sexta-feira, 12 de abril de 2019

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Há quem diga que na NFL se você tem um Quarterback você na verdade não tem nenhum e se tem dois, você realmente tem apenas um. Este é um ditado realmente válido se pensarmos que temporadas são mudadas a cada snap e a eminente possibilidade de lesão é algo que todos precisam se preocupar neste esporte que tanto amamos, mas que também exige muito física, técnica e psicologicamente mesmo que por apenas dezesseis jogos anuais – a excluir a pós-temporada. Campanhas e aspirações de times correm risco à cada saída do “huddle” ou simplesmente a conferência pré snap. Lesões como a QB Alex Smith do Washington Redskins colocam não apenas a temporada em risco mas também a sequencia de trabalho na década, já que ao perder seu QB titular, o Redskins viu uma temporada promissora se transformar em uma campanha desastrosa e agora na necessidade de recrutar um Quarterback no próximo Draft.

No caso do Indianapolis Colts, há uma certa dor de cabeça “positiva” ao pensarmos no assunto e nas possibilidades do que fazer na tentativa de melhoria da equipe. O QB Jacoby Brissett, que passou a última temporada como reserva do titular Andrew Luck entra no último ano de seu contrato de calouro assinado quando fora recrutado pelo New England Patriots e com isso representa uma enorme dúvida sobre o que fazer com ele.

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Para você que não se lembra, Brissett foi adquirido em 2017 em meio à preocupação da saúde de Luck, que passara por diversos procedimentos cirúrgicos em seu ombro direito – o usado para lançar. Brissett foi titular por 15 jogos na temporada de 2017 de Indianapolis e lançou para 13 TDs contra apenas sete interceptações em todo o período com 58.5% dos passes completos. Se considerarmos o quão ruim era aquele time, o fato de ter obtido quatro vitórias como titular denota que ele tem a capacidade de conduzir um ataque profissional e mais, se cercado de bons talentos em posições de habilidade e também uma linha ofensiva decente, ele pode produzir em um nível aceitável.

Em uma liga que preza cada vez mais pelo passe e consequentemente acaba premiando Quarterbacks, que passam a valer ouro nas mesas de negociação e que raramente acabam indo para a free agency – com raras exceções a cada temporada, Brissett é um caso realmente intrigante. A amostra de seu potencial não é pequena, pois ele já atuou por mais de uma temporada completa se usarmos também a partida que ele atuou como titular pelo Patriots quando Tom Brady estava suspenso e o então reserva Jimmy Garoppolo machucado.

Qual a melhor opção para o Colts nesta altura?

Vimos na temporada passada que nada é garantido e que o panorama da NFL muda radicalmente no ano seguinte (a menos que esteja falando da AFC Leste, esta o Patriots dominará para sempre). O Colts saiu de uma campanha miserável de quatro vitórias para robustas onze vitórias e classificação para os playoffs após perder cinco das primeiras seis partidas da campanha, sendo uma das únicas equipes da história a conseguir tal fato. Ao ter o QB titular definido ao longo da próxima década pelo menos, o fato de contar com um reserva relativamente novo (Brissett tem apenas 26 anos) mas que já tem uma temporada completa como titular no currículo podemos apontar a franquia como aquela que conta com a melhor situação de Quarterbacks da NFL – e que poderia tirar proveito disto.

Franquias como o Tennessee Titans, Miami Dolphins, Washington Redskins, New York Giants e Cincinnati Bengals (cada uma com seus próprios motivos) obviamente precisam de um Quarterback. Munidas de várias escolhas de Draft e com a ânsia de melhorar a posição mais importante de todas, o quão ambicioso seria o plano de não gastar uma escolha de 1ª rodada (algo que seria muito por Brissett), mas sim uma ou duas escolhas de rodadas intermediárias para transformá-lo no QB titular a curto prazo? Assim, a possibilidade de obter um lançador e ainda assim recrutar um talento em outra posição em uma classe absurdamente talentosa de pass rushers e jogadores de linha defensiva parece soar muito bem para alguém que almeje o título de GM do ano.

Para o Colts, porém, a oferta terá que ser tentadora. O GM Chris Ballard declarou que Brissett vale muito mais que apenas um Quarterback reserva. Ele se transformou em um líder dentro do vestiário e é um atleta muito querido por todos, algo vital para aquilo que Ballard busca construir, que é um vestiário saudável na franquia que era a que mais tinha espaço no teto salarial, mas que jamais foi atrás de jogadores como o RB LeVeon Bell e WR Antonio Brown que embora extremamente talentosos são um verdadeiro câncer para a boa convivência dos atletas.

Indianapolis ainda está a três ou quatro atletas de elite de realmente se equiparar com Chiefs e Patriots – as duas principais forças da conferência para 2019. O quão confortável estão ao contar com um plano B estabelecido na função importante comparado ao arrojo de trocar Brissett e com isso apostar tudo em um título nas próximas temporadas – sacrificando este plano B, é a decisão que Ballard terá que tomar nos próximos dias, afinal o Draft está batendo na porta e a noite do recrutamento anual universitário é o palco perfeito para times armarem uma troca envolvendo escolhas de Draft. Coloque isto ao fato que Brissett será um free agent irrestrito ao final da próxima temporada e declarou publicamente que deseja ser titular em alguma franquia – algo que obviamente não acontecerá enquanto Luck for titular do Colts.

A habilidade de Ballard em converter escolhas de Draft em jogadores talentosos capazes de contribuir como calouros – visto a última classe da equipe no Draft combinado com o capital disponível da franquia para o evento é algo animador para a equipe que conviveu nos últimos anos com uma incerteza que pairava todos em Indianapolis. A possibilidade de aumentar esta capital abrindo mão do Quarterback reserva que seria muito bem visto em trocas por escolhas intermediárias é algo que deve ao menos passar na cabeça de Ballard, concorda?


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