quarta-feira, 14 de outubro de 2020

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Justin Herbert foi um dos jogadores mais polarizadores da última classe do Draft. Houve quem afirmasse que ele era o melhor quarterback de 2020, enquanto outros apontavam ele como um bust certeiro, que só chamava atenção pela altura e pela força no braço. Independentemente de apontar quem estava certo ou errado no processo de avaliação, as primeiras 4 partidas de Herbert na NFL têm sido bem impressionantes e hoje vou analisar como as coisas estão se desenvolvendo para o jogador do Los Angeles Chargers na sua primeira temporada como profissional.

Herbert foi um quarterback de bastante destaque em Oregen, muito pela capacidade de lançar bolas longas e por possuir o “protótipo ideal” do quarterback da NFL, com 6’6” de altura (1,98 metro). Vimos quarterbacks mais baixos de muito sucesso nos últimos anos, como Drew Brees e Russell Wilson, mas não dá pra negar que o tamanho de Herbert e a força no seu braço são uma bela vantagem para um jogador da sua posição.

Ele também virou notícia na faculdade ao decidir retornar para o seu 4º ano para poder jogar junto do irmão, Patrick, e acabou tendo uma temporada de 2019, de certa forma, decepcionante. Nenhuma grande melhora e o crescimento de Joe Burrow e Tua Tagovailoa o fizeram cair para o posto de terceiro quarterback no draft e a sua escolha na 6ª posição geral foi bem questionada.

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Como era esperado em um ano sem jogos de pré-temporada e com a preparação atrapalhada por conta do coronavírus, Herbert começou 2020 como reserva de Tyrod Taylor, um QB veterano e com claras limitações, mas que é um excelente líder e game manager.

Mas o destino não estava tão ao lado de Taylor, que teve o seu pulmão perfurado pelo médico do Chargers momentos antes do jogo da semana 2 contra o Kansas City Chiefs. Com isso, ele não pode jogar e Justin Herbert tomou o seu lugar. Por não ter nenhuma preparação para a partida e pela inexperiência, Herbert chamou a atenção com uma boa atuação contra os atuais campeões, com direito a um touchdown corrido e outro passado. Junto com a forte defesa do time ele forçou o Chiefs a prorrogação e chegou a ter chances reais de vencer o confronto.

Com Tyrod Taylor ainda de fora ele continuou como titular e teve boas atuações contra Panthers e Buccaneers, totalizando 931 jardas aéreas, 5 TDs passados e mais 1 corrido nesses 3 primeiros jogos.

Dois pontos de questionamentos em cima do seu jogo foram rapidamente esclarecidos nessas primeiras partida. O estilo de jogo em Oregon, que explorava pouco o seu braço forte por dar preferencia para passes curtos e em screen, não parece ser um problema nesse momento. Principalmente enquanto Ekeler esteve em campo, ele usou sim os passes para o seu running back, mas em situação propícias e até necessária, ele lançou bolas lindas e longas para seus wide receivers que fizeram a festa, como nesse passe para Jalen Guyton:

https://twitter.com/ChargersBrawl/status/1312967959539662848

Outro ponto que levantava dúvidas era a diferença nas formações. Em Oregon ele atuava quase sempre no shotgun, enquanto na NFL muitos ataques começam com ele under center, o que necessita de uma cadência e de uma sequência de movimento bem diferentes de quando você está a alguns passos da sua linha ofensiva. Ele ainda fica mais confiante no shotgun, mas já não é possível dizer que ele esteja 100% desconfortável em situações que ele vivenciou menos na faculdade.

Além disso, ele mesmo admitiu uma dificuldade ao chamar jogadas, já que a complexidade das chamadas da NFL é muito maior, quando comparada ao College, principalmente para um time como o de Oregon que ataca muitas vezes sem huddle (aquela reunião para que as instruções sejam passadas) e que conta com a comissão técnica como parte importante da chamada de vários ataques. Essa é uma dificuldade natural que muitos quarterbacks calouros têm, mas por enquanto não tem atrapalhado de maneira significativa o desempenho de Herbert, apesar do desconforto inicial.

A capacidade dele de correr em situações de colapso do pocket, não em um nível Lamar Jackson, mas com uma boa desenvoltura, é algo que também tem chamado a atenção. Tanto é que o time está começando a desenhar jogadas de zone read para que ele seja utilizado como essa dupla ameaça em tentativas controladas durante o jogo.

Ele já estava angariando bons comentários depois desses 3 primeiros jogos, até que chegou a belíssima atuação no Monday Night Football dessa semana, fora de casa contra o New Orleans Saints.

Todos os jogos de prime time carregam uma carga emocional ainda maior e vencer Drew Brees e cia. no Super Dome tem sido das tarefas mais difíceis nos últimos anos. No entanto, no primeiro tempo, Herbert parecia o veterano jogando em casa, enquanto Brees sucumbia do outro lado. Com muita presença de pocket, um excelente processamento da defesa e muita personalidade ele passou para 109 jardas e 3 touchdowns na primeira etapa, deixando o seu Chargers na liderança por 20 a 10.

No segundo tempo, junto com o resto do time, ele caiu de produção, mas conseguiu duas ótimas campanhas na reta final e além de anotar mais um TD, colocou o seu kicker em posição para vencer o jogo, mas ele acabou falhando na hora do chute.

Na prorrogação, Herbert não conseguiu avançar o time o suficiente para tentar um novo field goal que empataria a partida, mas no geral o saldo desse jogo é incrivelmente positivo. Tanto é que ele se tornou o primeiro quarterback calouro a passar para 4 touchdowns no MNF.

Entretanto é preciso fazer algumas ressalvas, já que obviamente ele não tem sido perfeito, até porque ele não venceu nenhum jogo ainda como profissional, mesmo que essa culpa precise ser repartida com o restante do time. Tanto no jogo contra o Bucs, quanto no jogo contra o Saints, ele começou muito bem, mas teve uma queda de rendimento considerável que deu brecha para que Brady e Brees fizerem as viradas. Apesar de demonstrar muita compostura, ele parece até então estar se acostumando com esses momentos de maior pressão e ainda precisa encontrar formas de manter o seu time a frente no placar depois de abrir boas vantagens.

As interceptações também tem sido um problema. Como disse, ele é muito confiante e em algumas ocasiões isso garante passes espetaculares, como esse para Tyron Johnson:

No entanto, em outros momentos pode se transformar em erros crassos, como nesse passe que foi interceptado pela defesa do Panthers

Em linhas gerais o começo da trajetória de Justin Herbert na NFL é bem animador. Confiante, ousado e com uma evolução visível a cada partida, ele parece já ter de cara eliminado algumas das dúvidas que analistas viam em seu jogo saindo do College. O seu processamento mental, a sua movimentação no pocket e o seu braço forte e preciso já são bem mais efetivos do que muitos esperavam para esse momento da temporada. No entanto, ainda é preciso ter muita cautela com ele. Como já destaquei, ele ainda oscila muito, alternando excelentes passes com tentativas totalmente despropositadas. Nos próximos meses e anos vai ser interessante acompanhar a sua evolução a perceber se ele será capaz de minimizar esses erros e aprimorar ainda mais as suas virtudes. Caso contrário, ele pode se apaixonar demais pelas suas capacidades como passador e ficar estagnado. Para se tornar o excelente quarterback que vimos ele tendo flashes nessas 4 primeiras partidas, Herbert precisa continuar trabalhando duro e elevar o seu jogo, mas os primeiros sinais são bem otimistas para a torcida do Chargers que parece ter encontrado logo de cara o substituto de Philip Rivers.

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