sexta-feira, 9 de novembro de 2018

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As primeiras semanas da temporada pareciam reservar um ano interessante para o Baltimore Ravens. A defesa jogava em nível muito elevado, sem ceder touchdown sequer nos segundos tempos das partidas até a sétima rodada, Joe Flacco parecia mais saudável e jogando melhor do que nos anos anteriores e o reformulado grupo de recebedores mostrava rápida adaptação e capacidade de contribuir para o sucesso da equipe. No entanto, em um momento muito importante em uma sequência de jogos que muito diria sobre o time, veio uma sequência de três derrotas para Saints, Panthers e Steelers. Agora, a crise parece próxima e o Ravens se vê de frente a um dilema entre o presente e o futuro.

No domingo, antes do crucial jogo contra o Steelers, Ian Rappoport reportou que John Harbaugh, técnico da franquia desde 2008, está sob o risco de perder o emprego se o time não atingir os playoffs nesse ano após uma seca de três anos. Este sentimento já tinha sido trazido pelo dono Steve Bisciotti em uma entrevista coletiva antes da temporada e se acentuou após a derrota para o grande rival. Some a isso o fato de que o GM Ozzie Newsome se aposentará quando 2018 acabar e seu assistente Eric DeCosta assumirá o posto e pode muito bem desejar montar sua própria comissão técnica. Assim, a impressão de que Harbaugh está treinando por seu emprego nos próximos sete jogos é latente.

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No entanto, em uma avaliação técnica e de histórico, este não parece um bom movimento por parte do Ravens. Amplamente considerado um dos melhores treinadores da liga, John certamente encontraria emprego como head coach em outra franquia sem precisar se esforçar. Um ótimo líder e de grande capacidade de gerenciar elencos, seus times estão constantemente bem preparados. Em sua décima primeira temporada no comando da equipe, tem retrospecto de 98-69, com seis viagens aos playoffs, três finais disputadas e o título do Super Bowl XLVII, o único que disputou até o momento.

Por outro lado, pesa contra ele o fato de não ser um especialista em ataque ou defesa. Por ter sido coordenador de special teams do Eagles durante a passagem de Andy Reid pela equipe, ele pouco se especializou nas unidades que dominam as ações no futebol americano. Isto faz com que dependa excessivamente dos coordenadores que escolhe e nem sempre é possível acertar nestas decisões. Também o torna sujeito a instabilidade quando precisa demitir um de seus técnicos ou um deles assume um cargo em outra franquia. Assim, uma vez que não chama jogadas, seja no ataque ou na defesa, perde uma parcela de valor, mas que já mostrou em diversas situações que é capaz de atenuar.

Apesar deste ser o principal dilema do Ravens no momento, outros podem ser citados como relevantes na situação atual do time. Primeiramente, cabe o questionamento se o elenco montado por Ozzie Newsome é realmente o suficiente para levar a equipe a uma corrida profunda nos playoffs. A defesa é completa e, apesar de ainda faltar um LB capaz de cobrir TEs no meio do campo, certamente tem nível de playoffs. Já no lado ofensivo, ele revolucionou o grupo de recebedores, com 3 novos WRs via Free Agency, com papéis importantes por enquanto, sobretudo John Brown, que foi uma das melhores contratações da offseason. Também contribuem dois TEs que foram selecionados no último Draft.

No entanto, a OL ainda apresenta problemas, seja com lesões, com instabilidade ou alguma falta de talento. O ataque terrestre não está funcionando, com Alex Collins precisando atravessar contato no backfield frequentemente. A posição de C é a de maior carência, com Matt Skura não se provando um jogador de nível de NFL e comprometendo a equipe em diversas situações. Como se não bastasse isso, diversos atletas do setor estão machucados, como James Hurst, Bradley Bozeman, Alex Lewis e Ronnie Stanley, embora nenhuma das situações preocupe a longo prazo. Vale dizer que Orlando Brown tem feito um ótimo trabalho desde que virou o RT titular com a lesão de Hurst.

Com a proteção deixando a desejar, Flacco precisa mostrar mais mobilidade. Embora esteja mais saudável e se movimentando melhor no pocket, esta não é sua principal característica e nem deve ser o ponto focal de seu jogo. Por isso, por mais que esteja em uma temporada boa, apresenta momentos em que é forçado a tomar decisões apressadas ou realizar passes com a base comprometida, o que leva a alguns erros drásticos. Junte isso ao jogo de corridas não estar funcionando como o esperado e tem-se um ataque que melhorou, mas ainda tem muito a evoluir.

Isto nos leva ao último dilema desse texto. Após uma troca para cima com o Eagles, o Ravens selecionou o QB Lamar Jackson com a trigésima segunda escolha geral do Draft. Desde o momento em que subiu no palco como novo jogador da franquia, muito se discute sobre quando ele terá a oportunidade de ser o titular. Flacco vinha de temporadas ruins e tem um dos piores contratos da liga, enquanto um vínculo de quarterback calouro costuma ser uma das grandes vantagens competitivas na NFL.

Ao longo dos treinos antes da temporada, passou a ser discutida a possibilidade de Lamar e Flacco atuarem ao mesmo tempo. Isto de fato tem acontecido, com Flacco famosamente alinhando emburrado como WR e Lamar como QB em jogadas que quase sempre terminam como corridas. Estas chamadas têm sido extremamente previsíveis e pouco adicionam ao ataque, então o torcedor deseja saber quando Jackson terá um tempo maior em campo.

Com o time em uma situação de vida ou morte em seu duelo de divisão na semana 11 contra o Bengals, parece pouco provável que uma comissão técnica que está de costas para a parede puxe o gatilho em uma mudança de QB nesta rodada de folga. Ainda mais quando se considera que Lamar é um QB ainda cru e Flacco tem se apresentado de maneira digna e dado uma chance para o time vencer nesse ano. Dessa forma, o palpite é que, caso o resultado contra Cincinnati seja negativo, Jackson será o titular na semana 12 com um time quase eliminado da concorrência.

A folga na semana 10 é um momento crucial para que o Ravens realize ajustes, melhore sua comunicação e consiga fazer um jogo de alto nível contra o Bengals.  Se sair derrotado, Baltimore ficará com campanha de 4-6 e em situação muito complexa para ter uma chance de conquistar uma vaga no wildcard da AFC. Assim, a franquia vive uma série de dilemas que devem ser respondidos nas próximas semanas, seja sobre a posição de QB, a incerteza de um novo GM, um elenco bom, mas talvez não o suficiente, e um técnico apontado por muitos como um dos melhores da NFL, mas que corre riscos pela falta de resultados recentes. Agora, nos resta aguardar os próximos capítulos.


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