terça-feira, 16 de julho de 2019

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Podemos considerar que o Houston Texans não é uma franquia vencedora. Criada em 2000, na reorganização e expansão feita pela liga, a equipe de Houston tem acertos, vitórias e títulos de divisão, mas em quase 20 temporadas, acumula algumas frustrações e decisões questionáveis, principalmente no draft, onde figurou por algumas vezes no top 5 das escolhas do recrutamento de universitários.

Em 2014, pela terceira vez em sua história, o time possuía a primeira escolha geral no draft e pela terceira vez, fez uma escolha questionável. Claro que avaliar escolhas de draft após anos e voltar para condená-las é um exercício fácil e até preguiçoso em alguns casos por parte de analistas. Mas em 2014, as circunstâncias em que se encontrava o Houston Texans nos coloca em posição de duvidar da escolha de Jadeveon Clowney na posição de número 1.

O time do Texas já tinha como pass rushers Whitney Mercilus e J.J. Watt, jogadores escolhidos na primeira rodada poucos anos antes. Por mais que a adição de Clowney trouxesse um bicho de três cabeças para o ataque adversário, com Clowney e Mercilus nas pontas e Watt, podendo alinhar em várias posições da linha e sendo extraordinário em todas elas, o time necessitava de jogadores no ataque para fazer companhia a Andre Johnson, recebdor que produziu com vários quarterbacks de péssima qualidade e era a estrela solitária de um ataque que pouco ameaçava os adversários na liga. Clowney era um ótimo talento saindo de South Carolina, mas nada muito longe de outros jogadores escolhidos na primeira rodada daquele ano. Qualquer torcedor, naquele exercício simplista citado acima, trocaria Clowney por Khalil Mack ou Aaron Donald.

Mesmo com um ataque cheio de buracos e precisando de jogadores de qualidade, numa classe recheada de, por exemplo, wide recievers de muito talento, o Texans escolheu Clowney, que não era um talento extra-classe que não poderia ser preterido por jogadores de ataque como Mike Evans, Odell Beckham Jr e Taylor Lewan. Ainda assim, o Texans tinha a opção (a melhor, na minha opinião) de trocar a escolha pra baixo com um time desesperado por quarterback, assim como o próprio Texans, que daria um caminhão de escolhas pela primeira escolha geral e selecionaria Blake Bortles, Teddy Bridgewater ou Derek Carr.

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Com a escolha feita e Clowney provando ser um jogador talentoso, mas não fora de série, o time de Houston chegou a um dilema difícil de resolver, pois o contrato de calouro de Clowney se encerrou em 2018. Com J.J. Watt e Whitney Mercilus já nos últimos anos de contrato e com seus anos produzindo em alto nível terminando, seria interessante ter Clowney como líder da defesa nos próximos anos. Entretanto, a produção de Clowney deixa os executivos de Houston em posição difícil, já que ele não tem números ruins, mas também não tem números de elite (Clowney nunca passou dos 10 sacks em uma temporada). Com isso, ele é um jogador muito bom pra receber um salário razoável e de produção insuficiente para receber próximo de defensores como Mack, Donald e o companheiro de time Watt. Para piorar, o Houston Texans demitiu o general manager Brian Gaine e optou por não ter ninguém na posição em 2019, após tentar contratar Nick Caserio, do New England Patriots.

Com todo esse imbróglio, antes de ser demitido, Brian Gaine colocou a franchise tag em Jadeveon Clowney, que não gostou da ideia e ainda não a assinou. Em meio todas as negociações, de contrato, de assinatura da franchise tag, Clowney e seus agentes perceberam que o Texans lista o jogador como linebacker, o que daria a ele quase 1 milhão e 200 mil dólares a menos do que se ele fosse listado como defensive end. Na NFL atual, a nomenclatura de outside linebacker e defensive end para jogadores de pass rush que atuam na ponta da linha (edge), assim como os esquemas 3-4 e 4-3, estão um pouco confusas e obsoletas, pois grande parte dos times joga em nickel (com 5 jogadores de secundária) na maioria das jogadas.

Com precedentes de greve de outros jogadores que receberam a franchise tag e com  a proximidade do fim do acordo trabalhista entre a liga e o sindicato dos jogadores, o caso de Clowney pode ser emblemático para que haja mudanças na franchise tag, na denominação de certas posições do jogo e na maneira de se negociar contratos a partir do próximo acordo trabalhista. Para o Houston Texans, segue o dilema entre dar um contrato de elite a um jogador bom ou deixá-lo sem acordo e ver o jogador de apenas 26 anos,  ser free agent em 2020 e ir para outro time sem receber nenhuma compensação além de escolhas compensatórias no draft, sendo que se optar por renovar, o peso do dinheiro da renovação cairá sobre outro jogador no futuro, em um time que tem seu quarterback ainda em contrato de calouro.

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