sábado, 17 de outubro de 2020

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A divisão oeste da conferência nacional é hoje uma das mais complicadas para as aspirações dos times que nela se encontram. Isso porque, o alto nível das equipes que ali estão mostram que, em um primeiro olhar, todas têm reais chances de vencer a divisão ou garantir ao menos uma vaga nos playoffs.

Para além dos fortes elencos, a divisão também carrega o fardo de ter três dos times sido derrotados no Super Bowl na última década, sendo um deles por duas vezes. Dois desses times (e os que ficaram à uma vitória de conquistar o título nas últimas duas temporadas) se enfrentam no próximo Sunday Night Football. Tendo isso em mente, confira uma análise da partida entre San Francisco 49ers e Los Angeles Rams na coluna o jogo da rodada na semana 6.

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Visão geral

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Lesões. É esta a palavra que resume a atual temporada do San Francisco 49ers. Desde a semana 2, a equipe vem contando com números cada vez maiores e com nomes de considerável impacto nas suas listas de lesionados das semanas. A estrela e atual calouro defensivo da NFL, Nick Bosa, está fora da temporada com uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho, assim como a escolha de primeira rodada de 2017, Solomon Thomas. Para além deles, o QB Jimmy Garoppolo, os RBs Raheem Mostert e Tevin Coleman, os WRs Deebo Samuel e Brandon Aiyuk, os TEs George Kittle e Jordan Reed, o DE Dee Ford, os LBs Kwon Alexander e Dre Greenlaw, bem como os CBs Richard Sherman, Emmanuel Moseley, K’waun Williams e Akhelo Witherspoon, todos integrantes do time titular ou da primeira rotação perderam jogos nesta temporada, um número muito alto para uma equipe que continha as aspirações do 49ers até o início do ano. Dos citados, o técnico principal e coordenador ofensivo, Kyle Shanahan, pode contar com certeza para a partida contra o Rams apenas com Garoppolo, Mostert, Samuel, Aiyuk, Kittle, Greenlaw e Witherspoon, ou seja, nem metade dos supramencionados titulares.

No entanto, o fator para o atual vice campeão da NFL estar com uma campanha 2-3 não é exclusivamente as lesões. Isso se deve ao fato de que, apesar dos desfalques, o time se mostrou competitivo, tendo reais chances de vitória em duas das três derrotas, mas sendo a má execução de jogadas ao decorrer da partida, sobretudo em momentos cruciais, fundamentais para a derrota contra o Cardinals e Eagles. E isto vai na conta dos QBs que comandavam a equipe nas ocasiões. No embate contra o Cardinals, Jimmy Garoppolo errou o WR Kendrick Bourne livre na endzone durante o drive da vitória – que não ocasionou na vitória; e contra o Eagles, Nick Mullens lançou uma interceptação retornada para touchdown ridícula (para ser suave no linguajar), que levou as chances do time em virar a partida, ainda que quase tenha o feito em uma hail mary lançada pelo reserva na noite, CJ Beathard.

Já o Los Angeles Rams vive a temporada dos sonhos que imaginava continuar vivenciando após a caminhada ao Super Bowl em 2018. Apesar da temporada 9-7 no ano passado e diversos questionamentos acerca do modo de montagem de elenco de Les Snead e Sean McVay – uma clássica hipoteca futura de escolhas de draft em detrimento de um sucesso recente, sendo esse assunto para um texto à parte -, o Rams chegou para 2020 superando, até então, os tão falados times do Cardinals e 49ers dentro divisão e ficando na cola do Seahawks na iminência de roubar a liderança assim que Russell Wilson e companhia os enfrentarem. Assim como o 49ers, a franquia de Los Angeles também é comandada por uma das mais brilhantes mentes ofensivas jovens na liga em Sean McVay, e ele tem sido de extrema importância no ótimo início de temporada do Rams, tendo em vista as mais diversas chamadas ofensivas, em específico no jogo aéreo. McVay tem uma excelente habilidade em mascarar os conceitos que coloca em campo, mas sem perder sua marca que são os play actions rollouts (ou seja, jogada em que se realiza um play action e o QB corre para uma das laterais para executar a jogada com maior velocidade ou tentar um big play sem que a pressão chegue à ele) e as rotas cruzadas pelo campo, abusando das shallow cross, drag, conceitos mesh e drive sempre que possível, sem contar das constantes screens chamadas para os mais diversos jogadores em campo, sejam RBs, WRs e TEs.

No entanto, ao menos nesse início de temporada, a defesa tem roubado a cena como protagonista da campanha do Rams. O forte pass rush liderado por Aaron Donald (que caminhando para a semana 6 já conta com 7.5 sacks, marca mais do que excelente) está abrindo espaço para que a secundária de Jalen Ramsey possa ser tão agressiva quanto os camisa 99 e 20, tornando-a uma das melhores equipes na proteção ao passe. Os anos de prática na NFL mostram que um pass rush que não dá tempo para o QB e uma secundária agressiva, mas que não cometa muitas faltas, é a fórmula de sucesso para uma defesa dominante. Ironicamente, um grande exemplo de defesa nesses moldes é a do 49ers – saudável – no ano passado, carro chefe para a campanha da equipe ao Super Bowl. 

