sábado, 5 de setembro de 2020

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Finalmente a temporada regular de 2020 está à beira de começar, tendo sua estreia na próxima quinta-feira, 10. Juntamente do início da NFL, trazemos para vocês uma nova coluna, intitulada de “O Jogo da rodada”. Como se extrai do nome, toda semana um jogo será selecionado para uma análise mais aprofundada dos times que se enfrentarão em campo, sempre observando os integrantes do espetáculo sob uma perspectiva crítica.

Para a estreia da coluna, nada mais justo que falar sobre o jogo que marca a volta da bola oval aos ares dos estádios da NFL. Kansas City Chiefs e Houston Texans farão um jogo que promete muitas emoções, no que vem a ser a reedição da semifinal da conferência americana da temporada passada, em que o Chiefs se sagrou vencedor, mesmo depois de sair perdendo por 24 pontos de diferença no segundo quarto.

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Visão Geral

Final: Chiefs drop second game in a row, a 31-24 loss to the Texans - Arrowhead Pride

Após derrotar o Houston Texans na semifinal da conferência americana, o Kansas City Chiefs seguiu vagando rumo ao título do último Super Bowl. Tendo isto em mente, é notório que para 2020 a franquia comandada por Andy Reid chega com o status de ser batida, tendo para si todos os holofotes, principalmente ao observarmos a forma com que derrotaram o San Francisco 49ers no jogo derradeiro da última temporada: com calma, execução e coração. Estes foram os pilares do Kansas City Chiefs durante todo os playoffs, haja vista que em algum momento dos três jogos a equipe precisou reverter placares adversos, além de ter necessitado de calma para analisar a situação de forma realista e ver onde poderiam agir; execução, em complemento, para fazer dar certo as jogadas que outrora não deram; e coração para não desistirem mesmo quando a situação lhes colocava como derrotados, para esse último não há como não lembrar da imagem de Patrick Mahomes colocando seu time para cima mesmo estando 24 pontos atrás.

Para 2020, a diretoria geral do Chiefs focou em manter a base que venceu o último Super Bowl, tendo como destaque a renovação histórica com o QB Patrick Mahomes, que pode vir a ser um novo marco nos contratos de quarterbacks, além da renovação da estrela defensiva, Chris Jones, e reestruturação contratual do recebedor Sammy Watkins. As maiores perdas da franquia nesta intertemporada não se deram por questões contratuais, mas sim por conta da COVID-19: o RB e o RG titulares na conquista do Super Bowl, Damien Williams e Laurent Duvernay-Tardif, respectivamente, optaram por não atuar na temporada de 2020, tendo Duvernay-Tardif, inclusive, sido o primeiro jogador a tomar tal decisão. Clyde Edwards-Helaire, escolhido na primeira rodada do draft, será o encarregado do jogo terrestre da equipe na ausência de Williams.

Já o Houston Texans teve uma trajetória bem diferente após o último encontro das duas equipes. A intertemporada de 2019 já foi agitada com a saída de Jadeveon Clowney e a chegada via troca de Laremy Tunsil e Kenny Stills por duas escolhas de primeira rodada do draft (2020 e 2021) e uma de segunda rodada (2021), fazendo com que o mesmo período em 2020 tivesse tantas movimentações quanto. O primeiro foi um choque para o mundo da NFL: o Texans trocou o recebedor Deandre Hopkins com o Arizona Cardinals, para muitos o melhor da liga em sua função, pelo RB David Johnson, que apesar da qualidade traz consigo um vasto histórico de lesões e um contrato em que o Texans absorverá 10M só em 2020, além de uma escolha de segunda rodada. Não entrarei aqui em juízo de valor sobre a troca, podendo ser conferida uma melhora análise em nosso site. Posteriormente, a franquia do Texas foi novamente ao mercado de recebedores e trouxe Brandin Cooks – também por uma escolha de segunda rodada. Este segundo movimento faz total sentido, tendo em vista que Bill O’Brien não quer perder a identidade de seu ataque e Cooks traz elementos que Hopkins acrescentava ao sistema, tais como a presença em profundidade, capacidade de alinhar tranquilamente em qualquer parte do campo e um ponto muito explorado pela dupla Watson-Hopkins, que eram as jogadas de wr screen (em que o QB realiza um passe para o recebedor na linha de scrimmage para que, com o auxílio dos bloqueadores, o WR avance no campo)

Essa tendência à jogadas de screen foi muito bem utilizada por Bill O’Brien no último embate contra o Chiefs, ao passo que realizou um fake bubble screen para o DeAndre Hopkins, ou seja, fingiu que faria uma jogada de screen de forma que outro jogador ficasse livre, ensejando no primeiro touchdown do Texans, marcado por Kenny Stills. Esta jogada só foi possibilitada visto que a defesa do Chiefs sabia que é um conceito comumente utilizado no ataque de Houston.

