sexta-feira, 5 de abril de 2019

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Nós, vivendo nesta época contemporânea da NFL, fomos premiados em presenciar vários eventos que reescreveram a rica e tradicional história da agora centenária liga que tanto gostamos de assistir. Pare para pensar em quantas vezes nós abrimos os noticiários especializados e vimos algo parecido com “x jogador assina o maior contrato da história” ou mesmo “n equipe simplesmente quebrou um recorde que perdurava 50 anos” e por aí vai. Parece que diariamente há uma necessidade pandêmica daqueles que vivem e fazem o esporte em reescrever a história e com isso marcar seu nome na NFL. Os exemplos são vários para analisar um simples fato: vivemos na época dos recordes desta liga em praticamente todas as frentes que a norteiam: salários, jardas, pontos, estatísticas, enfim, o livro dos recordes da NFL está sendo (re)escrito a nossos olhos e é difícil pensar em algum recorde da época romântica do esporte (da metade do século passado para trás) que perdurará pela eternidade.

Um recorde que parece cair anualmente é o de Quarterback mais bem pago de toda a NFL. Pelos mais variados motivos citados abaixo do texto, uma pandemia tomou conta dos gerentes das equipes que seu Quarterback precisa ser mais bem pago que o último a assinar uma monstruosa extensão contratual com outra equipe. Anualmente vemos um novo atleta no topo desta lista e a “bola da vez” é o QB Russell Wilson, do Seattle Seahawks, que chega ao último dos quatro anos de contrato que assinou em 2015 – pagando-lhe U$ 87 milhões ao longo destes anos, em valores daquela época.

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Wilson, por sua vez, já declarou que não se apresentará aos treinamentos de intertemporada do Seattle caso não tenha seu contrato renovado até lá – Seattle começa seu programa dia 15 de Abril, então, para todos os efeitos, esta é a data limite para a franquia se quiser contar com seu principal jogadores nesta parte da preparação.

Um fator chave, que foi almejado por alguns atletas no passado recente parece ser crucial nesta situação e pode representar uma nova base de negociações entre jogadores e times da NFL: salários com base em uma porcentagem do teto salarial.

Vimos a história ser reescrita recentemente, quando o QB Kirk Cousins assinou o primeiro contrato totalmente garantido da história da NFL com o Minnesota Vikings. Para você que não está totalmente por dentro do assunto, vai aí uma breve explicação:

Em um contrato da NFL, o valor assinado não é totalmente garantido e está atrelado a diversas tangíveis de rendimento e mesmo permanência dentro da equipe: bônus de treinamento, estatísticas, vitórias, estar no elenco em tal data, enfim, são muitas variáveis que tomam parte de uma negociação contratual além dos temidos bônus por lesão – afinal uma carreira pode ser mudada ou mesmo interrompida  a cada snap dentro da NFL. Cousins, por sua vez, marcou história ao ser o primeiro jogador a garantir totalmente o valor contratual não importa seu rendimento, permanência ou qualquer outra coisa do tipo, ou seja, os U$ 84 milhões que o Vikings prometeu pagar à ele serão realmente pagos, não importa o que aconteça até o fim da temporada de 2020, quando expira este contrato.

Para Russell Wilson, o caso é simples. Ele pode marcar uma nova fase das negociações ao exigir do Seahawks uma porcentagem definida do teto salarial – limite que todas as 32 equipes podem pagar anualmente a seus jogadores, e não um salário originalmente definido que não sofreria mudança ao longo dos anos daquilo que foi originalmente acordado.

Há boatos que alguns atletas (como o próprio Cousins com o Vikings) tentaram articular algo do tipo no passado, obviamente sem sucesso. O CB Darrelle Revis, um dos melhores da história em sua posição parece ter sido o pioneiro ao pedir algo parecido do New York Jets lá em 2013 mas, sem sucesso, optou por assinar com o Tampa Bay Buccanneers que prometeu pagar U$ 96 milhões ao longo de seis anos (valores recorde para a época) apenas para dispensá-lo na temporada seguinte.

Analisando friamente a situação, não parece nada muito utópico basear os vencimentos de um jogador crítico para o sucesso da equipe com uma porcentagem daquilo que ela pode pagar à todo o elenco, baseado no crescimento exponencial do salary cap, ou o teto salarial, anualmente. A média de crescimento  é de U$ 10 milhões por temporada, o que também corrobora para o fato citado no começo do texto: com mais espaço no teto, maiores são os contratos assinados com os jogadores.

Novos contratos de TV e o impacto do retorno da porcentagem devida à liga pelas apostas feitas no esporte vão consequentemente aumentar os lucros da NFL e por tabela o retorno das receitas divididas irmãmente entre as 32 franquias. Tendo também em vista o eminente término do acordo trabalhista entre a NFL e a NFLPA (o sindicato dos jogadores) que expira em 2021, parece que entraremos em uma nova fase dos contratos dos atletas, que se assemelhariam ao que já acontece na MLB e na NBA, as ligas profissionais de beisebol e basquete dos EUA: contratos 100% garantidos e controle total dos atletas, com cláusulas impedindo trocas e mesmo dando ao jogador a opção de retornar (ou não) para a equipe na próxima temporada.

Segundo o Spotrac.com (site especializado em salários das ligas norte-americanas) Wilson receberá U$ 25.286.000 do Seahawks neste último ano de contrato. Com o teto fixado em U$ 188.2 milhões, temos que 13.4% de tudo o que Seattle pode pagar ao elenco está alocado no seu Quarterback. À título de curiosidade, o atual “recordista” no quesito é o QB Matthew Stafford, que ocupa 15.6% do teto salarial do Detroit Lions ao receber U$ 29.5 milhões pela próxima temporada.

Obviamente, isto nunca aconteceu até hoje e vale ressaltar também que nenhuma equipe é obrigada a aceitar tal termos – nem mesmo Seattle ao negociar com Wilson nas próximas semanas, mas ao que tudo indica, o cenário caminha para isto. Em algum ponto, a possibilidade de colisão entre as rotas de interesse de jogadores e times será inevitável e dependendo do que for negociado em 2021 (ano que o novo acordo trabalhista deve ser assinado), devemos ter o aumento considerável do poder de barganha dos atletas na mesa de negociação.

Também é óbvio nesta altura pensar que o Seahawks quer renovar com seu principal atleta que já provou ser um vencedor nato e um dos melhores naquilo que faz deste que entrou na NFL em 2012, recrutado na 3ª rodada do Draft após boa carreira universitária por North Carolina State e depois Wisconsim. Na onda das renovações recordes a cada temporada, parece a vez de Wilson ostentar o maior contrato entre todos na NFL, mas com este detalhe que pode até passar despercebido, mas que mudaria para sempre a forma de negociações entre os lados.

O primeiro contrato totalmente garantido já é história. Agora, um contrato cujo valor a ser pago anualmente flutua oriundo de uma porcentagem do teto salarial pode estar sendo costurado neste exato momento, debaixo de nossos olhos, ou seja, estamos vivenciando a história mais uma vez, concorda?


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