segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

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E se foram as finais de conferência! Com vitória das equipes que estavam em bye em todos os jogos, teremos no próximo domingo as finais de conferência que estávamos sonhando desde setembro: Kansas City Chiefs x New England Patriots pela AFC e Los Angeles Rams x New Orleans Saints pela NFC!

Exorcismo em Kansas City

Finalmente! Na tarde de sábado, sob muita neve, o Kansas City Chiefs em fim exorcizou o fantasma que assombrava as pós temporadas da franquia desde 1994 e o fez com um atropelo sobre o Indianapolis Colts. A partida começou já com os donos da casa ditando o jogo. Foram cinco posses de bola para o ataque na primeira metade do jogo, com o Chiefs anotando touchdown em 3 delas e garantindo um field goal em outra. Quando o jogo estava 17 a 0 entrando no segundo quarto, o Colts conseguiu forçar um punt, bloqueá-lo e anotar um TD que parecia ser aquela jogada que muda a história do jogo. Bem, não desta vez. Isso porque além do ataque estar espetacular, a defesa do Chiefs, por incrível que pareça, foi dominante na partida.

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A unidade treinada por Bob Sutton, que terminou a temporada regular como a segunda pior defesa na liga, dominou o Colts completamente. Nos primeiros 30 minutos o ataque do Colts não conseguiu uma primeira descida sequer. Na partida como um todo foram apenas 263 jardas cedidas ao ataque de Luck. O linebacker Justin Houston foi um show à parte: 3 sacks, 2 hits no quarterback, 2 tackles para perda de jardas e um fumble recuperado.

Senhoras e senhores, Patrick Mahomes é um monstro. Mesmo sem lançar para nenhum TD (anotou apenas um com as pernas) o quarterback mostrou porque deverá ser o MVP da temporada dissecando a defesa do Colts e distribuindo passes mágicos. O DNA de baseball fica claro quando vemos Mahomes lançar a bola pelo lado do corpo com absoluta precisão e ignorando a pressão que está chegando. Mas não foi só ele, o ataque como um todo funcionou. Travis Kelce recebeu 108 jardas, Tyreek Hill outras 72 (correndo para mais 36 e 1 TD) e Damien Williams teve a melhor partida de sua carreira. Foram 129 jardas e 1 touchdown para o running back.

Já para o Colts nada deu certo. E quando digo nada falo sério. O exemplo mais claro é Adam Vinatieri, melhor kicker da história da NFL, que errou um field goal de apenas 23 jardas, o primeiro perdido a essa distância (ou mais perto) em sua carreira. Além disso, errou também um chute de ponto extra. O ataque do Colts, 7º melhor da liga, foi dominado. Andrew Luck pouco conseguiu fazer, completando pouco mais da metade de seus passes para 203 jardas e 1 TD. T.Y. Hilton jogou contra uma surpreendentemente forte defesa e contra uma lesão no tornozelo, conseguiu apenas 60 jardas e 1 TD, este vindo quando já estava tudo perdido. O ataque, que liderava a liga em conversão de terceiras descidas, não conseguiu uma sequer neste sábado.

O Show de Gurley e Anderson!

O início do confronto entre Cowboys e Rams começou com o equilíbrio esperado, com a franquia de Los Angeles anotando um field goal na sua primeira campanha e com Dallas prontamente devolvendo com um touchdown. Mas todo esse equilíbrio foi embora ainda do primeiro tempo. Depois disso foram 3 punts forçados pela defesa e 2 touchdowns anotados pelo ataque, levando a partida para o intervalo com o Rams vencendo por 13 pontos. No segundo período, os donos da casa apenas administraram o relógio e o resultado com um poderoso jogo corrido.

