segunda-feira, 3 de junho de 2019

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Meu caro amigo leitor, torcedor antes de tudo, direciono meu primeiro pensamento e questionamento a você, independente da realidade e qualidade da secundária de seu time, você gostaria de contar hoje, em seu elenco, com um jogador na posição de safety que acumulou, nas últimas duas temporadas, as seguintes estatísticas: 158 tackles totais combinados, 17 passes defendidos/desviados, 08 interceptações e ainda 01 fumble forçado? Tudo isso em 30 jogos disputados, ou seja, o atleta só não disputou duas partidas possíveis.

E se eu te disser que ele tem apenas 26 anos de idade (completará 27 nesse mês de junho) e até o presente momento, dia 03 de junho de 2018, ainda é um agente livre? Acredito que tais informações, por si só, já atrairiam muito sua atenção, contudo, isso não parece ser suficiente para que General Managers ou mesmo Head Coachs dos times da NFL voltem seus olhares e intenções, nesse momento, para dar uma nova oportunidade a Tre Boston, que é a figura detentora dos dados supracitados.

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Inicialmente, cumpre analisar e discorrer sobre toda a carreira do jogador, que mesmo já sendo experiente, não é tão longínqua assim, uma vez que foi draftado em 2014, pelo Carolina Panthers, na quarta rodada do Draft daquele ano, vindo da Universidade de North Carolina. Boston não era um jogador que despertava tanta atenção ao longo daquele processo, mas tinha uma produção interessante no College, principalmente no número de turnovers, além de possuir uma interessante versatilidade, pois tinha experiência jogando não somente como safety, mas também como cornerback. Ainda que não fosse um atleta de elite, conseguiu obter alguns números interessantes no combine, capazes de garantir uma posição e mostrar que ele tinha as ferramentas atléticas, além do bom tamanho, para efetivamente jogar na NFL.

Em seu primeiro ano, mesmo convivendo com alguns problemas físicos, o jogador conseguiu ter um desempenho regular, atuando por 11 (onze) partidas na temporada, 05 (cinco) delas como titular e contribuindo além do que somente com times especiais, ajudando de fato a unidade defensiva. Após um segundo ano muito complicado para o jogador, onde não teve muito espaço e pouquíssimo impacto na campanha que culminou com disputa do Super Bowl 50, finalmente veio sua primeira temporada de maior destaque, em 2016, tendo sido titular a maior parte dos jogos e conseguindo desempenhar de uma maneira sólida, embora tenha terminado aquela campanha no IR – injure reserve. Esse talvez tenha sido um dos principais fatores para que o Panthers tenha dispensado Boston em maio de 2017, antes mesmo do quarto ano de seu contrato de calouro, decisão equivocada ao meu ver, pois o jogador dava mostras de evolução e desenvolvimento em seu jogo, algo que foi devidamente confirmado ainda em 2017, já com o seu novo time, enquanto o Carolina convive com dificuldades e instabilidade na posição até os dias de hoje.

Tre Boston em ação ainda pelo Carolina Panthers

O referido time que assinou com o atleta foi o Los Angeles Chargers, pouco mais de 10 (dez) dias após Tre Boston ter sido dispensado, contrato de um ano e de valor ínfimo, que não chegou nem mesma a $1 milhão de dólares e mostrou-se, ao longo do ano, uma verdadeira barganha. Titular durante toda a temporada, o jogador teve papel importantíssimo na campanha de recuperação do Charges, que quase resultou numa ida aos Playoffs via Wild Cards. Participou diretamente da fortificação e desenvolvimento da secundária da equipe que se estabeleceu como uma das mais fortes e perigosas da liga.

Tal papel e desempenho, ainda assim não foi suficiente para que a equipe da Califórnia lhe oferecesse um novo contrato, pois tinham outras prioridades com o CAP salarial, além de abordarem o reforço na posição via Draft, com a chegada do espetacular Derwin James. Desse modo, Boston tornou-se uma das “vítimas” do estranho e desalvoradíssimo mercado de safeties free agents em 2018, onde vários jogadores da posição ficaram sem time por muito tempo e não conseguiram assinar contratos de valores relevantes, nem mesmo os mais valorizados daquela classe, podemos citar vários em posição e com destinos parecidos, Morgan Burnett, Kenny Vaccaro, Eric Reid (sabemos que nesse caso, possivelmente existisse algo mais, ok), George Iloka, Reggie Nelson, até Tyrann Mathieu e vários outros.

Tre Boston jogando pelo Chargers, no ano de 2017.

Incrivelmente, Tre Boston só arrumou um novo emprego e local para atuar em 2018 já no dia 27 de julho, quando assinou com o Arizona Cardinals. Mais uma vez para ele um novo começo, numa nova defesa, novos companheiros, novo sistema e uma situação extremamente difícil no Arizona, com uma unidade extremamente enfraquecida e confusa, mas que ainda assim não abalou ou reduziu seu desempenho individual, que foi similar a 2017 em termos de números, sendo um dos pouquíssimos pontos positivos na defesa do Cardinals.

Mais uma vez free agent, surpreende muito o fato do jogador a essa altura da offseason não ter um time para jogar em 2019, ainda mais com a reaquecida que o mercado de safeties deu nesse ano, com a assinatura de vários jogadores em contratos mais valiosos e de múltiplos anos. Evidente que não dá para comparar ou pedir uma situação similar à de outros “atletas elite” da posição, como Earl Thomas, Adrian Amos, Tyrann Mathieu ou Landon Collins, porém, o produto de North Carolina, pela sua idade, no auge da forma física e principalmente pelo seu desempenho, merecia mais atenção e valorização do que inúmeros outros atletas já empregados até aqui, alguns com contratos até elevados e de mais de um ano de duração inclusive, como Kenny Vaccaro, Tashaun Gipson, Morgan Burnett, Antoine Bethea, HaHa Clinton-Dix, Kentrell Brice e até mesmo Eric Weddle, além de vários outros.

Com tudo o que jogador apresentou, sobretudo nas últimas duas temporadas, onde atuou com treinadores, sistemas, companheiros e situações bem diferentes, tendo contato com os playbooks e os próprios times numa fase já mais adiantada do que o natural e o ideal e ainda assim se destacando, colocando números, boas avaliações pela PFF e analistas, sendo de fato muito bom dentro de campo, seja jogando no box, mais próximo a linha de scrimmage ou ficando mais profundo na cobertura, trazendo e cumprindo a versatilidade que a posição atualmente pede, é inexplicável o fato de ainda não ter sido contratado.

Fico extremamente curioso em imaginar o safety indo para o seu segundo ano numa equipe onde tenha jogado a temporada anterior inteira, já conhecendo e totalmente ambientado ao sistema e companheiros, o salto que possivelmente seria ainda maior na sua produção e o quão elevado seria o nível de desempenho. Creio que o primeiro time que apostar e der um contrato de pelo menos dois anos a Tre Boston, estará extremamente satisfeito ao final dele, encontrando provavelmente uma tranquilidade e âncora na posição.

Tre Boston na temporada passada, pelo Arizona Cardinals

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