sexta-feira, 8 de maio de 2020

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Dono da pior campanha na última temporada e, por conseguinte, dá primeira escolha geral do draft de 2020, o Cincinnati Bengals teve, em razão disso, os holofotes voltados para si em boa parte da off season. Contudo, não havia muito mistério ou espaço para surpresa, o quarterback Joe Burrow de LSU era uma escolha mais do que óbvia e necessária para a franquia tentar mudar seu destino e sair do marasmo que esteve envolta nos últimos anos.

Mas muito mais do que a escolha do jogador, o Bengals conseguiu aproveitar seu bom posicionamento no recrutamento, selecionando no início de cada rodada, para fazer um bom trabalho no draft e que pouco vem sendo falado e creditado. É evidente que a escolha de Burrow é o destaque absoluto e não poderia ser diferente, afinal trata-se do melhor e mais pronto prospecto da posição em muitos anos, tendo tudo para se tornar o franchise quarterback e grande responsável por inaugurar um novo tempo em Cincinnati. Porém, não se pode deixar de destacar o restante da classe do time e os bons valores encontrados para fortificar o elenco, num trabalho que foi pensado em conjunto com a free agency.

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Posições que eram carência no elenco e foram atacadas na free agency, como a secundária e o interior da linha defensiva, ficaram em segundo plano no recrutamento e deram lugar a novas opções. Assim, tivemos a seleção do WR Tee Higgins (Clemson), na escolha número 33, que pode ter surpreendido algumas pessoas pela posição não ser considerada uma necessidade imediata comparada a outras, mas que faz todo sentindo, uma vez que A.J. Green, já com 31 anos de idade, jogará em 2020 sob a franchise tag e tem o futuro incerto, restando apenas Tyler Boyd como jogador da posição com contrato além do ano de 2021. Mais que isso, a escolha também tem bom valor posicional, já que Higgins é um ótimo prospecto, recebedor alto, de boa envergadura e grande raio de captura, que se vale muito bem disso para conseguir fazer as recepções, atacando a bola em seu ponto máximo e usando o corpo para se proteger. Com boas mãos, não tem tanta velocidade vertical, mas consegue esticar o campo e ganhar em profundidade com seu tamanho, fazendo um bom trabalho correndo rotas e principalmente com seu ball skills e capacidade de fazer recepções contestadas. Tende a ser o X receiver do futuro no time e uma das principais armas do QB Joe Burrow.

Após iniciar o draft voltando-se para o ataque, o dono/General Manager Mike Brown e sua equipe resolveram voltar as atenções para a defesa, sobretudo para a posição que talvez fosse a principal carência da unidade defensiva, linebacker. Dessa maneira, selecionaram não apenas 01, mas 03 jogadores da posição, começando com Logan Wilson (Wyoming) na terceira rodada, que chega já para ser potencialmente titular. Ótimo tackleador, o LB tem um bom processamento mental e capacidade de fazer boas leituras, cobrindo bem zonas curtas do meio do campo e se destacando na cobertura, com muito ball skills e uma inerente capacidade de estar perto da bola. É evidente que na NFL o nível de competição será mais elevado e trará mais dificuldades, mas as ferramentas estão presentes para o jogador.

O LB Akeem Davis-Gaither (Appalachian State) foi a primeira escolha do terceiro dia de draft e tem potencial para ser tratado como um verdadeiro steal no futuro. Gaither tem aquilo que se espera de um jogador moderno dá posição, que é a versatilidade para atuar em várias funções, tendo alinhado ao longo da carreira no College também como EDGE, safety e até slot CB. Bom contra o jogo terrestre e ótimo na cobertura, tem um range muito interessante e apesar do seu peso ser um ponto de questionamento pensando nos embates na NFL, seu bom uso das mãos e capacidade de block shedding serão trunfos para auxiliar nessa questão. A adaptação na transição será fundamental para o jogador.

LB Akeem Davis-Gaither

Markus Bailey (Purdue) foi o último dos LBs selecionados, já na última rodada e chega como uma aposta válida, pois seria um jogador com talento para o meio do draft, mas que caiu pelas inúmeras e graves lesões sofridas, como o rompimento de ligamentos nos dois joelhos (ACL) e uma cirurgia no quadril. Se ficar saudável, pode conseguir dar um retorno interessante.

Completam a classe o EDGE Khalid Kareem (Notre Dame) e o T/G Hakeem Adeniji (Kansas), jogadores que embora não chegue para ser titulares, trazem uma profundidade interessante para o elenco e rotação nas posições, com uma boa perspectiva de desenvolvimento e até possibilidade de se tornarem titulares, principalmente Adeniji, diante dá reformulação e necessidade no interior da linha ofensiva do time. Kareem é muito físico e tem um ótimo uso das mãos, capacidade que o permite invadir e quebrar o pocket por diferentes ângulos e posições, fator que pode ser um trunfo para que tenha um certo número de snaps já em 2020.

Com um elenco que não condizia com sua performance em 2019, estando além da pior campanha da NFL, o Cincinnati Bengals está ainda mais reforçado para 2020 e a depender do desempenho de Joe Burrow em sua temporada de calouro, tem tudo para ser muito melhor e quem sabe até disputar uma das vagas finais de Wilcard (agora ampliadas). Caso uma evolução não aconteça, a luz vermelha começa a ascender sobre a comissão técnica e o head coach Zac Taylor, que já não teve um ano de estreia bom e foi muitas vezes questionado.

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