quinta-feira, 12 de novembro de 2020

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Um dos melhores jogos da última semana foi o duelo entre Carolina Panthers e Kansas City Chiefs, que marcava principalmente o retorno do RB Christian McCaffrey. Ele, inclusive, recebeu o touchdown que iremos falar sobre no texto de hoje. Mas não se preocupe, não é outro screen!

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O vídeo da jogada:

Situação de campo e jogo

O Carolina Panthers estava no campo de ataque, na linha de 9 jardas. Era uma quarta descida para 3 jardas, no primeiro quarto, faltando 6:39 para acabar.

A decisão de ir na quarta descida aqui, para mim, tem mais a ver com o momento que o ataque vinha tendo no drive. O ataque estava avançando bem, variando jogadas e a chamada foi boa o suficiente a ponto de acreditarmos que o coordenador ofensivo Joe Brady sabia exatamente o que o Chiefs traria na jogada.

Falando na defesa, ela apresenta um look com muitos jogadores na caixa e nenhum no fundo, o que é um indicativo de cobertura individual + pressão (cover 0), enquanto o ataque coloca em campo uma formação 2×2 em bunch, com os recebedores bem próximos da OL e o RB à direita do QB (shotgun).

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A jogada

Falando um pouco mais da defesa antes de aprofundarmos a jogada, a chave do problema do Chiefs aí foi um artifício chamado green dog blitz. Green dog, explicando resumidamente, é uma blitz condicional do jogador que está marcando alguém que pode estar na proteção de passe. Exemplo: se o RB sair para rota, o defensor que o está marcando irá permanecer nessa função. Mas se o RB ficar na proteção, o defensor entrará em blitz. Por isso dizemos que é condicional.

Então a defesa do Chiefs chama uma Cover 0 com uma green dog de Mathieu, o que pode gerar uma pressão com 6 ou 7 jogadores. Sempre mais do que o ataque consegue bloquear.

Os jogadores não indicados com cobertura individual já estão designados para atacar o backfield.

Como eu expliquei no texto sobre o TD do Dalvin Cook, o objetivo da bunch é dar pelo menos um release livre para os recebedores. Quando a bunch está mais próxima da OL/QB, ela favorece rotas externas (já que há um espaço muito maior para manobrar) e rotas cruzadas (já que está mais perto dos recebedores do outro lado). Nesse exemplo, ela funciona vagando o espaço do campo para onde iria a rota do RB. Não tenho certeza aqui, mas creio que seja o mesmo princípio do conceito mesh, com a diferença de uma das rotas cruzadas serem a do RB, algo que não é muito “comum”, mas é um pilar muito estabelecido em ataques baseados em conceitos de Air Raid, como o do Panthers.

Esse é um mesh mais tradicional:

Na jogada do Panthers, é possível ver que o “cruzamento de rotas se dá entre o RB Christian McCaffrey e o WR Curtis Samuel.

O que acabou quebrando a defesa aí foi o fato de o RB ter saído para fazer a rota ao lado contrário de seu alinhamento. Mathieu, tendo o papel de green dog, pensou que o RB iria ficar na proteção. E quando entendeu que não, já tinha se colocado em um ângulo muito desfavorável e era tarde demais.

Um outro aspecto a ser destacado é a proteção de passe chamada. Veja que há um rusher no lado esquerdo, que poderia ser bloqueado pelo guard, mas ele passa limpo. Isso não é um erro da OL, é algo proposital, visto que a OL está fazendo um half slide para a direita. Lembre que a ideia da cover 0 é que a proteção não consiga bloquear todos os defensores. Além disso, se McCaffrey estivesse na proteção de passe, ele iria ser responsável justamente por bloquear esse defensor na esquerda. Isso é para destacar que até a proteção chamada foi genial e que Mathieu foi induzido ao erro por completo.

O resto é trabalho do QB e do RB.

Supondo que Mathieu não tivesse a função de green dog, fosse apenas responsável pela marcação individual do RB, creio eu que a jogada ainda teria sido bem sucedida, mas talvez não tivesse sido um TD. De toda forma, o DC Steve Spagnuolo fez uma aposta e Joe Brady fez outra. Dessa vez, o coordenador ofensivo levou a melhor.


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