sábado, 23 de janeiro de 2021

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Com o Super Bowl cada vez mais próximo, as finais de conferência são os ritos de passagem para o jogo mais importante da temporada: quem vencer no próximo domingo terá a chance de levantar o troféu Vince Lombardi, enquanto quem perder assistirá a grande final de casa.

Cada um com sua especificidade, os quatro times que chegam às finais de conferência são extremamente preparados, ao passo que não seria surpresa qualquer um deles conquistar o título no dia 7 de fevereiro. Disto isso, confira uma análise destes embates na coluna “O jogo da rodada”.

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Tampa Bay Buccaneers @ Green Bay Packers

Tom Brady vs. Aaron Rodgers is QB clash we've been waiting for in Buccaneers vs. Packers

Fique de olho – 12 vs 12

Sempre deixo claro que nessa parte da coluna há uma preferência de não falar sobre quarterbacks em detrimento de outros lados da bola, mas que se faz necessário abrir uma exceção nesse caso em específico. A final da conferência nacional marca o encontro de Tom Brady e Aaron Rodgers pela quarta vez em suas carreiras, sendo que o atual passador do Buccaneers lidera a disputa com duas vitórias e apenas uma derrota para o líder dos cabeça de queijo. No entanto, esses embates não são apenas históricos, considerando que a franquia da Flórida derrotou a de Wisconsin ainda nessa temporada regular, na partida que marcou a pior atuação de Aaron Rodgers em todo o ano – lembrando sempre que ele é o principal candidato ao prêmio de MVP de 20/21.

Sob esta ótica, faz-se indispensável um olhar minucioso sobre a partida supramencionada. Apesar de ter lançado apenas cinco interceptações em todo o ano de 2020, Rodgers lançou duas dessas  – uma retornada para touchdown – contra o Tampa Bay Buccaneers, e não foi como se o Packers tivesse saído em desvantagem desde os primeiros momentos do jogo, já que os comandados de Aaron Rodgers abriram 10-0 e sofreram uma eventual virada de 38 pontos não respondidos. Esse jogo foi marcado por um grande trabalho do pass rush do Bucs, como foi em todo o ano, em conjunto da eficiência na marcação do meio do campo, levando em conta que a pressão fazia com que Rodgers não tivesse tempo para escanear o fundo do campo. O subestimado LB Lavonte David foi o grande nome da defesa de Tampa Bay na ocasião, estando em todos os cantos do campo e fazendo jogadas impactantes.

Com efeito, cabe falar sobre Tom Brady e o que essa partida especificamente significou para o restante da temporada. É evidente que o seis vezes campeão do Super Bowl não teve seu melhor ano da carreira, ainda que tenha liderado seu time até a final de conferência até então. Contudo, há de se destacar que o atleta de 43 anos passou por um momento de adaptação à um novo sistema ofensivo, bem diferente do que o usual no seus tempos em New England, com passes verticais como grande marca, e mesmo assim Brady conseguiu fazer grande trabalho, tendo 4633 jardas passadas e 40 touchdowns lançados. Muito embora tenha apenas sido game manager (termo designado ao quarterback que cumpre o papel de administrar o jogo, mas sem criar grandes jogadas por si só) nesse jogo, a sua capacidade de se moldar ao que o time precisa que ele seja em cada momento foi o grande diferencial do lendário QB nesse ano e, possivelmente, é o que o fará voltar aos campos para a temporada que está por vir.

Assim, podemos esperar um confronto épico entre os dois camisas 12. Rodgers guiou o melhor ataque da temporada até aqui, derrotando, inclusive, a melhor defesa da liga na semifinal de conferência; Brady é um dos melhores QBs na história da pós temporada e o auxílio que Tampa Bay lhe dá nos dois lados da bola é primordial para o time chegar até à final de conferência. Apesar de ter despachado o Rams na semana passada, o ataque do Buccaneers certamente dará mais trabalho que deu Goff e companhia, tornando esse um jogo imperdível para os amantes do esporte.

Chaves para vitória

Buccaneers

Colocar Ronald Jones no jogo. O corredor que teve o ano de sua carreira em 2020 tem que aparecer para desafogar o jogo aéreo e conseguir os bons números que teve ao longo da temporada.

Parar Za’Darius Smith. Ainda que os dois integrantes dos Smith Brothers sejam problemas, nessa temporada o camisa 55 sobressaiu, inclusive nos playoffs contra o Rams.

Byron Leftwich. Mais do que nunca, o coordenador ofensivo da equipe terá de ser criativo e ousado nas chamadas para derrotar a forte defesa, em especial a secundária, do Packers. Lembrando que o WR Antonio Brown não joga.

Packers

Não sofrer sacks nas primeiras descidas. É mais do que óbvio que sofrer sacks em qualquer momento é prejudicial. Porém, contra uma defesa agressiva como a do Bucs, colocar-se em situação que seu ataque fica unidimensional é o início de uma tarde de pesadelos.

Assim como o Bucs, criatividade nas chamadas ofensivas. Diante do Los Angeles Rams este foi um dos melhores pontos do ataque do Packers, visto que utilizaram-se de diferentes conceitos, sobretudo no jogo terrestre, o que confundiu até a melhor das defesas na temporada regular.