Para além de Cooks, o Houston Texans também assinou com o veterano Randall Cobb, que por sua vez pode trazer uma outra dimensão que Hopkins trazia, no que tange à bolas contestadas e recepções no tráfego do meio do campo. Os dois citados, junto de Will Fuller, Kenny Stills e Keke Coutee podem fazer um sólido grupo para trabalhar com o QB Deshaun Watson, que recebeu novo contrato e continuará seu vínculo com o Texans pelo menos até 2025. Os valores do nosso acordo de Deshaun Watson beira a casa dos 160M de dólares por 4 anos.

Fique de olho

Chris Jones vs interior da linha ofensiva do Texans

Final Score: Texans 17, Chiefs 10 - What Did We Learn? - Battle Red Blog

A linha ofensiva do Houston Texans é um fator de preocupação constante da equipe nos últimos anos, não é à toa que investiram duas escolhas de primeira rodada e uma de segunda para trazer uma sólida proteção ao lado cego de Deshaun Watson em Laremy Tunsil. No entanto, mesmo com Tunsil fazendo uma sólida temporada, cedendo apenas 3 sacks, que, inclusive, lhe garantiu uma vaga no pro bowl, a linha ofensiva do Texans foi 7ª que mais cedeu sacks, com 49, sendo o sack rate de 8,4%. 

A estatística de sacks é bastante controvertida e necessita de análise de circunstâncias, tendo em vista que muitos fatores podem causar sacks para além da linha ofensiva – sim, muitos sacks são culpa do quarterback. Falando em quarterback, o Houston Texans conta com um que auxilia a linha ofensiva nesse quesito. A mobilidade e capacidade de Watson de escapar de sacks não só coloca ele como um dos melhores lançadores da liga, como também livra um pouco sua linha ofensiva de más estatísticas. Jogadas como estas não são incomuns no repertório de Deshaun quando o pocket se colapsa, sobretudo pelo meio.

Logo, percebemos que o maior problema está no miolo da linha ofensiva do Texans, e também lá poderá estar o maior pesadelo de Deshaun Watson na próxima quinta-feira: Chris Jones. Jones foi um dos jogadores de maior impacto na conquista do Super Bowl, tendo sido constantemente ativo no jogo terrestre e dominando no jogo aéreo, desviando 3 passes de Jimmy Garoppolo na linha de scrimmage. Na opinião do que vos escreve, poderia ter sido facilmente o MVP daquela noite e fez a jogada chave para a conquista do título.

De contrato novo, o poder disruptivo de Jones poderá ser fator determinante para uma eventual vitória do Chiefs, ao passo que estará na área mais debilitada do Houston Texans. 

Travis Kelce na redzone

Chiefs vs. Texans: Second half discussion - Arrowhead Pride

Na última partida entre as equipes, a unidade defensiva do Houston Texans não teve respostas para Kelce, acima de tudo na redzone (últimas 20 jardas do campo ofensivo). A defesa do Texans em diversas situações colocou marcação a homem do nickel CB ou de um dos S, ao passo que tentavam diminuir a aparição de Tyreek Hill no fundo do campo ao deixar o auxílio de um safety sempre com ele. De fato, conseguiram para Hill que, para além de drops, teve 3 recepções para 41 jardas. Contudo, Kelce fez o quis com as marcações homem à homem, tendo vantagem sempre e se tornando o principal capanga de Mahomes naquela tarde, sendo alvo de 12 passes, dentre estes 10 recepções, 134 jardas e 3 touchdowns. 

E nem há de se falar que a defesa sentiu a virada, haja vista que os números de Kelce foram fundamentalmente durante as campanhas que culminaram na virada de 24 pontos ainda no segundo quarto. Até mesmo Blake Bell, TE que não teve nenhum touchdown na temporada regular, anotou um contra aquela defesa na redzone.

Chaves para a vitória

Texans

Controlar o jogo terrestre e deixar Mahomes fora de campo o máximo possível.

Criar ritmo nos passes curtos e no meio do campo, de forma a explorar a capacidade de seus recebedores conseguirem jardas pós recepção, além de consumir mais o relógio e deixar a linha ofensiva menos exposta.

Consistência da defesa nas terceiras descidas, sobretudo nas longas – mais de 8 jardas.

Chiefs

Dar confiança para Edwards-Helaire, especialmente no jogo aéreo. O jovem pode se tornar peça chave no ataque de Reid, e para isto, uma boa estreia pode ser de grande ajuda.

Explorar a secundária com seus recebedores explosivos, deixando sempre clara a ameaça de Kelce no meio do campo.

Limitar a mobilidade de Deshaun Watson dentro do pocket, inibindo um pouco a sua capacidade de playmaker. Chris Jones e um defensor em QB spy (um defensor fica atrás da linha defensiva analisando os olhos e decisões do quarterback de forma a tentar atacá-lo quando houver uma brecha) podem ajudar, mas o pass rush de modo geral precisa aparecer.

Palpite

Vitória de Kansas City Chiefs.

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