terça-feira, 2 de abril de 2019

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Em 2 anos de regime, foram apenas 10 vitórias no total. Nem perto de conseguir uma vaga nos playoffs, e de quebra escolhendo na segunda posição geral do próximo draft. Mesmo com números ruins, John Lynch e Kyle Shanahan ainda gozam de algum prestígio diante da torcida do San Francisco 49ers. E aparentemente tem muito prestígio diante do dono da franquia, Jed York. Mas tudo pode mudar em alguns meses. E a temporada de 2019 deve ser um divisor de águas no que se refere ao trabalho feito por eles na Bay Area.

Claro, há todo um contexto por trás das campanhas ruins. 2017 foi um ano de reconstrução total do elenco, e a temporada de 2018, que parecia ser promissora, foi embora junto com Jimmy Garoppolo e seu joelho estourado, em um carrinho no Arrowhead Stadium, em Kansas City. Mas no fim das contas, os números refletem o que acontece em campo. Se os atenuantes existem – e devem ser considerados – eles não escondem que erros importantes aconteceram na montagem do elenco. E as movimentações feitas pelo Niners na Free Agency indicam que Lynch e Shanahan perceberam isso.

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As maiores críticas (especialmente em Lynch) recaem no draft de 2017. Naquele ano, o 49ers escolheu o edge rusher Solomon Thomas na terceira escolha geral, e trocou de volta para o fim da primeira rodada selecionando o LB Reuben Foster. Dois anos depois, ao invés de serem peças chave da defesa, ninguém sabe exatamente qual é a melhor posição para Thomas, enquanto Foster nem faz mais parte do elenco. Diante disso, o Niners se viu obrigado a enviar uma escolha de segunda rodada do draft de 2020 ao Chiefs para ter em Dee Ford uma nova tentativa de um edge rusher dominante que o esquema do coordenador defensivo Robert Saleh tanto necessita. E para suprir a ausência de Foster, veio de Tampa Bay o LB Kwon Alexander. E ambos vieram com contratos polpudos. Embora o 49ers seja talvez o time que melhor estrutura seus contratos na NFL (e uma explicação detalhada para isso merece um texto separado), é inegável a desvantagem que você tem ao ter que gastar aproximadamente US$ 26 milhões neste ano em dois veteranos, ao invés dos contratos tabelados de calouro (lembrando que Thomas ainda faz parte do elenco).

Voltando a 2017, depois de Thomas e Foster, a escolha seguinte do time foi o CB Ahkello Witherspoon, já na terceira rodada. Após atuações promissoras como calouro, ele entrou em 2018 com o status de titular absoluto, no lado oposto ao de Richard Sherman, e não foi lá muito bem, alternando atuações boas com outras horríveis, chegando até mesmo a ser barrado em alguns momentos no fim do ano. Pra quem acompanha o time de perto, há um consenso que não enfrentar uma competição pela titularidade foi um fator que ajudou em seu declínio. Talvez pensando nisso, o time trouxe Jason Verrett, um jogador que vive nas listas de contundidos, mas de inegável talento quando consegue ficar em campo. Na pior das hipóteses, ele ajudará Witherspoon a se puxar mais e tentar levar seu jogo a outro patamar.

E já que o nome de Robert Saleh foi citado anteriormente, ele também é alvo de questionamentos, sendo talvez o nome mais espinafrado pela torcida. Seja por erros de execução na Cover-3 tão desejada por Shanahan, seja pela estagnação técnica de alguns jovens defensores, pela teimosia em não flexibilizar o esquema diante de tantas lesões a partir de determinado ponto do ano passado. Ele segue, mas com um material humano (em tese) melhor em mãos a partir de agora, também será mais cobrado.

No lado ofensivo da bola, as coisas parecem mais amenas. George Kittle já está no primeiro nível de tight ends da NFL, a linha ofensiva é decente, e o grupo de jogadores de habilidade (RBs, WRs e TEs) como um todo não é ruim, embora ainda falte um wide receiver de destaque (e o 49ers foi atrás de Odell Beckham Jr, é bom lembrar). Se Kyle Shanahan conseguiu tirar leite de pedra com Nick Mullens, a expectativa é bem boa tendo uma temporada inteira com Jimmy Garoppolo.

Resumindo, as peças parecem estar melhor colocadas no tabuleiro (e ainda temos o draft) para um bom ano em Santa Clara, mas o mesmo também era dito nesse ponto do ano passado. Exigir playoffs é um tanto demais, em uma divisão em que Rams e Seahawks estão pelo menos um passo a frente, mas não é nenhum exagero cobrar um time competitivo, que entre em novembro e dezembro ainda pensando em jogar em janeiro, e não apenas no draft. Caso isso não aconteça, poderemos estar perto de novas mudanças bruscas na franquia.


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