É importante lembrar que a defesa do Cowboys não é qualquer defesa, especialmente pelo chão. Além de terminar a temporada como a 5ª melhor unidade no quesito, limitou o Seahawks (melhor ataque corrido da liga) à meras 73 jardas na semana passada. Mas nada disso importou para Todd Gurley e C.J. Anderson. Gurley terminou a partida com 115 jardas e 1 TD. Anderson foi melhor: 123 jardas e duas visitas à endzone. A defesa do Cowboys foi dominada fisicamente e permitiu um total de 273 jardas terrestres. Com tudo isso, Jared Goff teve pouco trabalho, mas mesmo assim foi eficiente completando 15 passes de 28 tentados para 186 jardas e distribuindo a bola para 7 recebedores diferentes.

Se o ataque terrestre do Rams funcionou, o do Cowboys foi anulado. Ezekiel Elliott, running back que liderou a liga na temporada com 1434 jardas, foi limitado a 47 jardas e média de 2,4 por tentativa. Com isso, o ataque do Cowboys ficou unidimensional, nas costas de Dak Prescott e, consequentemente, previsível. Prescott não conseguiu entregar as jardas necessárias para suprir a ausência do jogo terrestre. Quando o ataque conseguiu engrenar no final da partida, a vaca já tinha deitado.

E quando o time ainda estava na partida e eram claras as chances de correr atrás do placar, aconteceu uma das marcações mais bizarras da história da NFL que assassinou uma campanha do Cowboys. O Rams já vencia por 20 a 7 ainda no segundo quarto e o Cowboys estava no ataque, já em área de field goal. Prescott recuou para passar, foi pressionado e teve que se movimentar no pocket, esbarrando em La’el Collins (seu próprio tackle), que pegou o quarterback e o tirou do alcance de Dante Fowler Jr. As zebras prontamente apitaram marcando um sack para perda de 8 jardas, que tirou o time do alcance de field goal. Mas aí é que está o problema: Fowler nunca encostou em Prescott, apenas seu próprio companheiro de time o segurou. Ninguém entendeu esta marcação.

Massacre em Foxborough

Parecia um jogo treino para o Patriots. A dominância já começou na primeira posse de bola, que foi a campanha de abertura mais longa na era Brady/Belichick, consumindo 7 minutos e 11 segundos para terminar em um touchdown de Sony Michel. O Chargers até bateu de volta na campanha seguinte, com um passe lindo de 43 jardas de Philip Rivers achando Keenan Allen para anotar um TD e empatar a partida. Mas depois disso, só deu Patriots. Foram 4 punts forçados pela defesa e 4 touchdowns anotados pelo ataque de New England ainda na primeira metade do jogo, levando a partida aos vestiários com 35 a 7 no placar. Depois disso, foi só administrar.

O Patriots está mal esse ano, eles disseram. O Chargers vai fazer o crime, eles disseram. Pois é, nunca duvide de Tom Brady quando janeiro chega. Foram 34 passes completados de 44 tentados para 343 jardas com 1 TD lançado para o quarterback. Julian Edelman pode não ter recebido o TD, mas ajudou com 151 jardas, quebrando tackles e constrangendo defensores. James White também foi outro grande alvo de Brady, com mais 97 jardas. Mas o destaque mesmo foi Sony Michel: em 24 carregadas, o calouro conseguiu 129 jardas além de anotar TRÊS touchdowns. E se Rob Gronkowski apareceu apenas uma vez para receber a bola, seu trabalho bloqueando neste domingo foi impecável.

Já a defesa, como já falado, forçou 4 punts nos dois primeiros quartos. Philip Rivers não teve um mínimo de paz durante todo o tempo que esteve em campo. Foram 2 sacks, 7 hits sobre o quarterback, além da defesa apressar o passe em 28 oportunidades. Stephon Gilmore ainda conseguiu interceptar Rivers já no final da partida. Contra o jogo corrido, ainda mais dominância: a defesa do Patriots cedeu apenas DEZENOVE jardas pelo chão. Fora isso, o 12º homem também esteve presente e fazendo barulho no Gillette Stadium: foram 3 faltas de atraso do jogo cometida pelo ataque do Chargers.

