terça-feira, 7 de abril de 2020

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Vivemos o período pré-Draft da NFL, que normalmente é marcado pelo fato de prospectos e olheiros cruzarem os EUA para testes físicos, mentais e entrevistas frente-a-frente que buscam obter o máximo de informações possíveis sobre um jovem talentoso e prestes a ficar milionário. Este processo vital obviamente foi sacrificado em decorrência do risco de propagação do Covid-19  pelo território norte-americano, com o Combine da NFL (realizado em Fevereiro) sendo o principal meio de obtenção de informações sobre os jogadores, com um Draft realmente muito diferente do que estamos acostumados se preparando para tomar parte no final deste mês.

Se por um lado o Draft indica a injeção de talento e jovialidade em um elenco necessitado e sedento por isto, por outro lado representa que antigos jogadores que por anos defenderam as cores da franquia ficarão sem emprego para a próxima temporada, em favor desta infusão de jovens atletas no elenco que disputará a temporada regular em Setembro – assim esperamos todos nós.

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Um caso bem concreto desta situação é o Cincinnati Bengals com o veterano QB Andy Dalton. O atleta, recrutado na 2ª rodada do Draft de 2011 teve um começo muito promissor na carreira, guiando o Bengals à quatro classificações seguidas para os playoffs nos quatro anos iniciais de carreira, então vindo de TCU. Contudo, tanto seu desempenho quanto o talentoso elenco da franquia de Ohio foram se dissipando nos últimos anos até que o fundo do poço foi atingido na temporada passada: apenas duas vitórias em toda a campanha – inclusive com Dalton perdendo (depois recuperando) a titularidade no processo.

O desempenho caótico na temporada de 2019 rendeu o time um “prêmio”: a primeira escolha geral no Draft de 2020 e com isso a chance de recrutar o mais talentoso prospecto elegível que atuou na última temporada do College Football. Com isso, a equipe terá a chance de dar nova vida à posição de Quarterback e tem o jogador perfeito para esta missão.

Joe Burrow, de LSU, é protótipo perfeito. Nasceu em Ohio, foi recrutado por Ohio State (depois se transferiu para LSU após se formar) e simplesmente vem da melhor temporada da história para um atleta da posição: 5671 jardas aéreas, 60 passes para TD, rating de 202 e 76,3% dos passes completos na temporada invicta de LSU – os passes para TD e rating são recordes históricos da NCAA e ganhou virtualmente todos os prêmios possíveis, incluindo o Troféu Heisman, dado ao melhor jogador.

Enfim, é o casamento perfeito entre Bengals e Burrow, certo? Mas o “antigo marido” do Bengals ainda mora na mesma casa. Segundo o Spotrac, Andy Dalton tem mais um ano de contrato com a franquia e está previsto para receber U$ 17,5 milhões como salário base na próxima campanha mais U$ 200 mil em incentivos de treinamentos. Vale destacar que nenhum centavo do valor é garantido, ou seja, o Bengals pode escolher dispensá-lo sem nenhum impacto do teto salarial, pagando tais cifras somente se optar por permanecer com o veterano em seu elenco.

Isto dá uma tremenda flexibilidade para a comissão técnica comandada por Zac Taylor e eles pretendem se aproveitar. Dentro do cenário da NFL é quase certo que o Bengals recrutará Burrow com a 1ª escolha geral do Draft e, já com 24 anos de idade, não se faz tamanho investimento em um jogador tão talentoso e aparentemente preparado para deixá-lo no banco de reserva em favor de um veterano que iniciará a nona temporada como profissional – e que pode sair na próxima temporada sem render qualquer tipo de compensação para o Bengals, então é basicamente garantido que Burrow iniciará a próxima temporada como titular da equipe.

Equipes como Chargers, Dolphins e Patriots tem enormes dúvidas na posição de Quarterback e parecem estar esperando o Draft para saná-las, mas após Burrow, não há nenhum atleta tão preparado para assumir as rédeas de uma franquia logo na primeira semana. Tua Tagovailoa, Justin Herbert e Jordan Love são nomes bem interessantes mas principalmente o terceiro pode exigir um período maior de adaptação do que apenas os cinco meses que nos separam da abertura da temporada, então uma troca para que Dalton sirva como uma “ponte” entre a transição para um Quarterback jovem também pode ser analisada por aqui. Embora o Patriots já tenha declarado que não tem interesse em nenhum Quarterback veterano neste momento, nunca devemos minimizar a importância de um atleta com experiência de playoffs (mesmo que meia década removida das aparições) disponíveis no mercado.

Há de se analisar o que Dalton pensa desta situação toda, também. Isto é, se para ele parece bastante plausível receber U$ 17 milhões para ser reserva na temporada, sendo ele responsável por acompanhar e orientar a transição da franquia para o novo Quarterback titular presente em Joe Burrow, ou se há nele uma chama incessante que o levará à busca pela titularidade em alguma outra franquia, o que ao que tudo indica, não acontecerá pelo Bengals.

Meu palpite é que durante ou após o Draft o Bengals será procurado por outras equipes interessadas em Dalton. Um acordo poderá ser costurado durante o evento mas, em caso da falta de concordância entre ambas as partes, Cincinnati dispensará o veterano atleta até como uma forma de “gratidão”, isto é, dando a ele a oportunidade de seguir sua vida – algo que a franquia já está fazendo com o garoto-prodígio vindo de LSU.

O que acha? É esperar pra ver.


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