terça-feira, 12 de março de 2019

Compartilhe

Durante a temporada de 2018, a mensagem que o Oakland Raiders passava para sua torcida parecia ser bem clara: o time não tem condições de brigar por títulos agora, então vamos trocar alguns ativos por escolhas de draft e reconstruir o elenco, pensando no médio prazo e sermos competitivos na chegada a Las Vegas. E foi assim que o time despachou Khalil Mack e Amari Cooper, ficando cheio de escolhas de primeira rodada nos próximos dois drafts.

Alguns meses depois, a franquia deu um giro de 180º. É difícil entender exatamente o porquê. Talvez a chegada no novo GM, Mike Mayock, tenha feito Jon Gruden mudar sua visão sobre o plantel. Talvez comissão técnica e diretoria tenham decidido fazer um último esforço para levar o time aos playoffs por uma última vez enquanto ainda está em Oakland. O fato é que o Raiders mudou sua atitude nesse começo de Free Agency: deixou de se portar como o time em reconstrução que deixa os veteranos mais caros irem embora para agir como o predador que quer ganhar agora. E o mais interessante: fez isso sem abrir mão de nenhuma das suas escolhas de primeira rodada no draft do mês que vem.

Leia Mais: Le’Veon Bell, DeMarcus Lawrence, Frank Clark e o inevitável fim da franchise tag

Leia Também: Jornal do Draft – Edição Número 3

O negócio mais badalado operado por Gruden e Mayock foi a troca por Antonio Brown, consumada na noite de sábado. O Raiders abriu mão de escolhas de terceira e quinta rodada para ter o astro ex-Steelers em seu elenco, e imediatamente renovou o seu contrato, fazendo de Brown o wide receiver mais bem pago da NFL. O ganho técnico é inquestionável, assim como o preço pago ao Steelers foi bastante baixo. Fica a dúvida de como será o relacionamento entre duas personalidades tão fortes como as de Brown e Gruden.

E o Raiders não parou por aí. No domingo, a equipe “recuperou” a escolha de quinta rodada enviada ao Steelers, trocando o veterano guard Kelechi Osemele para o New York Jets. Osemele ainda é um bom jogador, mas já mostrou um certo declínio físico em 2018, e sua saída representa uma economia de US$ 10 milhões no teto salarial, o que fará muita diferença, conforme descobriríamos na sequência.

Digo isso porque, nesta segunda-feira, a franquia fez mais duas movimentações muito importantes (e custosas): logo na abertura do período legal de negociações com os jogadores prestes a se tornarem Free Agents, foi anunciado que o Raiders fez de Trent Brown o linha ofensiva mais bem pago da NFL, com um contrato de US$ 66 milhões em 4 anos. Embora sua importância no título do New England Patriots seja inegável, também não dá para negar que é um contrato arriscado. Afinal, Brown trocará um dos melhores OL coaches de todos os tempos, Dante Scarnecchia, por um dos piores da NFL, Tom Cable. E vimos no ano passado um left tackle do Patriots trocar de time (Nate Solder para o Giants) em um mega contrato, e o resultado não foi lá muito inspirador.

E ainda deu tempo para mais uma contratação no turno da noite. O safety LaMarcus Joyner, titular do Rams, foi contratado para os próximos 4 anos, com valores não divulgados até o fechamento deste texto. Joyner jogou sob a franchise tag em 2018, recebendo cerca de US$ 11,2 milhões. É plausível imaginar que os valores sejam um pouco mais altos do que estes. Joyner chega para dar dinamismo na cobertura em uma secundária que ainda precisará de mais reforços.

As ações recentes do Raiders são inconsistentes, e me faz parecer que a franquia não tem um rumo bem definido do que quer fazer: se foram atrás de Antonio Brown agora, por que se livraram de Cooper? Se abriram mão de Khalil Mack por, teoricamente, não ter dinheiro para renovar com ele, porque abriram a carteira para pagar tanta gente em uma única semana? Se draftaram Kolton Miller para ser o left tackle do futuro, por que mudaram de ideia tão rápido?

Isso, claro, não quer dizer que todas essas ações darão errado. O time está com bem mais talento agora, tem três escolhas de primeira rodada no draft e um dos maiores (na opinião deste que vos escreve, o maior) especialistas de draft do mundo auxiliando Gruden nas tomadas de decisões. Pode dar certo. O ponto é que, em uma divisão com elencos já prontos como os de Chiefs e Chargers, a margem de erro é bem pequena.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.