sexta-feira, 24 de junho de 2016

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Chuck Hughes, o único jogador da história a morrer em um jogo da NFL.Chuck Hughes, o único jogador a morrer em campo na história da NFL.

Em 24 de outubro de 1971, Detroit Lions e Chicago Bears se enfrentavam no Tiger Stadium, no que era apenas mais um jogo em uma longa rivalidade entre as equipes. O jogo, muito disputado, se encaminhava para seu final quando o Bears assumiu a liderança por 28 a 23. O WR titular do Lions, Larry Walton, contundiu seu tornozelo e foi então que o reserva Chuck Hughes veio a campo para tentar ajudar a equipe a virar o jogo. Hughes recebeu um passe de 32 jardas, sendo então derrubado por dois jogadores do Bears simultaneamente. Duas jogadas mais tarde, novamente em campo, Hughes correu uma rota com o objetivo de enganar a defesa, o passe era na verdade direcionado ao TE Charlie Sanders e foi incompleto.

Ele então se virou para voltar a linha para o próximo ataque, caminhava em direção a seus companheiros quando caiu próximo a linha de 15 jardas do ataque. Muitos acreditaram que ele estava fingindo uma lesão, prática comum para a época. Foi então que Dick Butkus, lendário defensor do Bears, percebeu que havia algo errado. Acenou freneticamente pedindo a entrada dos médicos. Jogadores e profissionais da saúde invadiram o campo preocupados. Paramédicos iniciaram o processo de atendimento de emergência ali mesmo no estádio. A arquibancada prendeu a respiração e o silencio imperava. Hughes foi removido para o hospital e o jogo continuou. O clima foi pesado até o fim e o Bears conquistou a vitória por 28 a 23, mas o resultado já estava em segundo plano e nenhuma comemoração foi vista. Ainda no vestiário, os jogadores do Lions receberam a notícia: o companheiro de time faleceu aos 28 anos, vítima de problemas cardíacos.

hughes em campo

O jogador atuou no futebol americano universitário em Texas Western College, onde ainda é detentor de vários recordes de recepção e iniciou sua carreira profissional aos 24 anos, quando foi selecionado pelo Philadelphia Eagles na 4ª rodada do Draft de 1967. Após três anos, foi trocado para o Detroit Lions, mas não havia conseguido se firmar como titular na NFL. Pelo Lions, em sua segunda temporada, era primariamente jogador de times especiais e reserva em sua posição original, mas ele estava feliz, em forma e no auge da carreira. Muitos não entendiam como um atleta profissional poderia ter sido vítima de um ataque cardíaco e como ninguém havia percebido antes que poderia haver algo errado?

Chuck, na verdade, já havia apresentado problemas cardíacos. Sete semanas antes de sua morte, no último desafio da pré-temporada do Lions contra o Buffalo Bills, ele desmaiou após o jogo no vestiário, já que havia sido bastante requisitado durante a partida. Após ir ao hospital reclamando de dores no peito e no abdômen, os médicos concluíram que o WR poderia ter sofrido alguma lesão no baço, pulmão ou rim, mas nenhuma resposta definitiva foi dada. Após alguns dias de recuperação, o atleta recebeu autorização para voltar aos treinos. Dois meses mais tarde, a autópsia revelou que na verdade o jogador havia sofrido um ataque cardíaco, provavelmente pela dor intensa de uma pancada que ele levou no baço. A falha no diagnóstico levou Hughes à campo novamente, o que levaria a sua fatídica morte no estádio. A perícia também revelou que a pancada que o jogador recebeu de dois defensores do Bears, algumas jogadas antes de sua morte, disparou um efeito em cadeia que ocasionou a tragédia.

A morte de Chuck Hughes teve um papel fundamental para que nenhuma outra ocorresse em um campo da NFL. Após a tragédia, a liga obrigou os times a instalar desfibriladores em seus estádios, a percepção sobre jogadores fingindo contusões no fim das partidas mudou e o número de falsas lesões diminuiu drasticamente. Procedimentos médicos se tornaram mais rigorosos, com as equipes exigindo testes mais severos antes de mandar jogadores a campo novamente. Principalmente, a cultura dos jogadores mudou, imperava na NFL uma cultura de negligência, os atletas passaram a se preocupar mais com sua saúde.

Apesar de ser uma história esquecida, o legado de Chuck Hughes permanece. Sua morte provavelmente evitou a de vários outros jogadores e levou a liga a repensar na forma como doenças de jogadores devem ser investigadas. Na época, em sua homenagem, o Detroit Lions aposentou a camisa 85 (apesar de atualmente a camisa estar em uso novamente), e, anualmente, entrega um prêmio com seu nome ao jogador que apresente melhor evolução de um ano para outro. Homenagens justas a um jogador que pagou com a vida o preço de uma cultura bárbara que imperava na NFL.

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