sexta-feira, 1 de maio de 2020

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Entrando no draft de 2020 com um total de 12 escolhas, sendo duas delas na primeira rodada e muito bem posicionado, com a nona escolha geral, existia uma alta expectativa sobre o que o Jacksonville Jaguars poderia fazer e para quais caminhos a franquia iria seguir, sendo o ponto de partida, sem dúvidas, a posição de quaterback e como o coaching staff enxergava a situação do QB Gardner Minshew. Com capital de draft para subir e buscar potencialmente um QB de sua preferência no topo do processo ou mesmo tendo a chance de selecionar, mais de uma vez, Jordan Love, Jalen Hurts e outros prospectos da posição, a equipe se manteve firme e parece disposta a dar a titularidade Minshew em seu segundo ano na liga.

A partir dessa decisão, o GM David Caldwell entrou no draft bem consciente das necessidades da equipe e de como seria importante conseguir muito valor com as primeiras escolhas e obter jogadores com a capacidade de contribuir imediatamente ou, no mínimo, com potencial para serem titulares em pouco tempo. Foi justamente o que aconteceu. Por mais que possa ser questionado o valor de onde CJ Henderson foi selecionado, inegavelmente trata-se de um ótimo prospecto, físico, grande, extremamente atlético e com capacidade e experiência tanto jogando em zona, quanto homem a homem (provavelmente o melhor da classe aqui). Apesar dos questionamentos sobre seu ball skills, bem como as quebras de rotas e tackles, Henderson chega para ser titular e tentar exercer o papel que era de Jalen Ramsey, embora com um estilo e perfil diferente.

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Com a escolha número 20 o time da Florida conseguiu aquela que talvez tenha sido a sua melhor ou mais valiosa seeção não apenas de sua classe, mas de todo o recrutamento, selecionando o EDGE K’Lavon Chaisson (LSU). Com talento de ser até potencial top 10 da classe, Chaisson caiu no colo do Jaguars, que diante disso e do imbróglio envolvendo Yannick Ngakoue e sua iminente troca, não poderia perdera a oportunidade. “Sacksonville” pode estar de volta e com o seu futuro resguardado, com uma dupla tão jovem e talentosa como Josh Allen e o produto de LSU.

Na segunda rodada, muito mais do que uma necessidade propriamente, pesou o valor do jogador, pois selecionar Laviska Shenault Jr nessa altura pode vir a ser um verdadeiro steal. Com um talento inegável de 1º round, o recebedor só caiu até esse ponto pelas lesões e a recente cirurgia que fez, porém, trata-se de um potencial playmaker. Extremamente perigoso com a bola nas mãos, foi utilizado em todas as posições no ataque de Colorado, até mesmo como H-Back ou recebendo diretamente a bola na formação Wildcat, principalmente em situações de terceira descida curta ou mesmo quarta descida. Impressiona sua capacidade de YAC, seja quebrando tackles ou forçando tackles perdidos, ele sempre encontra uma maneira de ganhar mais jardas do que aquilo que a jogada apresenta. Precisa ampliar seu conhecimento e árvore de rotas, mas nada que seja tão preocupante. O risco existe, contudo, a possibilidade de retorno é muito grande e promissora demais.

Gosto muito da adição de DaVon Hamilton na 3ª rodada, pois o acho um tanto quanto subvalorizado nessa classe de IDL. Run stoping, é aquele atleta grande, pesado, tradicional Noise tackle para colocar no meio da linha e bater de frente com o Center, segurando o A Gap. Hamilton é ainda muito ativo na linha de scrimmage, tem um motor que não apaga até o final da jogada e muita velocidade e mobilidade para um cara de seu tamanho. Com bom poder de penetração e leitura das jogadas, vem numa nítida ascensão na carreira e com uma produção crescente desde que se tornou titular em Ohio State na última temporada, ficando atrás apenas de Chase Young no número de sacks no time. Chega para jogar desde o primeiro dia em Jacksonville e ajudar na reformulação do interior da linha defensiva, junto com os free agents Rodney Gunter e Al Woods, que assinaram em março com a equipe.

DT DaVon Hamilton.

Na quarta rodada uma aposta muito válida no OT Ben Bartch, da pequena St. John’s, do nível FCS. Quem vê a estrutura física e a desenvoltura de Bartch, não consegue imaginar que o jogador era TE até pouco antes da temporada de 2018, tendo realizado a transição, ganhado peso e se tornado o titular absoluto como LT. Apesar do peso, o atleta não perdeu sua boa agilidade e mobilidade, tendo bom footwork e sendo extremamente seguro na proteção ao passe. (O PFF o avaliou com 97.0 Pass-block grade – em 748 snaps em 2019, cedendo apenas 4 pressões totais ao QB). O nível de competitividade enfrentado sempre será um questionamento, mas as ferramentas inegavelmente estão ali presentes com o jogador, que além de tudo, demonstra uma mentalidade excelente para finalizar seus bloqueios e distribuir pancakes. Chega para dar profundidade na posição e quem sabe se desenvolver como um futuro titular, dado o desempenho não tão bom de Cam Robinson em 2019.

No restante do 3º dia de draft, também merecem destaque as seleções do CB Josiah Scott (Michigan State) e do WR Collin Johnson (Texas). O primeiro, apesar do tamanho e estrutura físicas menores, é um jogador muito físico, instintivo e com ball skills apurado, tendo mostrado ao longo de sua carreira no College que está sempre perto da bola. É uma legítima opção para jogar no slot e dar uma profundidade necessária ao roster. Já Johnson, chega no grupo de WRs como o jogador mais alto de todos e trazendo características inexistentes até então, sendo um bom alvo na red zone e um recebedor de ball possession, aposta mais do que válida numa 5ª rodada.

A seleção de um quarterback, que era possiblidade no início do recrutamento, aconteceu somente na 6ª rodada, com a chega de Jake Luton (Oregon State). Diferentemente do que aconteceu com Minshew em 2019, é extremamente improvável que seja necessário que o novato jogue e possa ir bem, com o raio não caindo novamente no mesmo lugar (mesma rodada, no caso). Se a competição pela titularidade na vaga de QB ainda estiver aberta para o coaching staff, acho muito mais provável a chegada de um veterano, como Andy Dalton ou até mesmo Cam Newton.

Quarterback Jake Luton

Diante do cenário muito bem explorado no draft, vejo o Jacksonville Jaguars com possibilidades de novamente retornar aos Playoffs em 2020, desde que Gardner Minshew consiga uma evolução e maior estabilidade em seu jogo, pois o elenco de apoio ao seu redor está sendo muito bem reestabelecido e rejuvenescido para os próximos anos, com a franquia necessitando “apenas” da solidificação de um franchise QB nesse caminho. O trabalho do GM David Caldwell segue sendo muito bem feito no geral e ele conseguiu não apenas ter o melhor draft dentro de sua divisão, como também um dos melhores de toda a conferência americana.

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