sexta-feira, 23 de agosto de 2019

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Com o andamento da pré-temporada e o início da temporada regular se aproximando, alguns problemas da temporada anterior vem à nossa cabeça. No caso do Seattle Seahawks, o jogo do wild card de 2018 contra o Dallas Cowboys fica na nossa memória como um exemplo de plano de jogo mal concebido. O coordenador ofensivo Brian Schottenheimer fez uma aposta em seu jogo terrestre e negligenciou totalmente seu ataque aéreo e a capacidade de Russell Wilson passar a bola, especialmente no primeiro tempo.

O ataque do Seahawks vem há alguns anos sendo baseado em jogo terrestre, para favorecer a mobilidade e a capacidade de passar em movimento de Russell Wilson. Desde a época de Marshawn Lynch, o ataque de Seattle se aproveita de read options e play actions para Russell Wilson fatalmente ferir o adversário com passes profundos, sendo que a defesa lotava o box para conseguir minimizar os efeitos das corridas de Lynch. Era um dilema para os coordenadores defensivos, pois se lotassem o box, sobrava espaço para os wide recievers. Caso não lotassem, Lynch fazia estrago correndo com a bola.

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Wilson sempre teve esse apoio do jogo terrestre, até mesmo sendo criticado em alguns anos, como 2014, como uma peça que não fazia tanta diferença assim no ataque, já que Lynch carregava o piano. Em seus primeiros anos, Wilson tinha um belo aproveitamento, mas nunca passava das 4000 jardas e 26 touchdowns. A partir de 2015, Wilson teve Lynch baleado e depois aposentado, sua linha ofensiva piorou bastante e seus recebedores foram caindo de produção, se resumindo a Tyler Lockett e Doug Baldwin como recebedores mais prolíficos.

Com a aposentadoria de Lynch, o time de Seattle apostou em Mike Davis e Rashaad Penny, sem sucesso. O sucesso veio com Chris Carson, draftado na escolha 249 da sétima rodada, que teve bastante volume e se tornou o principal carregador de piano em 2018, onde a equipe foi a primeira em jardas corridas, sendo favorecido também pela habilidade de Wilson de ganhar jardas com as pernas, mas na média, o Seahawks foi apenas o quinto em jardas por carregada, o que mostra como as defesas sabem como o ataque de Schottenheimer é baseado em jogo terrestre e lotam o box.

Assim como foi dito anteriormente, a situação de defesas lotando o box era comum em Seattle há muito tempo. A diferença é que as chamadas não aproveitam essa configuração, sendo que Schottenheimer não consegue aproveitar o braço e a mobilidade de Wilson. Muitas vezes o coordenador ofensivo exagera nas chamadas terrestres e subutiliza o braço de Russell Wilson, fazendo com que as médias de jardas por carregada e as estatísticas de Wilson sofram uma queda. Pior ainda, faz o ataque deixar de fluir, fazendo com que produza menos e sobrecarregue a defesa, custando ao time, algumas vitórias na temporada.

Para 2019, Schottenheimer precisa entender a necessidade e os momentos corretos de chamar os play actions e as jogadas de passe, até para que ajude a produção de seu ataque e favoreça o jogo terrestre, fazendo com que os coordenadores defensivos pensem duas vezes antes de lotar o box a todo momento do jogo. Wilson, que era um quarterback móvel que aproveitava muito bem as situações favoráveis a seu jogo, num quarterback elite candidato a MVP em todo início de temporada e seu braço não pode ser subestimado. A escolha do wide reciever DK Metcalf tem muito a ver com a necessidade da evolução do jogo aéreo e de incomodar a secundária com rotas em profundidade, fazendo com que os safeties tenham que auxiliar na marcação do fundo do campo e não joguem tão perto do box.

Para finalizar, o modo de reconstrução de um time vencedor na década, com o quarterback mais bem pago da liga no elenco, a defesa é parte importante, mas o rendimento do ataque pode ser a chave para o time voltar a ser um dos postulantes ao Super Bowl. Melhorar as chamadas e aproveitar melhor o braço de Russell Wilson, tão subestimado outrora, podem ser determinantes para a evolução da unidade ofensiva e justificar os 35 milhões de dólares pagos a Wilson nesta última intertemporada. Para Schottenheimer, a ausência de Doug Baldwin será sentida, mas a criatividade na hora de chamar as jogadas é um dos fatores que podem fazê-lo ter sucesso, mas a falta dela pode lhe custar o emprego para a temporada 2020.

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