A defesa do Chargers voltou a realidade neste domingo. Uma coisa é enfrentar o calouro Lamar Jackson. Outra completamente diferente é ter pela frente Tom Brady com Josh McDaniels chamando as jogadas. A defesa foi dominada fisicamente, sendo incapaz de encostar em Brady, sofrendo na cobertura e também no jogo corrido. Desmond King, tão importante em seus retornos semana passada, falhou tanto como corner quanto como returner, onde sofreu um fumble ao tentar segurar um punt, jogada que resultou no Patriots recebendo a bola de volta. Voltado completamente ao jogo aéreo, o ataque de Rivers só conseguiu fazer algo quando o jogo já estava ganho. E por falar em Rivers, acho que agora acabaram as desculpas. Este ano não pode-se dizer que ele não venceu por não ter ajuda do time, já que contava com bom suporte em todos os níveis. A derrota foi para o Patriots no frio de Foxborough, mas isso não é o suficiente para justificar o fiasco.

Uma curiosidade: o confronto entre Patriots e Chargers foi a partida com mais anos de idade entre os quarterbacks titulares na história dos playoffs. Somando Brady e Rivers, são 78 anos de idade. Em contrapartida, o jogo entre Jared Goff e Dak Prescott tem um total de 49 anos de idade entre os dois quarterbacks, apenas 8 anos a mais que Brady.

Um drop para acabar com o sonho

Quando o jogo começou, parecia que a mágica aconteceria novamente. O Eagles iniciou a partida furioso, interceptando Drew Brees já em seu primeiro passe tentado e encaixando 2 touchdowns em sequência, um com passe de Nick Foles para Jordan Matthews e outro com o próprio Foles entrando na endzone, fechando assim o primeiro quarto em 14 a 0. Mas a mágica acabou aí mesmo e o Saints renasceu. Foram 10 pontos no segundo quarto e mais 10 pontos anotados no restante da partida pelos donos da casa para garantir a vitória e a vaga na final de conferência, vencendo por 20 a 14 em um jogo que estava aberto até o final da partida!

Perdendo por 14 pontos já no início do jogo, foi com Taysom Hill que os ventos da partida mudaram. O quarterback que é um absoluto faz tudo recebeu a bola em um fake punt para garantir uma quarta para 1 jarda em uma chamada extremamente corajosa. Logo após isso o Saints acordou, com Brees achando Michael Thomas para 42 jardas só para mais tarde concluir a campanha com um passe para Keith Kirkwood anotar o touchdown. O primeiro drive do time no terceiro período foi espetacular, comendo 11 minutos e meio de relógio e culminando em um touchdown de Thomas para colocar o time na liderança. E Thomas merece ser muito falado: o wide receiver massacrou a secundária do Eagles durante a partida. Foram 171 jardas e 1 touchdown nas 12 vezes que recebeu a bola, participando de jogadas chaves que mantiveram o ataque do time em campo e recebendo a bola de tudo quanto é jeito.

O fator casa também pesou muito nesta noite: o barulho da torcida no Superdome atrapalhou demais o ataque do Eagles, que cometeu faltas e parecia muitas vezes perdido em campo. E a defesa foi mais um motivo para a vitória do Saints ser possível. Liderada por Marshon Lattimore, que interceptou Foles duas vezes, a unidade conseguiu segurar o ataque do Eagles a 0 pontos durante 3 quartos do jogo, feito chave para permitir a virada.

O Eagles parou após o primeiro quarto, mas há motivos para isso. Foram 3 grandes perdas para lesões durante a partida, com o guard Brandon Brooks saindo para o vestiário ainda no início do jogo e com o DT Fletcher Cox e o OT Jason Peters perdendo snaps nos últimos 3 quartos da partida. Além disso, a mágica de Foles infelizmente acabou e nem tanto por culpa do quarterback. No final da partida, logo antes do two-minute warning, quando parecia que ele ia liderar mais uma virada impressionante e ser decisivo, lançou uma bola perfeita para Alshon Jeffery. Só que o recebedor, que tinha apenas 2 drops na temporada, deixou a bola escapar por entre suas mãoes, desviando-a de forma a cair no colo de Lattimore, definindo assim a partida e acabando com o sonho dos atuais campeões.


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