sexta-feira, 22 de março de 2019

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No mundo da NFL, as equipes estão em contante evolução e estado de mudança. A certeza que de tudo pode mudar drasticamente de um ano para o outro é a única certeza que gerentes e técnicos carregam na dura missão de compilar 53 jogadores que convivam em harmonia e demonstrem vontade de vencer em conjunto – é uma constatação difícil, mas é nesta missão que os bilionários proprietários justificam o cheque no final do mês para aqueles designados à montar um elenco vencedor dentro da NFL.

O Indianapolis Colts, por sua vez, está no meio de um processo que pode resultar em algo especial para os combalidos fãs da equipe, e está sendo muito paciente com isto. Diga-se através de seu GM, Chris Ballard, que parece ir na contramão de tudo aquilo que se tornou comum na NFL: times oferecendo caminhões de dinheiro para os mais badalados free agents, garantindo milhões de dólares anuais à atletas que renderam de forma absurda em um determinado esquema ou simplesmente estava motivado para tal por se tratar do último ano de contrato. É uma pandemia que parece tomar conta de todos os GMs que a equipe precisa oferecer o maior contrato da história à um determinado jogador – mesmo que ele passe longe de merecer tal marca. Tal “maior contrato da história” durará até a semana seguinte, quando outro GM puxará o gatilho e fará de seu jogador o mais bem pago de todos os tempos da posição.

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De fato, o Colts tinha (e tem) todas as ferramentas para ser o grande carro-chefe deste frenesi anual de contratos. Anualmente a equipe está entre as que mais tem espaço no teto salarial para investir em contratações, já que somente o QB Andrew Luck e o WR TY Hilton realmente tem contratos pesados de digerir dentro do teto salarial, ainda que Hilton não chegue a U$ 10 milhões por temporada. Este ano, por exemplo, a franquia era a única com três dígitos de espaço disponível: eram quase U$ 110 milhões entre o que time paga e o que lhe é permitido pagar anualmente a seus atletas. O fato de ter um QB da franquia estabelecido – tido como um dos cinco melhores, também é um verdadeiro ímã de atletas nesta situação, que vêem o casamento perfeito entre a oportunidade de assinar um lucrativo contrato e ser comandado por um Quarterback que realmente é acima da média.

Mas isto não parece impressionar Chris Ballard. Ao assumir o cargo de gerente geral em Janeiro de 2017, Ballard foi claro em afirmar que sua filosofia de construção da equipe era através do Draft, e que utilizaria a free agency como uma ferramenta para contratações pontuais, que não chamariam a atenção da mídia em geral, mas seriam peças fundamentais na construção de uma base sólida de atletas que colaborassem para uma cultura amigável no vestiário, ou seja, apenas atletas que somariam de todas as maneiras possíveis, inclusive no comportamento.

DE Denico Autry, DT Margus Hunt, CB Pierre Desir, WR Dontrelle Inman, TE Eric Ebron. Algumas contratações nada badaladas após algumas semanas do início da free agency que passaram despercebidas, mas que foram verdadeiros achados de Ballard: Autry liderou o time com 9 sacks na última temporada e foi por duas vezes o jogador defensivo da AFC, Hunt foi uma importante peça no combate ao jogo corrido, Desir foi o CB #1 ao longo de toda a temporada e fez o melhor ano de sua carreira e Ebron por sua vez anotou mais TDs em 2018 que qualquer jogador que não se chame Antonio Brown.

Ballard tem prezado pelo jogo da paciência na hora de reforçar seu time e em 2019 isto não será diferente. Até o presente momento, a equipe trouxe o WR Devin Funchess, que trocou o Panthers em um contrato de um ano que valerá no máximo U$ 13 milhões com incentivos e a principal contratação até agora, o DE Justin Houston que receberá U$ 24 milhões nas próximas duas temporadas. Funchess, assim como Ebron em 2018, chega para tentar alcançar seu potencial máximo na carreira, após anos apenas regulares atuando com Cam Newton no Carolina Panthers. Ele parece ser o complemento ideal para TY Hilton, sendo uma importante peça em situações de terceira descida e também na red zone, graças à seu tamanho e envergadura.

Houston, por sua vez, é discutivelmente a contratação mais interessante de toda a free agency, a constatar seu talento e valor de contrato que receberá. Mesmo que já bata na casa dos 30 anos e nos dois últimos tenha convivido com algumas lesões, ele é o atleta que parece ter o encaixe perfeito na defesa comandada por Matt Eberflus, que penou no final da temporada justamente pela ausência de um atleta capaz de vencer as batalhas mano a mano nas trincheiras. Mesmo que as brilhantes blitzes de Eberflus tenham sido interessantes, faltou este atleta principalmente nos playoffs contra o Kansas City Chiefs, em que o próprio Houston infernizou a defesa do Colts e conseguiu dois sacks além de um fumble forçado. Foram nove sacks em apenas 12 jogos para Houston em 2018 e são 78.5 em oito temporadas com a franquia do Missouri, inclusive incríveis 22 em 2014, ficando a apenas meio sack do recorde histórico da NFL. Houston pode ser o pass rusher situacional perfeito para o Colts.

É claro que Ballard não juntará dinheiro como se estivesse jogando Banco Imobiliário. Ele foi incisivo ao ir atrás de seus próprios jogadores, que promoveram uma verdadeira mudança de patamar da franquia após uma campanha de 4-12 em 2017 passando para um respeitado 10 – 6 em 2017, inclusive com uma vitória em playoff contra o Houston Texans, fora de casa. A equipe reassinou com vários jogadores: K Adam Vinatieri, S Clayton Geathers, OG Mark Glowinskim DE Margus Hunt e o CB Pierre Desir. O WR Dontrelle Inman, importante na parte final da temporada, manifestou publicamente seu desejo de permanecer em Indy e negocia um novo contrato com o Colts, então pode integrar esta lista em breve. De fato, dos 22 atletas que começaram a partida contra o Chiefs nos playoffs de divisão da temporada passada, um total de 21 retornará em 2019 – a única ausência é JJ Wilcox, que foi titular apenas porque Malik Hooker estava machucado naquela altura da campanha.

“Achamos vários jogadores interessantes no mercado e entramos em contato para ver se conseguíamos fechar algo. Apenas não chegamos a um preço que nos fazia sentir confortável com o nível de retorno que estávamos esperando. Todos tem um jeito diferente de construir a equipe. E não sei se tenho o direito de vir aqui e dizer que tal jeito é certo ou errado. Esta é a maneira que acredito e é o caminho que seguiremos. Continuaremos a construir a equipe da maneira que eu acredito ser a certa.”


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