sexta-feira, 30 de agosto de 2019

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Uma notícia que abalou o mundo da NFL foi a precoce e repentina aposentadoria do QB Andrew Luck, do Indianapolis Colts, que com apenas 29 anos mas atormentado por diversas lesões nos últimos anos resolveu abrir mão de sua carreira profissional em virtude de seu bem estar ao médio e longo prazo, abrindo mão também de milhões de dólares que ainda tinha direito em seu contrato válido com a equipe de Indiana. Tal decisão sem precedentes na história da NFL não abriu apenas uma discussão sobre a dificuldade dos atletas em viverem uma vida enquanto jogadores de alto rendimento mas também deixou o Indianapolis Colts, um dos favoritos ao título da AFC na temporada que se iniciará, sem uma resposta na posição de Quarterback ao longo prazo. Seu reserva imediato, o QB Jacoby Brissett, está no último ano do contrato de calouro e ao que tudo indica será um free agent irrestrito ao final do próximo ano, podendo assinar com qualquer equipe sem nenhuma recompensa para o Colts, deixando a equipe num verdadeiro limpo na principal posição de um time, algo totalmente inimaginável para a base mais jovem da franquia, que viu a sucessão do lendário Peyton Manning para o próprio Andrew Luck.

Com um time extremamente jovem e igualmente talentoso sob a batuta do HC Frank Reich e do GM Chris Ballard, o Colts está em uma situação extremamente exótica que nos leva a pensar: estaria sendo discutida a possibilidade do time “perder” jogos de propósito na temporada que se iniciará, apenas para conseguir uma posição favorável no próximo Draft e aí sim recrutar seu próximo grande Quarterback vindo do futebol americano universitário? Nomes como Justin Herbert de Oregon, Tua Tagovailoa de Alabama e mesmo Trevor Lawrence de Clemsom (este um sonho mais utópico para a base de fãs) saltam aos olhos dos torcedores de Indiana, até desacostumados com uma turbulência na principal posição de um elenco.

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Para aqueles que acompanham a NFL há um pouco mais de tempo, vale o destaque ao que aconteceu na temporada de 2011. O cenário, muito diferente de hoje, teve ramificações que mudaram para sempre a história da NFL. O lendário QB Peyton Manning tinha uma incômoda lesão no pescoço que após quatro cirurgias não pode ser corrigida e, com a saúde a longo prazo em risco, não atuou pela temporada de 2011 do time que havia disputado o Super Bowl apenas duas temporadas atrás (em 2009) – e perdido para o New Orleans Saints. Sem seu principal atleta, o time alternou a titularidade na posição de QB entre jogadores como Curtis Painter, Dan Orlovsky e Kerry Collins, sendo a campanha de 2-14 extremamente vergonhosa mas que por outro lado “recompensou” a franquia com a 1ª escolha do Draft de 2012 e assim a possibilidade de recrutar o QB Andrew Luck, então um prospecto de Stanford tido como o melhor atleta a se profissionalizar desde o próprio Manning em 1998.

Então, o que a franquia fará na temporada que se iniciará? Há algumas diferenças cruciais entre ambas as equipes.

Base envelhecida x núcleo jovem

O time de 2011 do Colts não era nem de perto vasto em diversas posições como a equipe de 2019. Os pilares da equipe já estavam na vanguarda da carreira como o RT Ryan Dien, WR Reggie Wayne, MLB Gary Brackett e o SS Bob Sanders – todos já com mais de 30 anos de idade na temporada em que Manning não atuou. Tal base nada pode fazer frente a um péssimo desempenho na posição de QB e a franquia foi ganhar os primeiros jogos já no final de novembro – flertando com uma temporada sem vitórias. Já em 2019, a jovem base formada principalmente por jogadores recrutados no Draft de 2018 denota que o futuro nas posições de habilidade é realmente brilhante para a equipe. RB Marlon Mack, WR Parris Campbell, OG Quenton Nelson, LB Darius Leonard e FS Malik Hooker são apenas alguns dos jogadores que sequer tem 25 anos de idade e tem ainda vários e vários anos atuando em alto nível dentro da NFL, então em situações normais de temperatura e pressão, seriam capazes de guiar seu time a algumas vitórias mesmo com uma queda de rendimento na posição de QB, embora uma queda não muito grande, é verdade.