Jogar agressivo contra o jogo terrestre e confiar nas marcações individuais. Mike Pettine sabe que o Bucs vai jogar para aproveitar das corridas no início do jogo. Por isso, colocar 8 homens no box sempre que possível e frustrar as tentativas pelo chão de Tampa Bay poderá ser o fator de transformação de um pesadelo em um belo sonho. Mas para acontecer, Jaire Alexander e companhia precisam garantir eficiência nas coberturas em mano a mano.

Buffalo Bills @ Kansas City Chiefs

Vic Carucci: Josh Allen removes any regret for Bills passing on Patrick Mahomes | Buffalo Bills News | NFL | buffalonews.com

Fique de olho – O fator Allen

Josh Allen foi um dos melhores quarterbacks em toda a NFL em 2020. 

Talvez o destaque à frase acima não faça sentido em primeiro momento, já que é uma informação de conhecimento geral. Todavia, voltemos ao draft de 2018 e à toda crítica sofrida pelo Buffalo Bills ao selecionar o prospecto advindo de Wyoming. Desde o início era nítido que Josh Allen era um projeto nos primeiros estágios do desenvolvimento. Ainda que contasse com um braço que o colocaria como um dos mais fortes da liga no momento que pisasse em campo, as leituras e tomadas de decisão do jovem eram bem questionáveis, bem como sua precisão, haja vista que em seu tape era notória a quantidade de passes screen e swing (passes essencialmente fáceis para o quarterback) que Allen errava. Toda essa interrogação em seu jogo lhe fazia ser posto como um “bust certo”, já que apenas seu braço não lhe manteria em uma liga competitiva como é a NFL.

Em concomitância, a diretoria do Bills apostava cada vez mais na evolução do passador. Nesse contexto, foi feito um investimento em volta do QB, trazendo nomes como Devin Singletary e Stefon Diggs, o segundo que foi uma parceria instantânea e que gerou resultados extremamente satisfatórios logo no primeiro ano. Por isso, mesmo com um 2018 e 2019 abaixo do esperado, em 2020 o diamante Allen começou a brilhar. Tomadas de decisão muito melhores e uma precisão que faz esquecer o QB que errava swings, o colocaram como um dos candidatos ao prêmio de MVP no ano.

Não obstante, há um fator que ainda precisa ser considerado em todo o contexto de pós-temporada: estará Allen em nível de vencer o atual campeão da NFL fora de casa? 

Diante do Baltimore Ravens, Allen não teve que se esforçar muito para sair com a vitória, haja vista que o ataque de Lamar Jackson produziu apenas 3 pontos até a saída de seu quarterback por lesão. Sendo assim, a primeira vitória em semifinal de conferência na carreira de Allen foi mais fácil do que normalmente é uma partida em janeiro.

Além disso, o camisa 17 irá encarar outro jovem QB, mas que já passou por esses estágios, visto seu histórico de três finais de conferência consecutivas desde que assumiu a titularidade do Kansas City Chiefs. A pressão de estar jogando nesse ponto da temporada não é mais um aspecto de obstáculo para Mahomes, mas há uma dúvida em como Allen tratará a importância desse embate. Qualidade é inequívoco que o líder do ataque do Bills tem, resta saber se o fator Allen será positivo ou negativo para a continuidade da caminhada rumo ao Super Bowl. 

Chaves para vitória

Bills

Estabilizar o jogo terrestre. Deixar Mahomes fora de campo e abrir espaço para o play action será mais do que fundamental nessa partida.

Foco em parar Chris Jones. Ainda que a defesa do Chiefs como um todo não seja o protagonista do time, o camisa 95 é um talento fora da curva. A capacidade dele de fazer jogadas nos momentos cruciais foi o que deu o último Super Bowl ao Chiefs e o que colocou a equipe na final de conferência, haja vista que Jones acabou com a última campanha para virada do Cleveland Browns no último domingo.

Coragem de arriscar no fundo do campo. Brian Daboll foi um dos melhores coordenadores ofensivos em toda a temporada e precisará utilizar de todo seu arsenal para atacar a defesa do Chiefs. Material para isso existe.

Chiefs

Pressionar Josh Allen constantemente e conduzi-lo ao erro. O fator mental do quarterback do Bills certamente será testado, ao passo que Kansas City deverá chamar um número de blitz acima do comum. 

Proteção extra para Patrick Mahomes. O astro da franquia deixou o último jogo por conta de uma concussão. Nesse sentido, manter o pocket limpo sempre que possível é um passo para evitar problemas ao longo do jogo. Assim sendo, não seria surpresa ver um TE ficando com a função de bloqueador com maior frequência.

Evitar jogadas ofensivas com longo desenvolvimento. Por mais que Patrick Mahomes seja um dos melhores QBs da liga quando é necessário o scramble para improvisar, fazer isso contra a agressiva defesa do Bills poderá colocar o camisa 15 em situações delicadas, visto que a defesa de Buffalo não lhe dará tempo para esperar os recebedores ficarem livres.

Palpites

Did the Buffalo Bills err by not drafting Patrick Mahomes? | Local Sports | auburnpub.com

Vitórias de Green Bay Packers e Kansas City Chiefs.

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