Fique de olho

Motions, motions e mais motions!

How the LA Rams can free up cap space moving forward - Turf Show Times

O confronto entre Rams e 49ers é um prato cheio para os que gostam da parte tática do futebol americano no lado ofensivo da bola, tendo em vista as duas cabeças por trás de seus ataques: Kyle Shanahan e Sean McVay. Além da juventude e o fato de terem perdido Super Bowls nos últimos dois anos, outra semelhança entre os dois é o abuso de motions pré snap, característica atualmente intrínseca aos ataques que habitualmente têm sucesso. Há aqui no site um excelente texto que trata dos motions, tendo uma explicação mais aprofundada da tática, muito usada para descobrir o tipo de marcação que a defesa está mostrando, seja por zona, seja homem a homem, tornando fundamental para decidir qual leitura o quarterback irá seguir ou qual jogada irão realizar. Tanto é que inúmeras vezes após um motion ser realizado e a defesa estar mostrando algo que o QB não gostou, a jogada é alterada, usualmente com o comando “kill” sendo gritado pelo lançador para avisar aos seus companheiros, além de gestos característicos de cada time.

Além disso, essas mentes brilhantes vão mais longe, usando os motions como essenciais para o sucesso de uma jogada, sendo de RB, WR, TE ou até mesmo do FB, já que confundem a defesa antes do snap e criam um momento de hesitação para os defensores, sendo este segundo indispensável para um grande ganho de jardas. Shanahan e McVay amam os motions e se você curte táticas ofensivas, fique de olho em como as movimentações chamadas por eles impactam nas jogadas de seus ataques.

Impacto terrestre

Raheem Mostert requests trade from the San Francisco 49ers - Fake Teams

Um dos conceitos chave para os dois ataques é o play action. Muito se fala que para o play action dar certo, é necessário um jogo terrestre eficiente, mas que, no entanto, não se mostra um fato absoluta. Em verdade, para se ter um play action que funcione, precisa-se tentar correr com a bola e desenhar bem as armadilhas para a defesa, ficando em situações favoráveis para essas chamadas, mas nada impede um bom jogo corrido para aliviar seus respectivos QBs. E nisso, o San Francisco 49ers sai na frente.

Os dois ataques utilizam um esquema de comitê de RBs, ou seja, não tem um atleta que consumirá a absoluta parte dos snaps, sendo as jogadas divididas entre os corredores do elenco. Todavia, ao observar as médias de jardas por carregadas dos principais RBs das duas equipes, é notável uma grande diferença. Pelo Rams, Cam Akers tem 4.3 jardas por carregada, Darrell Henderson tem 4.5 e Malcolm Brown 4.0, enquanto no 49ers, os principais RBs por conta das lesões, Raheem Mostert e Jerrick McKinnon, têm 7.0 e 5.5, respectivamente. O jogo terrestre do 49ers foi chave na campanha dos playoffs no ano passado e se mostra, ainda, como principal arma a ser explorada por Shanahan quando pensar em vitórias. Para correr bem com a bola, o Rams terá que abrir o livro de jogadas para explorar os jogadores reservas que estarão em campo pela franquia de San Francisco, já que mesmo com todos os desfalques, o 49ers não cedeu mais de 95 jardas terrestres em nenhum dos últimos três jogos, tendo apenas o Cardinals corrido para mais de 105 em toda a temporada, inclusive.

Chaves para vitória

49ers

Correr com a bola de forma eficiente para que Jimmy Garoppolo não seja muito exigido durante o jogo, tendo em vista que está voltando de lesão.

Utilização criativa de George Kittle. Por ser o principal alvo no jogo aéreo, as atenções da defesa usualmente estão nele. Ainda assim, nas duas partidas contra o Rams na temporada passada, o TE teve uma média por recepção maior que 13 em ambas e os LBs pelo ar seguem como principal fraqueza da defesa do Rams.

Disciplina na defesa e precisão nos tackles. Muitos dos play actions do Rams são desenhados para ganhos após a recepção, logo, para parar deve-se: 1 – não cair nos fakes; e 2 – acertar os tackles assim que haja a recepção.

Rams

Pressionar Jimmy Garoppolo. Aqui não tem muito mistério e é o que o Rams faz de melhor na defesa. Somado ao fato de que a linha ofensiva do 49ers cedeu 18 sacks até aqui e o seu QB não está 100%, o que aumenta suas chances de erro sob pressão.

Fugir de Fred Warner no jogo aéreo e terrestre. O LB do 49ers vem sendo, até aqui, um dos melhores jogadores defensivos da liga nos dois aspecto da defesa. Evitá-lo pode dar uma maior chance de sucesso nas jogadas, sobretudo por conta das outras lesões do time.

Pontuar bastante no começo do jogo. Ao passo que o ataque do 49ers precisar ficar mais unilateral e se pendendo somente para o jogo aéreo, as chances de vitória do Rams só aumentam.

Palpite

Jared Goff assina extensão contratual com os Rams por mais 4 anos

Vitória do Los Angeles Rams.

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