A situação não é nova para Frank Reich

Perder seu Quarterback titular em um ponto crucial não é algo que Reich enfrentará pela primeira vez. Enquanto coordenador ofensivo do Philadelphia Eagles há duas temporadas, Reich teve que contornar a ausência do QB Carson Wentz na parte final da temporada e playoffs, já que o então candidato ao prêmio de MVP da temporada regular teve uma lesão já nos mês de dezembro, o último da temporada regular. Seu reserva, o QB Nick Foles, precisou adentrar na situação de titularidade e o resto, como bem sabe, é história. Foles teve um desempenho extraordinário principalmente nos playoffs e no Super Bowl 52 contra o New England Patriots, rendimento inclusive que lhe rendeu o prêmio de MVP da principal partida da temporada. Não se espera que Brissett se torne um MVP da temporada regular e que lance para 5000 jardas, mas sim que Reich, agora comandante principal do Colts, consiga extrair o melhor desempenho de seu veterano e agora novo Quarterback titular ao longo da temporada. O elenco de apoio – linha ofensiva, recebedores e corredores, estará lá, então cabe à dupla Brisett e Reich se adaptar rapidamente.

O time é muito bom para ganhar poucos jogos

Este atual elenco do Colts é uma verdadeira prova que cenários podem mudar totalmente em pouquíssimos anos. Se pensarmos que desde que Ballard assumiu o comando da montagem do elenco em Janeiro de 2016 restam pouquíssimos jogadores como TY Hilton, Anthony Castonzo e Adam Vinatieri, ter uma transformação tão rápida do elenco em todos os setores denota o talento do comandante em compilar o maior número de talento possível. Ameaçar empregos de jogadores e comissão técnica em um ano inteiro “perdido” buscando perder de propósito apenas para recrutar um Quarterback novato parece não apenas algo impensável para este time, mas também improvável devido ao alto número de jogadores jovens e igualmente talentosos, sedentos por um lugar ao sol. Ao mesmo tempo, jogadores veteranos como o DE Justin Houston e o WR TY Hilton, uma bandeira da franquia, não parecem tão dispostos a perderem um ano completo de suas carreiras somente na busca por uma posição favorável à recrutar um Quarterback calouro – sem nenhuma garantia de replicar um bom desempenho obtido no College entre os profissionais.

Frank Reich é um verdadeiro competidor

Não podemos criticar o coração de Reich. Vale destacar que ele foi um Quarteback da NFL na década de 1980 recrutado pelo Buffalo Bills, embora tendo servido como um reserva do lendário Jim Kelly durante praticamente toda a carreira. Ainda assim, Reich simplesmente protagonizou a maior virada da história da NFL nos playoffs de Wild Card da temporada de 1992. Seu time perdia para o Houston Oilers (hoje Tennessee Titans) por 35 x 3 no terceiro quarto quando ele guiou a equipe a uma vitória na prorrogação por 41 x 38. A diferença tirada de 32 pontos foi a maiores que o esporte já viu, seja na temporada regular ou em playoffs. Não podemos simplesmente pensar que ele aceitaria de livre e espontânea vontade colocar seu emprego e de sua comissão técnica em risco somente pela possibilidade de recrutar um Quarterback.

Enfim, o Indianapolis Colts passa de postulante à Super Bowl para uma verdadeira incógnita na temporada regular de 2019. Ter uma núcleo jovem de talento comandado por um Quarterback que até apresentou um desempenho satisfatório quando jogado aos leões na temporada de 2017 (três mil jardas com sete interceptações lançadas mas apenas treze passes para TD), denota que esta equipe é talentosa demais para ter a primeira escolha de Draft quando há outros times com muitos mais buracos no elenco que apenas a abrupta ausência do jogador titular. Fato é também que uma era muito prolífica na posição de Quarterback se finda para a combalida franquia, com um final melancólico para a torcida, isto é verdade. Se pensarmos que entre Peyton Manning e Andrew Luck, o Colts teve quase vinte temporadas de sucesso na posição de Quarterback e tudo isso rendeu duas aparições no Super Bowl (e um título). Se pensarmos que o Denver Broncos – que contratou Manning na vanguarda de sua carreira, venceu mais Super Bowls (foram dois) que a própria franquia de Indianapolis, temos o tamanho do “desperdício de potencial”, se analisados somente a quantidade de títulos, concorda?


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