quinta-feira, 11 de abril de 2019

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Nas últimas semanas tem sido noticiado um grande interesse do Arizona Cardinals no quarterback Kyler Murray, sobretudo por declarações do novo HC da equipe, Kliff Kingsbury. Todavia, analisando todas as circunstâncias, resta claro que é improvável o GM Steve Keim sair da war room no dia 25 de abril com o nome do QB selecionado.

A primeira escolha geral é o momento mais esperado de qualquer draft, visto que, teoricamente, o melhor jogador daquela classe sairá para fazer impacto imediato na NFL. Existe somente uma posição que supera o melhor jogador do draft e tem uma grande incidência de sair na #1: quarterback.

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Ao observar os últimos anos, entendemos como a supremacia dos QBs é predominante na escolha mais importante do recrutamento. Desde 2015, somente Myles Garret, DE do Browns, foi um não signal caller selecionado com tal pick, isso porque ele era considerado um prospecto de talento único e que não poderia ser passado, sendo taxado como futura primeira escolha desde seu ano de calouro na universidade Texas A&M. Portanto, não havia como o Cleveland Browns fugir dessa escolha – apesar de ser o Browns. Se esticarmos a comparação para os últimos 10 anos, vemos um panorama similar, com somente 3 não-QBs sendo escolhidos.

Então, sempre que há qualquer rumor sobre o interesse de algum time por um quarterback, a primeira reação da imprensa e analistas é colocá-los acima de todos, ainda que não sejam, de longe, os melhores prospectos da classe.

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Esse é o caso do ex jogador de Oklahoma. Fontes alegaram que, antes de assumir a equipe do Arizona, Kliff Kingsbury, até então HC da universidade Texas Tech, disse que, se tivesse a primeira escolha geral, sem dúvidas selecionaria o atual vencedor do troféu Heisman. Entretanto, o contexto desta declaração é completamente diferente do vivido atualmente por Kliff, não fazendo sentido tomar como premissa verdadeira a qualquer momento uma alegação feita pelo treinador enquanto no college e não, ainda, na NFL.

No último draft, o Arizona Cardinals subiu até a escolha 10 para selecionar Josh Rosen. O jovem produto de UCLA viria para ser o QB da franquia para os próximos anos. Steve Keim selecionar outro jogador da mesma posição em um draft seguinte só estaria dando um tiro no próprio pé e falando, indiretamente, que seu trabalho com prospectos é ruim.

Rosen não teve uma primeira temporada espetacular, mas era só um calouro jogado no meio do que, para muitos, era o time com menos talento na liga. Abrir mão de um jogador nessa situação é perder de forma considerável o controle do vestiário, visto que os jogadores da equipe saíram em apoio ao jogador, por o considerarem um bom QB para guiar a franquia nos próximos anos.

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Se não bastasse as questões internas citadas, selecionar o ex Sooners na primeira escolha geral faria o time abrir mão do DT Quinnen Williams e do DE Nick Bosa, os dois melhores jogadores do draft de forma praticamente unânime. A seleção de qualquer um dos dois faria uma diferença absurda na linha defensiva e em toda unidade de modo geral, uma vez que são jogadores de impacto imediato quando pisarem em campo. São as famosas escolhas certas de futuro pro bowlers.

Portanto, só há uma resposta para o rumor que o Cardinals está fazendo em cima de uma suposta seleção de Murray: smoke screen. A cortina de fumaça no draft é caracterizada por um time agir de uma maneira, de forma a todos os outros times esperarem que no momento da escolha virá um nome, e na realidade acontece algo completamente diferente, e, por isso, os outros times acabam atrapalhados e frustrados para o decorrer do draft.

Um motivo para acreditar que a cortina de fumaça é real, é o fato de a segunda escolha geral ser do San Francisco 49ers, rival direto do Cardinals na divisão. Atrapalhar o planejamento da equipe da costa oeste e poder selecionar o melhor jogador do draft somente por ter um rumor de escolher outro é uma situação extremamente confortável para o time de Pheonix. Por não saber se Murray estará disponível na segunda escolha, a equipe californiana não pode agilizar um possível troca com um time realmente interessado em QBs, e se por algum motivo o jogador for selecionado com a primeira escolha, o GM John Lynch terá menos tempo para decidir o que fazer, pois ainda terão outros quarterbacks no board e times interessados, além de Bosa e Williams disponíveis.

Por todo o exposto, fica simples entender o porquê do Cardinals se colocar na situação em que está atualmente. Uma tranquilidade para a sua sala do draft. Caos para a dos oponentes. O um cenário perfeito para selecionar o melhor jogador do draft, quem quer que seja, e que muito provavelmente não será um quarterback.

 

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