB Carson Wentz assinou a maior extensão contratual da história da NFL no último dia 06, quando o Eagles se propôs a pagar U$ 107 milhões ao longo das próximas seis temporadas (em valores garantidos). Se Wentz fosse um jogador profissional da MLB, ele seria apenas o 39º atleta mais bem pago da atualidade – à frente do Left Fielder Justin Upton do Los Angeles Angels e logo atrás do Right Fielder Charlie Blackmon, do Colorado Rockies.

Na NBA, Wentz ficaria um pouco melhor. Seus U$ 107 milhões ficariam na 26ª posição entre os mais ricos desta liga, entre o Pivô Kevin Love do Cleveland Cavaliers e o armador CJ McCollum, do Portland Trail Blazers. Enfim, a disparidade é tremenda neste tipo de situação.

A própria NFLPA já soltou diversos memorandos nos últimos anos orientando os atletas à pouparem dinheiro para um eventual lockout – nome dado quando os lados não se acertam até o prazo limite para a realização da temporada. Hove um princípio de lockout em 2011 pois demorou até 30 de Julho daquele ano para ambos os lados assinarem o contrato que está vigente agora (em seus últimos meses) prejudicando praticamente toda a intertemporada das equipes naquele ano.

Desta vez pode ser ainda pior. O sindicato já deu indícios que não irá se curvar perante às exigências da NFL e já se prepara para uma paralização que pode colocar as próximas temporadas em risco, então, tal prazo citado pela liga nada mais é que um paliativo em meio à toda esta situação.

Vamos aguardar os desdobramentos nos próximos anos.


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