quarta-feira, 25 de março de 2020

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No meu primeiro texto desta intertemporada, gostaria de colocar um pouco de reflexão na cabeça dos fãs da NFL e da Liga dos 32, principalmente em tempos de tédio e preocupação. Todos sabemos que os salários estão batendo recordes na maioria das posições e com o aumento do teto salarial, isso tende a se tornar rotina a cada vez que o contrato das estrelas estiver chegando ao fim. Bom, nem todas as estrelas.

 

 

A posição de running back vem passando por transformações nos últimos tempos em sua forma de jogar, volume de carregadas e principalmente, valorização da posição. No início dos anos 2000, times hipotecavam a vida por running backs prolíficos que carregavam o piano, tiravam a pressão de seu quarterback e tinham 30, 40 toques na bola todo domingo. Tudo mudou com os ataques se baseando cada vez mais no jogo aéreo.

Com o advento do jogo aéreo e das formações com vários recebedores, se tornou cada vez mais interessante ter running backs com a capacidade de receber passes, como Christian McCaffrey. Em times com corredores de estilo mais tradicional, a necessidade de ter jogadores para receber passes saindo do backfield foi forçando as equipes a ter uma profundidade na posição. Ainda com o aumento da importância da profundidade do elenco na posição, as estrelas da posição chegam cada vez mais prontas e são exploradas ao máximo em seus contratos de calouro.

Agora entramos na parte crítica para as estrelas da posição na liga. A maioria dos running backs do topo da lista de produtividade da NFL hoje, estão em seus contratos de calouro. Como Saquon Barkley, Nick Chubb e o próprio McCaffrey. Alguns renovaram recentemente, após negociações difíceis, como Ezekiel Elliot. Mas a cada ano, há exemplos claros de que não compensa pagar caro por um jogador de 26 anos, sendo que a cada draft você tem a chance de escolher um jogador 4 ou 5 anos mais novo, com menos lesões e com escolhas de segunda, terceira ou até quarta rodada.

Os últimos exemplos, Todd Gurley e David Johnson, que foram preteridos por seus times e mudaram de franquia nas últimas semanas, mostram o quanto o futuro pra posição de running back, em relação a contratos, se mostra obscuro. Melvin Gordon, que chegou a fazer greve para ganhar um contrato maior no Los Angeles Chargers, acabou com metade do que queria receber por ano.

Jogadores como Alvin Kamara, Dalvin Cook e Damien Williams, escolhidos em rodadas posteriores no recrutamento, tem quase o mesmo impacto de jogadores de top 10 de suas classes, como Leonard Fournette, ou de primeira rodada, como Sony Michel. Por isso vemos absurdos de jogadores na briga por MVP ou jogador ofensivo do ano com salários 10 vezes menores que o maior salário da posição. E os times vem se atentando a isso.

A moda dos comitês, com 3 ou 4 jogadores de salários baixos, rendimento mediano, mas que se completam entre correr com a bola, receber passes, bloquear e jogar nos times especiais é uma tendência que deve crescer, a medida que os times percebam o sucesso dessa estratégia. Kansas City Chiefs, New England Patriots e Philadelphia Eagles são os campeões dos últimos 4 Super Bowls, tendo em comum o fato de trabalhar com comitês de running backs, sem ter uma grande estrela cara no seu backfield.

A cada temporada, os running backs vem do futebol americano universitário com volume maior de carregadas, sem contar o volume do high school. Com as pancadas e o castigo que os jogadores da posição costumam sofrer, aliados a tudo que foi citado no texto anteriormente, a posição de running back deve continuar sendo uma das únicas a sofrer com a deflação de seus salários e com a queda da longevidade das carreiras dos jogadores e os contratos gigantes como de Adrian Peterson, ou trocas mirabolantes por corredores como de Herschel Walker ou Ricky Williams devem ficar na memória do torcedor, ou como histórias para documentários da televisão.

 

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