sexta-feira, 12 de junho de 2020

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Após abrir mão de escolhas de primeira rodada para adquirir Laremy Tunsil no início da temporada passada, imaginava-se que o Houston Texans buscaria uma temporada de all in, já que tinham investido alto para tapar um buraco no setor mais debilitado da equipe. Contudo, uma campanha 10-6 não foi nada animadora para os torcedores do Texans, que viram Deshaun Watson carregar diversos jogos nas costas, contando com auxílio abaixo do esperado de seu entorno. 

Sem escolha de primeira rodada no último draft, a base da equipe que esteve em campo ano passado não será fundamentalmente alterada por calouros. No entanto, alguns jogadores de destaque deixaram a franquia na intertemporada, destacando-se: o DT DJ Reader, o CB Jonathan Joseph, os Ss Mike Adams e Jahleel Addae, o RB Carlos Hyde e o WR DeAndre Hopkins, as duas últimas movimentações serão melhor destrinchadas abaixo.

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Nesse sentido, o natural é a equipe do Texas não esperar um crescimento abundante de rendimento, tendo em vista que se em 2019 com um elenco um tanto mais recheado a equipe não desempenhou da forma dominante que se imaginava, agora em 2020 com novos buracos a serem tapados, a esquadra pode ter certas dificuldades. 

O primeiro ponto de destaque quando se discute a manutenção da força do Houston Texans certamente será a falta que Deandre Hopkins fará neste elenco. Esta movimentação que já foi objeto de discussão aqui no Liga dos 32 é o fator que poderá ser chave para uma possível mudança de comando na equipe nos próximos anos, mas isso é assunto para outro texto. Tratando especificamente do impacto para a temporada de 2020, Hopkins, para muitos o melhor WR em toda a NFL na atualidade, era a peça de confiança de Deshaun Watson e também sua válvula de escape com todas as suas recepções acrobáticas quando os passes não vinham completamente redondos. 

50 Jardas | NFL Brasil on Twitter: ""Nós amamos o DeAndre Hopkins ...

A perda não mensurável de Hopkins foi sobreposta por um outro WR advindo por troca. O Houston Texans enviou uma escolha de segunda rodada em favor do Rams para trazer o WR Brandin Cooks, bem como uma escolha de quarta rodada. Cooks é um bom recebedor, isso é não se pode negar, porém ele não é Deandre Hopkins. Com Brandin Cooks, Deshaun Watson ganha um excelente alvo em profundidade, que tem o que é preciso para se dar bem na franquia e fazer um trio interessante com Randall Cobb e Kenny Stills, tendo, ainda, Will Fuller e Keke Coutee – se saudáveis – como ótimas opções neste grupo.  

A grande questão da troca do DeAndre Hopkins foi a compensação. O Texans abriu mão do melhor recebedor da liga por uma escolha de segunda rodada e David Johnson, um ótimo RB, mas que sofre constantemente com lesões. Em toda a sua carreira, o corredor só conseguiu atuar os 16 jogos por duas vezes, uma destas não desempenhando ao nível que se espera de um jogador como ele, mas muito se deu devido ao péssimo elenco do Arizona Cardinals em 2018. O conjunto da obra faz com que não haja nexo nas movimentações da equipe.

Analisando o que Johnson pode trazer para campo, vemos um atleta com potencial de grandes jogadas imenso, em que pode transformar jogadas fadadas à pequenos avanços em ganhos altos. Além disso, David Johnson é uma figura muito importante no jogo aéreo, destacando-se como exemplo de RB da era moderna, aquele que não só carrega a bola nos braços, mas também sabe correr rotas e aparecer como opção de passe para seu quarterback. Lógico, isso tudo considerando que o jogador vai estar saudável para a toda temporada que está por vir.

David Johnson é uma melhora em detrimento do RB titular da temporada passada, Carlos Hyde, que até anotou bons números, tendo corrido para mais de 1000 jardas e 6 touchdowns. Contudo, não dá para imaginar de cara essa melhora ser suficiente para elevar o nível do jogo terrestre como um todo. O ponto aqui é: ter Carlos Hyde ou David Johnson é ter resultados similares no que tange ao jogo terrestre. O grande diferencial para o recém chegado é sua maior participação no jogo aéreo, o que deve fazer Duke Johnson, RB reserva da equipe perder ainda mais espaço, tendo em vista que ele fazia bem esta função.

Does David Johnson need a change of scenery and could it really be ...

A base da defesa da equipe foi inteiramente mantida. As perdas de DJ Reader e Jahlell Addae foram supridas com Ross Blacklock, escolhido na segunda rodada do draft, e Eric Murray, chegando via free agency. Por este motivo, não há peças de total impacto que poderão mudar o curso da unidade comandada por JJ Watt positiva ou negativamente.

O fator fundamental para sucesso ou fracasso do Texans na próxima temporada será o ataque. Bill O’Brien, com seu emprego potencialmente em jogo, terá que fazer Deshaun Watson ser maior do que ele já é, de forma que todas as movimentações encabeçadas pela diretoria se paguem e a equipe possa novamente estar presente em jogos decisivos da pós temporada.

No entanto, esta temporada não será o mar de rosas dentro da divisão como foi a temporada passada. O Indianapolis Colts, que conta com grande elenco, mas que tinha controvérsia na posição de quarterback, trouxe o veterano e ótimo Philip Rivers para comandar o ataque. Assim, é esperada uma evolução por parte da jovem equipe que agora tem um nome confiável para a posição mais importante do jogo. O Tennessee Titans poderia ter brigado desde o início pela divisão com o Houston Texans na temporada passada, caso tivessem visto desde logo que Ryan Tannehill era o quarterback da franquia. Mesmo o camisa 17 tendo assumido o cargo de titular depois do início da temporada regular, o time da cidade da música ainda estava na cola do Texans até as últimas semanas, com sua chegada à final da conferência americana sendo o marco do excelente ano. O Jacksonville Jaguars é o ponto fraco da divisão, muito por conta da indecisão na posição de QB. Todavia, a forte defesa da franquia pode dificultar alguns jogos ao decorrer das semanas.

Portanto, observando todo o cenário de elenco, comissão técnica e divisão, é difícil imaginar que o Texans vá ter o domínio da divisão com toda a tranquilidade dos dois últimos anos. Por isso, não se surpreenda ao ver muitos pedindo a demissão de Bill O’Brien caso a equipe não chegue à pós temporada ou tenha dificuldades para tal, haja vista que tudo que aconteceu na franquia nesta última intertemporada foi por suas mãos. Só um nome pode salvar os torcedores de uma temporada ruim e O’Brien de perder seu emprego: Deshaun Watson, este que terá que novamente ser o grande carregador de seu time se almejam sucesso.

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